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O burburinho do ateliê de alta costura era um contraste vibrante com o silêncio estéril do 55º andar da Kim Global. Araras repletas de seda, tule e organza cercavam Karine e Jennie, enquanto o aroma de chá de jasmim e tecidos novos preenchia o ar. A formatura em Arquitetura e Urbanismo não era apenas um diploma; para Karine, era o marco final de uma jornada de sobrevivência.

Jennie estava parada diante de um espelho de corpo inteiro, ajustando um vestido de cetim champanhe que abraçava suas curvas com perfeição. Karine, por outro lado, segurava um cabide com um vestido longo, de um azul-meia-noite profundo, com as costas abertas e um corte que exalava uma elegância madura e quase perigosa.

— Amiga, esse azul vai destacar sua pele de um jeito que qualquer homem vai esquecer até o próprio nome — Jennie brincou, virando-se para observar Karine. Mas logo seu semblante suavizou. — Falando em esquecer… o Tae deu sinal de vida de Tóquio hoje?

O corpo de Karine ficou rígido por um segundo antes de relaxar em uma indiferença forçada. Ela pendurou o vestido na arara com cuidado excessivo.

— Ele mandou algumas mensagens na primeira semana. Coisas curtas… “cheguei bem”, “o fuso horário é difícil”, esse tipo de coisa — Karine deu um sorriso amargo, sentindo o peso do celular na bolsa. — Mas depois disso? Nada. Ele está sempre “ocupado”.

Ela caminhou até o banco de veludo e sentou-se, cruzando as pernas.

— E para ser sincera, Jen, eu parei de tentar. Vi uma foto no Instagram da Ji-a ontem. Eles estavam em um restaurante em Roppongi, abraçados, rindo como se fossem o casal do ano. Foi aí que eu decidi: chega de mandar mensagens sozinha. Chega de ser a pessoa que espera.

Jennie bufou, indignada, jogando o cabelo para trás.

— O quê? A Ji-a? Aquela cobra que tentou sabotar o seu projeto no segundo semestre? Ele só pode estar brincando!

— Não importa mais — Karine disse, levantando-se com uma nova energia, uma frieza que ela havia aprendido diretamente com o homem que agora era seu chefe. — Sabe de uma coisa? Está ótimo assim. Eu não quero saber de namorados que não sabem o que querem, nem de melhores amigos que me deixaram de canto no momento que eu mais precisei. Eu estou focada no meu trabalho, na minha carreira e nessa formatura. Vamos ficar gostosas, brilhar naquela festa e deixar o passado onde ele pertence: no lixo.

Jennie sorriu, mas havia um brilho travesso em seus olhos. Ela se aproximou de Karine e colocou as mãos em seus ombros.

— Adoro essa versão “CEO impiedosa” que você está incorporando. Mas… você vai levar alguém para o baile, não vai?

Karine franziu o cenho, genuinamente confusa.

— Como assim levar alguém? Não vamos juntas? Nós combinamos isso no primeiro ano, Jen!

Jennie soltou um suspiro dramático e revirou os olhos.

— Karine, meu amor, acorda para a vida! Você passa tanto tempo naquela empresa que esqueceu que o mundo continua girando. Eu estou com o Jimin, esqueceu? — Jennie deu um pulinho de empolgação. — Ele já comprou a gravata combinando com o meu vestido! Eu não posso te deixar sobrando na mesa enquanto eu danço. Você nem tem mais vida social, só vê o seu chefe e plantas de concreto.

— Eu não me importo de ficar na mesa — Karine retrucou, sentindo o cansaço do trabalho começar a pesar. — Eu bebo meu champagne, tiro fotos com os professores e vou embora cedo.

— De jeito nenhum! — Jennie pegou o celular da bolsa com uma velocidade impressionante. — Que tal um encontro às cegas? O Jimin tem um primo que acabou de voltar de Londres, ele é médico, lindo e…

— Não! — Karine cortou imediatamente. — Jennie, por favor. Encontro às cegas? Isso é receita para um desastre cinematográfico. Eu não tenho paciência para conhecer a história de vida de um estranho enquanto tento não bocejar.

Jennie não se deu por vencida. Ela começou a digitar freneticamente enquanto falava.

— Amiga, é só por uma noite! Pelo menos na formatura, para você não entrar lá sozinha e ver o povo da faculdade cochichando que você não tem companhia. Você precisa de um braço para segurar enquanto desce aquela escada. Só um acompanhante. Sem compromisso, sem drama.

Karine olhou para o próprio reflexo. Ela via uma mulher poderosa, mas havia uma solidão ali que ela não gostava de admitir. A ideia de entrar no baile e sentir todos os olhares de pena por estar sem o seu inseparável trio a incomodava mais do que a ideia de um estranho.

— Tudo bem, Jennie! — Karine cedeu, levantando as mãos em sinal de rendição. — Mas com uma condição: se ele for um idiota ou se começar a falar de medicina no meio do jantar, eu vou embora e deixo a conta para você.

— Fechado! — Jennie gritou, pulando no pescoço da amiga. — Jimin! — ela gritou para o celular, já gravando um áudio. — Pode avisar o Minho! A Karine aceitou! Diz para ele que ela é a arquiteta mais gata de Seul e que ele precisa estar impecável!

As duas riram, e por um momento, a leveza da amizade antiga voltou. Elas continuaram experimentando vestidos, discutindo sobre sapatos e maquiagem por mais uma hora. Jennie estava em êxtase, planejando cada detalhe do “encontro perfeito”.

De repente, o celular de Karine vibrou no balcão. Não era uma notificação de rede social. Era um e-mail de alta prioridade com o assunto: “Revisão Estrutural: Busan — Urgente”.

O sorriso de Karine desapareceu instantaneamente, substituído pela máscara profissional que ela usava na Kim Global.

— Eu preciso ir — Karine disse, já pegando suas coisas. — O Sr. Kim quer os ajustes finais do projeto de Busan na mesa dele em trinta minutos.

— Mas ainda é cedo! — Jennie reclamou. — Nós nem vimos os sapatos!

— Ele não espera, Jen. E você sabe como ele fica quando o cronograma sofre um desvio de milímetros — Karine calçou seus scarpins pretos e ajeitou o blazer sobre os ombros. — Me mande os detalhes do tal Minho por mensagem. Eu vejo quando sair da empresa… se eu sair hoje.

— Tchau, viciada em trabalho! — Jennie acenou, já voltando a olhar fotos de smokings para o namorado.

Karine saiu do ateliê e sentiu o ar frio da tarde. Enquanto caminhava em direção ao metrô, sua mente já estava cruzando dados, calculando vigas e colunas.

Ao entrar na sala, ela encontrou Namjoon exatamente onde o deixara: mergulhado em papéis, mas com o olhar fixo na porta no momento em que ela entrou.

— Você está quatro minutos atrasada, Senhorita Min — ele disse, sem olhar para o relógio, mas havia uma curiosidade oculta em seus olhos ao notar que o cabelo dela estava levemente desalinhado pelo vento.

— Sinto muito, senhor. O trânsito estava difícil — ela mentiu, sentando-se em sua mesa e abrindo o projeto.

Namjoon não respondeu, mas permaneceu observando-a por alguns segundos a mais do que o estritamente profissional. Ele sentia o cheiro do perfume de flores que ela trouxera do ateliê, um contraste suave com o cheiro de couro e café do escritório. Ele sabia que algo estava mudando, e o fato de não saber exatamente o que era o deixava mais inquieto do que qualquer erro estrutural.

A formatura estava chegando, e com ela, uma tempestade que nenhum dos dois estava preparado para enfrentar.

11 Comentários

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  1. Thamiris
    May 18, '26 at 12:28 am

    — O quê? A Ji-a? Aquela cobra que tentou sabotar o seu projeto no segundo semestre? Ele só pode estar brincando!

    Nem sempre, mais sempre uma Ji-a

  2. Iasmine
    May 17, '26 at 9:00 pm

    A formatura estava chegando, e com ela, uma tempestade que nenhum dos dois estava preparado para enfrentar.

    Tempestade? Que isso escritora?

  3. Iasmine
    May 17, '26 at 9:00 pm

    — Tudo bem, Jennie! — Karine cedeu, levantando as mãos em sinal de rendição. — Mas com uma condição: se ele for um idiota ou se começar a falar de medicina no meio do jantar, eu vou embora e deixo a conta para você.

    Meu deus namjoon aprova isso?

  4. Iasmine
    May 17, '26 at 8:59 pm

    — E para ser sincera, Jen, eu parei de tentar. Vi uma foto no Instagram da Ji-a ontem. Eles estavam em um restaurante em Roppongi, abraçados, rindo como se fossem o casal do ano. Foi aí que eu decidi: chega de mandar mensagens sozinha. Chega de ser a pessoa que espera.

    Mas ja ta de gracinha com outra? Que cachorro

  5. Iasmine
    May 17, '26 at 8:59 pm

    — Amiga, esse azul vai destacar sua pele de um jeito que qualquer homem vai esquecer até o próprio nome — Jennie brincou, virando-se para observar Karine. Mas logo seu semblante suavizou. — Falando em esquecer… o Tae deu sinal de vida de Tóquio hoje?

    Ja ate sei o homem que vai enlouquecer com isso

  6. Karine
    Apr 27, '26 at 10:46 pm

    A formatura estava chegando, e com ela, uma tempestade que nenhum dos dois estava preparado para enfrentar.

    Lá vem

  7. Karine
    Apr 27, '26 at 10:43 pm

    — De jeito nenhum! — Jennie pegou o celular da bolsa com uma velocidade impressionante. — Que tal um encontro às cegas? O Jimin tem um primo que acabou de voltar de Londres, ele é médico, lindo e…

    Fala que é o JK por favorzinho kkkkkkk

  8. Marcela
    Apr 27, '26 at 2:27 am

    [quote]Namjoon não respondeu, mas permaneceu observando-a por alguns segundos a mais do que o estritamente profissional. Ele sentia o cheiro do perfume de flores que ela trouxera do ateliê, um contraste suave com o cheiro de couro e café do escritório. Ele sabia que algo estava mudando, e o fato de não saber exatamente o que era o deixava mais inquieto do que qualquer erro estrutural.

    O braço direito pulou fora, AGR ele vai ficar na curiosidade pra saber o que tá acontecendo. Acho é bom

  9. Marcela
    Apr 27, '26 at 2:26 am

    [quote]— Você está quatro minutos atrasada, Senhorita Min — ele disse, sem olhar para o relógio, mas havia uma curiosidade oculta em seus olhos ao notar que o cabelo dela estava levemente desalinhado pelo vento.

    Só queria ter a paz de espírito dessa mulher kkkkkk

  10. Marcela.
    Apr 27, '26 at 2:23 am

    [quote]— Karine, meu amor, acorda para a vida! Você passa tanto tempo naquela empresa que esqueceu que o mundo continua girando. Eu estou com o Jimin, esqueceu? — Jennie deu um pulinho de empolgação. — Ele já comprou a gravata combinando com o meu vestido! Eu não posso te deixar sobrando na mesa enquanto eu danço. Você nem tem mais vida social, só vê o seu chefe e plantas de concreto.

    Vai atrás de um boy novooo mulher, deixa d ser besta

  11. Marcela
    Apr 27, '26 at 2:19 am

    [quote]— Não importa mais — Karine disse, levantando-se com uma nova energia, uma frieza que ela havia aprendido diretamente com o homem que agora era seu chefe. — Sabe de uma coisa? Está ótimo assim. Eu não quero saber de namorados que não sabem o que querem, nem de melhores amigos que me deixaram de canto no momento que eu mais precisei. Eu estou focada no meu trabalho, na minha carreira e nessa formatura. Vamos ficar gostosas, brilhar naquela festa e deixar o passado onde ele pertence: no lixo.

    Ficar gostosa, e ricaaaaaa
    Entendedores entenderão kkkkkkkk

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