Capítulo 14 – O Peso da Ausência
por FanfiqueiraA manhã seguinte não trouxe o sol; trouxe apenas uma névoa cinzenta que parecia se infiltrar pelos vidros da Kim Global. Karine entrou no 55º andar com o coração em frangalhos. Seus olhos estavam secos, mas a garganta ainda ardia. Quando ela olhou para a esquerda, para o setor de logística, a mesa de Taehyung estava limpa. O porta-retratos com a foto deles e de Jennie não estava lá. O casaco reserva dele, que sempre ficava na cadeira, havia sumido.
Era real. Ele se fora.
Karine sentou-se em sua mesa, sentindo o silêncio do andar como uma pressão física nos ouvidos. Ela abriu o computador, mas as letras pareciam dançar diante de seus olhos. O vazio deixado por Taehyung era um buraco negro que sugava toda a sua determinação da véspera.
De dentro de seu escritório, Namjoon a observava. Ele tinha os braços cruzados e a mandíbula tensa. Ele esperava ver uma Karine focada, talvez um pouco melancólica, mas o que via era uma mulher que parecia ter sido esvaziada por dentro. Ela nem sequer abriu as pastas do arquivo. Ficou apenas ali, olhando para o nada, com uma expressão de desolação que começou a irritá-lo.
“Por que tanto drama por causa de um amigo?”, ele pensou, sentindo uma pontada de algo que se recusava a chamar de ciúme. “Eles são melhores amigos e um funcionário que foi promovido. Ela deveria estar orgulhosa, não de luto.”
Incapaz de aceitar a falta de controle sobre a situação, Namjoon pegou seu telefone seguro e discou um número que não estava em sua agenda oficial.
— Relatório — ele disse, assim que a ligação foi atendida.
— Sr. Kim — a voz do outro lado era neutra, a voz do “zelador” do prédio de Karine, que Namjoon pagava para monitorar cada movimento dela. — O alvo 02 (Taehyung) chegou ao dormitório do alvo 01 (Karine) às 21h15 ontem. Eles ficaram sozinhos por aproximadamente cinquenta minutos.
— E então? — Namjoon apertou o aparelho com força.
— Houve contato físico. Houve choro por parte de ambos. O alvo 02 saiu com aparência de perturbação. Pelas leituras de áudio captadas perto da porta antes de ela ser trancada, o alvo 01 declarou sentimentos românticos. O alvo 02 correspondeu verbalmente, mas citou a partida como um impedimento para o relacionamento.
O mundo de Namjoon parou por um segundo. A pérola no seu bolso pareceu queimar contra sua coxa.
— Eles se amam? — Namjoon perguntou, a voz saindo em um sussurro perigoso.
— Ao que tudo indica, sim, senhor. Mas a separação foi definitiva. O alvo 02 mentiu sobre o motivo da viagem, conforme suas instruções. Ela acredita que ele escolheu ir.
Namjoon desligou sem dizer nada. Uma fúria cega tomou conta dele. Ele achava que estava tirando uma muleta de Karine, mas agora percebia que tinha tentado amputar um coração que batia por outro. Aquela desolação na mesa lá fora não era cansaço; era o luto de um amor que ele, ironicamente, ajudara a destruir.
Ele não podia deixá-la ali, sofrendo por Taehyung. Se ela ficasse naquela mesa, ela pensaria nele a cada minuto. Ele precisava ser o novo centro de gravidade dela. Precisava que ela o olhasse, mesmo que fosse com ódio, para que o fantasma de Taehyung desaparecesse.
Namjoon abriu a porta de vidro com um estrondo desnecessário e caminhou até a mesa dela.
— Senhorita Min — ele disse, a voz cortante.
Karine demorou a reagir. Quando levantou o olhar, Namjoon sentiu um soco no estômago. Ela parecia uma sombra de si mesma.
— Sr. Kim… eu já estou indo para o arquivo.
— Esqueça o arquivo por hoje — ele disse, pegando a bolsa dela e o tablet sobre a mesa. — A ausência do Sr. Taehyung deixou um vácuo na coordenação de projetos urgentes. Como você é a única aqui que conhece o fluxo de trabalho dele, você vai assumir as funções de apoio direto à presidência.
Karine franziu o cenho, confusa.
— Mas eu sou arquiteta estagiária, não assistente de logística…
— Você será o que eu disser para você ser — ele a interrompeu, segurando o braço dela com uma firmeza que beirava a posse. — Você não vai trabalhar aqui fora, onde pode se distrair com mesas vazias e lembranças inúteis.
Ele a conduziu para dentro de seu escritório monumental.
— Aquela mesa ali — ele apontou para uma escrivaninha de vidro e carvalho negro que ficava exatamente de frente para a dele, separada apenas por alguns metros de tapete persa. — É onde você ficará. A partir de hoje, você trabalha sob meus olhos, dez horas por dia.
Karine olhou para a mesa, depois para Namjoon. Ela se sentiu encurralada.
— O senhor está me isolando — ela sussurrou, a voz carregada de mágoa.
— Estou te salvando da sua própria mediocridade emocional — Namjoon rebateu, voltando para sua cadeira e encarando-a com um olhar desafiador. — O Sr. Taehyung seguiu em frente com a vida dele. Sugiro que faça o mesmo. Agora, sente-se. Temos um império para gerenciar, e eu não tolero funcionários que choram por quem já os esqueceu.

O escritório da presidência tornou-se uma redoma de vidro e silêncio. As horas passavam marcadas apenas pelo som do ponteiro do relógio de parede e pelo clique suave do mouse de Karine. Ela trabalhava com uma postura rígida, a coluna reta como uma haste de ferro, mas Namjoon, que fingia ler relatórios, conseguia ver a verdade por trás da máscara: a cada poucos minutos, os ombros dela davam um leve solavanco, como se ela estivesse segurando um soluço que se recusava a sair.
A tristeza de Karine era silenciosa, e isso incomodava Namjoon mais do que qualquer grito ou reclamação.
Namjoon lutava uma batalha interna brutal. De um lado, o predador dentro dele rugia de satisfação; ele havia conseguido o que queria. Ela estava ali, a poucos metros de distância, respirando o mesmo ar, dependente das suas ordens, isolada de qualquer influência externa. O plano era perfeito.
Mas, do outro lado, havia algo incômodo, algo que pinicava sua consciência como uma farpa sob a pele. Ver Karine naquele estado — com o olhar perdido nas planilhas e a pele parecendo cada vez mais translúcida sob as luzes do escritório — causava nele um desconforto físico. Ele queria que ela fosse dele, sim, mas ele sentia falta da faísca de desafio nos olhos dela. A Karine que ele tinha agora era uma boneca de porcelana com o mecanismo quebrado.
“Eu deveria estar feliz. Era isso que eu queria, não era? Vê-la sem ninguém, vendo seu mundo desmoronar”, ele pensava, apertando a caneta com tanta força que os nós de seus dedos ficaram brancos.
Ele sentiu uma vontade súbita de levantar, caminhar até ela e dizer qualquer coisa — talvez uma ofensa, talvez uma ordem — apenas para fazê-la reagir. Mas ele se conteve. Mostrar que o estado dela o afetava seria admitir que ela tinha poder sobre ele.
O horário de almoço chegou. Namjoon levantou-se, vestiu o paletó e parou diante da mesa dela.
— Senhorita Min, o intervalo de almoço começou. Vá comer — ele ordenou, com a voz habitual de comando.
Karine nem sequer levantou a cabeça. Seus dedos continuaram movendo-se pelo teclado, organizando os dados de logística que Taehyung deixara para trás.
— Não estou com fome, Sr. Kim. Prefiro adiantar o inventário — a voz dela era monótona, quase mecânica.
Namjoon estreitou os olhos. Ele saiu da sala sem dizer mais nada, a irritação crescendo a cada passo. Ele caminhou pelo átrio da empresa, mas a imagem dela ali, definhando por causa de outro homem, o perseguia.
Quarenta minutos depois, a porta da presidência se abriu novamente. Namjoon entrou carregando uma sacola de papel de um restaurante sofisticado, cujo aroma de carne grelhada e temperos frescos invadiu instantaneamente o ambiente estéril do escritório.
Ele caminhou até a mesa de Karine e depositou a sacola com um baque seco sobre os papéis dela.
Karine finalmente parou o que estava fazendo e olhou para a sacola, confusa.
— O que é isso?
— Eu comprei isso para levar para casa, mas surgiu um imprevisto — Namjoon disse, a voz ríspida, enquanto evitava o contato visual direto. Ele caminhou até sua própria mesa, fingindo procurar algo em suas gavetas. — Terei que jantar fora com investidores mais tarde, e detesto desperdiçar comida de qualidade. Coma isso. Não quero que você desmaie sobre meus documentos e atrase o cronograma.
Karine olhou para a sacola de papel pardo, sentindo o calor emanando das embalagens. O aroma de carne grelhada e especiarias era tão intenso que, por um segundo, seu estômago reagiu com uma pontada de fome que ela vinha tentando ignorar desde a madrugada. Ela observou os logotipos do restaurante e as porções generosas; parecia um banquete completo, estranhamente familiar ao seu paladar.
— Sr. Kim… — ela sussurrou, a voz ainda rouca pela falta de uso. — O senhor não precisava se preocupar. Eu poderia ter esperado até o jantar.
Namjoon, que já estava de costas caminhando em direção à sua mesa, parou por um segundo. Seus ombros ficaram rígidos sob o tecido impecável do paletó. Ele se virou lentamente, a expressão gélida e os olhos afiados, escondendo qualquer rastro do tumulto que sentira ao vê-la definhar na cadeira ao lado.
— Não confunda gestão com preocupação, Senhorita Min — ele respondeu, a voz saindo cortante. — Como eu disse, surgiu um imprevisto e terei que jantar fora com os acionistas. Seria um desperdício jogar fora algo que já está pago. E, no momento, você é um recurso debilitado que precisa de sustento para ser útil. Não quero que você desmaie sobre meus documentos e atrase o cronograma. Coma. É uma ordem direta da presidência.
Karine baixou o olhar, sentindo-se pequena sob a autoridade dele. Ela não desconfiou da desculpa; para ela, Namjoon era exatamente aquele tipo de homem: alguém que via tudo, inclusive as pessoas, como números e recursos que não podiam ser desperdiçados.
— Obrigada, senhor. Sinto muito pelo transtorno — ela murmurou, abrindo a sacola com movimentos lentos.
O calor do alimento pareceu aquecer suas mãos frias conforme ela pegava os hashis. Enquanto Karine dava a primeira garfada, sentindo o sabor reconfortante que por um breve instante aliviou o aperto em seu peito, Namjoon voltou a sentar-se em sua poltrona. Ele pegou uma pasta de couro e a ergueu, escondendo o rosto atrás dos documentos.
Por trás do papel, ele soltou um suspiro imperceptível. Seus olhos não liam uma única palavra do relatório; eles estavam fixos na silhueta dela através da fresta da pasta. Ele a observava comer com uma vigilância quase possessiva, sentindo uma satisfação sombria e distorcida.
AtÉ que não seria tão ruim ficar frente a frente com o monumento desse
Aí já é doentio
Bom procura um médico
Ta começando a ruir essa máscara de homem cruel
Mas é um mentiroso puta merda.. ele enfiou ela dentro da sala dele e ainda comprou o almoço
Kkkkkkk socorro ele se sentindo um corno traído kkkkkkkk
Aaah caraleo tinha um espião puta merda
Aaaain eu amo um marrento (ღ˘⌣˘ღ)
E eu tenho (˘⌣˘)
Eu acho q nem vc sabe oq vc quer
Gosteeei (ó o ranço passando)
Isso Nam, vem dominar meus pensamentos
Passada, isso não é crime não ? Kkkkk
Mds to no BBB
[quote]— Não confunda gestão com preocupação, Senhorita Min — ele respondeu, a voz saindo cortante. — Como eu disse, surgiu um imprevisto e terei que jantar fora com os acionistas. Seria um desperdício jogar fora algo que já está pago. E, no momento, você é um recurso debilitado que precisa de sustento para ser útil. Não quero que você desmaie sobre meus documentos e atrase o cronograma. Coma. É uma ordem direta da presidência.
Sempre dando os coices dele, aff
[quote]— Aquela mesa ali — ele apontou para uma escrivaninha de vidro e carvalho negro que ficava exatamente de frente para a dele, separada apenas por alguns metros de tapete persa. — É onde você ficará. A partir de hoje, você trabalha sob meus olhos, dez horas por dia.
Looouuco, ele é completamente louco
[quote]— Houve contato físico. Houve choro por parte de ambos. O alvo 02 saiu com aparência de perturbação. Pelas leituras de áudio captadas perto da porta antes de ela ser trancada, o alvo 01 declarou sentimentos românticos. O alvo 02 correspondeu verbalmente, mas citou a partida como um impedimento para o relacionamento.
Puta que pariuuuu, o zelador entregou foi tuuuudo
[quote]“Por que tanto drama por causa de um amigo?”, ele pensou, sentindo uma pontada de algo que se recusava a chamar de ciúme. “Eles são melhores amigos e um funcionário que foi promovido. Ela deveria estar orgulhosa, não de luto.”
Quando ele ficar sabendo o que aconteceu, a casa cai