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O campus da faculdade de Arquitetura estava imerso no movimento típico das primeiras horas da manhã. Alunos corriam com tubos de projetos debaixo do braço, o cheiro de café barato dos quiosques se misturava ao ar fresco e o burburinho sobre as entregas finais ecoava pelos corredores de concreto exposto.

Karine caminhava a passos lentos, sentindo o peso físico daquela madrugada vibrar em cada músculo. Seu cabelo, habitualmente preso em um coque despojado e meio desalinhado com alguns fios soltos moldando o rosto, parecia ainda mais rebelde hoje — um reflexo direto dos dedos longos e firmes de Namjoon que o haviam desfeito tantas vezes poucas horas antes. Ela tentava ajustar a gola da blusa, mas a brisa da manhã parecia teimar em expor sua pele.

— Karine! Pelo amor de Deus, Karine!

Uma voz familiar e estridente cortou o pátio. Jennie, sua colega de quarto e confidente de todos os perrengues, vinha correndo em sua direção, os olhos arregalados de preocupação. Ela segurava dois copos de plástico e quase atropelou um calouro antes de parar abruptamente na frente de Karine.

— Você está viva! — Jennie exclamou, tateando o ombro de Karine como se checasse se ela era real. — Eu liguei pro seu celular três vezes ontem à noite! Você nunca, em cinco anos de curso, sumiu de um plantão de maquete sem avisar, nunca deixou de voltar pro nosso dormitório. Eu achei que o seu chefe psicopata tinha finalmente te demitido e jogado seu corpo no rio Han! Onde você passou a noite?

Karine sentiu as bochechas esquentarem imediatamente. Ela tentou manter a postura profissional que vinha lapidando na Kim Global, mas a presença vibrante de Jennie tornava tudo mais difícil de esconder.

— Calma, Jennie. Eu estava na empresa… nós tivemos um problema com as treliças de compensação do projeto de Busan e eu precisei virar a noite calculando. Eu avisei que seria puxado — Karine justificou, a voz um pouco mais rouca que o normal, tentando desviar do assunto enquanto pegava um dos copos de café que a amiga oferecia.

— Virar a noite trabalhando eu entendo, nós fazemos isso toda semana na véspera de entrega. Mas você não atendeu o telefone, Karine! E você está com uma cara de quem… sei lá, parece que um caminhão passou por cima de você, mas um caminhão muito chique, porque você está brilhando — Jennie semicerrou os olhos, analisando a amiga de cima a baixo. — E que voz é essa? Bebeu água de ar-condicionado?

— Foi só o cansaço… e o ar da sala de reuniões — Karine tentou dar um gole no café, mas o movimento de inclinar a cabeça para trás traiu sua defesa.

A gola da blusa de seda, ligeiramente folgada após ter os botões abertos e fechados às pressas na madrugada, cedeu para o lado esquerdo. Sob a luz clara do sol da manhã, a marca era impossível de ignorar: uma mancha arroxeada, profunda e desenhada com precisão cirúrgica, bem na curva entre o pescoço e o ombro. Logo abaixo, o início de outro sinal avermelhado subia pela clavícula.

Jennie travou no meio do pátio. Os olhos dela fixaram-se no pescoço de Karine, e o copo de café em sua mão balançou perigosamente.

— Karine… — o tom de Jennie mudou de brincalhão para um choque absoluto. Ela deu um passo à frente, puxando a gola da blusa da amiga sem a menor cerimônia. — Que porra é essa no seu pescoço?

— Jennie, para! Estamos no meio do pátio! — Karine sibilou, puxando o tecido de volta e cobrindo a pele com as mãos, olhando ao redor para garantir que nenhum professor ou colega de classe estivesse prestando atenção.

— Não mude de assunto! Isso é um chupão. E não é um chupão qualquer, isso aí foi feito com vontade. Você passou a noite em claro… e não foi calculando estrutura de madeira — Jennie sussurrou, a voz trêmula de empolgação e descrença. Ela puxou Karine pelo braço, arrastando-a para o canto mais isolado atrás dos pilares do bloco de projetos. — Quem foi? Onde você conheceu alguém ontem à noite se você estava trancada naquela empresa maldita? Espera… você saiu com algum engenheiro da obra? Algum cliente? Karine, me conta agora!

Karine encostou as costas no pilar de concreto, sentindo que não conseguiria sustentar aquela mentira por muito tempo. Jennie a conhecia bem demais, afinal, dividiam a rotina e a bagunça do dormitório todos os dias. Além disso, o segredo estava queimando tanto dentro de si que explodir com a verdade parecia a única forma de torná-la real.

— Eu não saí da empresa, Jennie — Karine disse, a voz baixa, quase um fio.

— Como assim não saiu? Você levou alguém para o escritório? Na Kim Corp? Você enlouqueceu? Se o Sr. Kim descobre que você usou o sofá da presidência para…

— Não foi com um estranho, Jennie — Karine a interrompeu, fechando os olhos por um segundo enquanto a imagem de Namjoon a virando de bruços na mesa de carvalho inundava sua mente. — Eu transei com o meu chefe.

O silêncio que se seguiu entre as duas foi tão denso quanto o da sala de reuniões. Jennie piscou uma, duas, três vezes. A boca dela se abriu, mas nenhum som saiu por alguns segundos. A mente da estudante processou a informação no limite do inacreditável.

— Você… o quê? — Jennie finalmente conseguiu articular, a voz subindo uma oitava, fazendo Karine tapar a boca da amiga com a mão.

— Cala a boca! — Karine implorou, soltando-a em seguida. — Sim. Foi com ele. Com o Namjoon.

Jennie deu um passo para trás, as mãos cobrindo as próprias bochechas em um gesto de puro pânico dramático.

— O carrasco? O monstro de platina? O homem que te fez chorar na primeira semana de estágio porque a espessura da linha do seu CAD estava errada? O CEO que olha para os seres humanos como se fossem formigas operárias? Aquele Kim Namjoon? — Jennie disparou as perguntas em uma sequência metralhada, os olhos quase saltando da órbita. — Karine, você tem certeza de que não bateu a cabeça em nenhuma viga? Você transou com o homem que parecia querer a sua cabeça em uma bandeja? O seu maior carrasco!

— Ele não me odeia, Jennie… ou pelo menos, não mais — Karine explicou, cruzando os braços, tentando proteger a si mesma da enxurrada de perguntas, embora um sorriso contido e involuntário ameaasse surgir em seus lábios. — Houve… um mal-entendido gigante do passado. Algo envolvendo a minha família, a Ji-a e o acidente dele de cinco anos atrás. Ele achava que eu era a pessoa que tinha feito mal a ele. Mas ontem à noite, depois que o projeto finalmente deu certo, tudo veio à tona. A discussão saiu do controle, o café caiu e… uma coisa levou a outra.

Jennie continuava paralisada, processando a informação com as mãos na cintura.

— Uma coisa levou a outra? Karine, você está com o pescoço marcado como se tivesse sido atacada por um predador! Olhe para o seu cabelo, olhe para a sua postura! Você não parece a estagiária assustada, você parece… a dona da porra toda. Ele foi agressivo? Ele te tratou mal? Porque se aquele ogro se aproveitou de você…

— Não! Não, pelo contrário — Karine a cortou rapidamente, a urgência em defender Namjoon surpreendendo a si mesma. — Ele foi… intenso. Extremamente possessivo. Mas ele me deu a escolha até o último segundo. Ele limpou a mesa de reuniões, Jennie. Jogou os notebooks, las plantas de Busan, tudo no chão… só para me colocar ali.

Jennie soltou um suspiro audível, o choque inicial se transformando na mais pura fofoca de alta qualidade.

— Ele limpou a mesa? O homem que tem TOC com organização jogou os computadores de milhões de wons no chão por você? — Jennie cobriu a boca, um sorriso malicioso surgindo. — Meu Deus do Céu. E como foi?

Karine sentiu o rosto queimar ainda mais, lembrando-se da calosidade dos dedos de Namjoon em suas coxas e da forma implacável como ele ditara o ritmo daquela madrugada.

— Ele sabe. Ele sabe exatamente o que faz — Karine murmurou, desviando o olhar, sentindo o celular vibrar no bolso da calça mais uma vez, um lembrete silencioso de que o dono daquela marca no seu pescoço ainda estava monitorando seus passos. — Ele me pediu para ir para a casa dele, Jennie. Ele disse que queria me ter em uma cama e não em uma mesa de carvalho. Mas eu tive medo. Eu precisava vir para a faculdade, precisava respirar um pouco. Foi tudo rápido demais.

Jennie segurou os ombros de Karine, a expressão agora misturando seriedade e um apoio profundo.

— Amiga, você acabou de humanizar o homem mais temido do mundo corporativo de Seul. Mas cuidado. Você sabe o peso do seu sobrenome e o que a sua família pode fazer se descobrir isso?

— Eu sei — Karine suspirou, olhando para o celular e vendo a barra de notificações. — Eu sei o risco. Mas quando ele me olhou daquele jeito… eu esqueci quem eu era. Eu só queria ser dele.

— E pelo visto, você foi — Jennie deu uma piscadela, apontando novamente para o pescoço de Karine. — Agora, vai no banheiro da coordenação e passa um corretivo bem pesado nisso aí antes que o Diretor do curso ache que você foi atacada por um vampiro no campus. Nós temos aula de Planejamento Urbano em dez minutos, e eu quero os detalhes geométricos dessa sua madrugada de “cálculos”, ouviu?

Karine riu, sentindo a tensão aliviar um pouco. Jennie a empurrou de leve em direção ao bloco principal. Enquanto caminhava, Karine levou os dedos até o pescoço, tocando a marca de Namjoon. A realidade do dia estava apenas começando, mas ela sabia que nenhuma aula ou projeto arquitetônico seria capaz de apagar o calor da estrutura que eles haviam construído na escuridão daquela mesa de reuniões.

19 Comentários

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  1. Anne
    May 15, '26 at 11:47 pm

    Ela vai lembrar com gosto do que aconteceu ali

  2. Anne
    May 15, '26 at 11:48 pm

    Amei a Jennie chocada

  3. Marcela
    May 16, '26 at 12:34 am

    [quote]— Você está viva! — Jennie exclamou, tateando o ombro de Karine como se checasse se ela era real. — Eu liguei pro seu celular três vezes ontem à noite! Você nunca, em cinco anos de curso, sumiu de um plantão de maquete sem avisar, nunca deixou de voltar pro nosso dormitório. Eu achei que o seu chefe psicopata tinha finalmente te demitido e jogado seu corpo no rio Han! Onde você passou a noite?

    Ela tava era no treinamento.
    ( Usando bem o corpo)

  4. Marcela
    May 16, '26 at 12:35 am

    [quote]— Calma, Jennie. Eu estava na empresa… nós tivemos um problema com as treliças de compensação do projeto de Busan e eu precisei virar a noite calculando. Eu avisei que seria puxado — Karine justificou, a voz um pouco mais rouca que o normal, tentando desviar do assunto enquanto pegava um dos copos de café que a amiga oferecia.

    Ô, bote puxado nisso
    O chefe puxou bem

  5. Marcela
    May 16, '26 at 12:40 am

    [quote]— Karine… — o tom de Jennie mudou de brincalhão para um choque absoluto. Ela deu um passo à frente, puxando a gola da blusa da amiga sem a menor cerimônia. — Que porra é essa no seu pescoço?

    Foi a muriçoca Jennie.
    Passou a noite toda picando a coitada, poxaaa

  6. Marcela
    May 16, '26 at 12:44 am

    [quote]— Ele não me odeia, Jennie… ou pelo menos, não mais — Karine explicou, cruzando os braços, tentando proteger a si mesma da enxurrada de perguntas, embora um sorriso contido e involuntário ameaasse surgir em seus lábios. — Houve… um mal-entendido gigante do passado. Algo envolvendo a minha família, a Ji-a e o acidente dele de cinco anos atrás. Ele achava que eu era a pessoa que tinha feito mal a ele. Mas ontem à noite, depois que o projeto finalmente deu certo, tudo veio à tona. A discussão saiu do controle, o café caiu e… uma coisa levou a outra.

    E ela acabou caindo em cima dele
    Assim, do nadaaa

  7. Karine
    May 16, '26 at 2:55 am

    Karine caminhava a passos lentos, sentindo o peso físico daquela madrugada vibrar em cada músculo. Seu cabelo, habitualmente preso em um coque despojado e meio desalinhado com alguns fios soltos moldando o rosto, parecia ainda mais rebelde hoje — um reflexo direto dos dedos longos e firmes de Namjoon que o haviam desfeito tantas vezes poucas horas antes. Ela tentava ajustar a gola da blusa, mas a brisa da manhã parecia teimar em expor sua pele.

    Vc jamais vai esquecer esse homem kkk

  8. Karine
    May 16, '26 at 2:57 am

    — Foi só o cansaço… e o ar da sala de reuniões — Karine tentou dar um gole no café, mas o movimento de inclinar a cabeça para trás traiu sua defesa.

    Sim, faz mal mesmo ficar pelada no ar condicionado kkk

  9. Karine
    May 16, '26 at 2:58 am

    — Karine… — o tom de Jennie mudou de brincalhão para um choque absoluto. Ela deu um passo à frente, puxando a gola da blusa da amiga sem a menor cerimônia. — Que porra é essa no seu pescoço?

    Como diria o Nam: machuquei em um aparelho na academia

  10. Karine
    May 16, '26 at 3:00 am

    — O carrasco? O monstro de platina? O homem que te fez chorar na primeira semana de estágio porque a espessura da linha do seu CAD estava errada? O CEO que olha para os seres humanos como se fossem formigas operárias? Aquele Kim Namjoon? — Jennie disparou as perguntas em uma sequência metralhada, os olhos quase saltando da órbita. — Karine, você tem certeza de que não bateu a cabeça em nenhuma viga? Você transou com o homem que parecia querer a sua cabeça em uma bandeja? O seu maior carrasco!

    Ele não quer mais só a minha cabeça, ele quer meu corpo todo rs

  11. Karine
    May 16, '26 at 3:05 am

    — Ele limpou a mesa? O homem que tem TOC com organização jogou os computadores de milhões de wons no chão por você? — Jennie cobriu a boca, um sorriso malicioso surgindo. — Meu Deus do Céu. E como foi?

    Kkkkkk curiosa

  12. Iasmine
    May 17, '26 at 11:32 pm

    — Você está viva! — Jennie exclamou, tateando o ombro de Karine como se checasse se ela era real. — Eu liguei pro seu celular três vezes ontem à noite! Você nunca, em cinco anos de curso, sumiu de um plantão de maquete sem avisar, nunca deixou de voltar pro nosso dormitório. Eu achei que o seu chefe psicopata tinha finalmente te demitido e jogado seu corpo no rio Han! Onde você passou a noite?

    Kkkkkkkkk a amiga desesperada

  13. Iasmine
    May 17, '26 at 11:32 pm

    — Não mude de assunto! Isso é um chupão. E não é um chupão qualquer, isso aí foi feito com vontade. Você passou a noite em claro… e não foi calculando estrutura de madeira — Jennie sussurrou, a voz trêmula de empolgação e descrença. Ela puxou Karine pelo braço, arrastando-a para o canto mais isolado atrás dos pilares do bloco de projetos. — Quem foi? Onde você conheceu alguém ontem à noite se você estava trancada naquela empresa maldita? Espera… você saiu com algum engenheiro da obra? Algum cliente? Karine, me conta agora!

    Kkkkkk o berro que eu dei.. a amiga incrédula

  14. Iasmine
    May 17, '26 at 11:33 pm

    — Ele limpou a mesa? O homem que tem TOC com organização jogou os computadores de milhões de wons no chão por você? — Jennie cobriu a boca, um sorriso malicioso surgindo. — Meu Deus do Céu. E como foi?

    Pois é menina, eu tbm fiquei besta

  15. Iasmine
    May 17, '26 at 11:33 pm

    — E pelo visto, você foi — Jennie deu uma piscadela, apontando novamente para o pescoço de Karine. — Agora, vai no banheiro da coordenação e passa um corretivo bem pesado nisso aí antes que o Diretor do curso ache que você foi atacada por um vampiro no campus. Nós temos aula de Planejamento Urbano em dez minutos, e eu quero os detalhes geométricos dessa sua madrugada de “cálculos”, ouviu?

    E como foi… e ainda vai ser mais kkkkkk

  16. Thamiris
    May 19, '26 at 10:06 am

    — Virar a noite trabalhando eu entendo, nós fazemos isso toda semana na véspera de entrega. Mas você não atendeu o telefone, Karine! E você está com uma cara de quem… sei lá, parece que um caminhão passou por cima de você, mas um caminhão muito chique, porque você está brilhando — Jennie semicerrou os olhos, analisando a amiga de cima a baixo. — E que voz é essa? Bebeu água de ar-condicionado?

    Minhas amigas tipo a jennie

  17. Thamiris
    May 19, '26 at 10:07 am

    — Não mude de assunto! Isso é um chupão. E não é um chupão qualquer, isso aí foi feito com vontade. Você passou a noite em claro… e não foi calculando estrutura de madeira — Jennie sussurrou, a voz trêmula de empolgação e descrença. Ela puxou Karine pelo braço, arrastando-a para o canto mais isolado atrás dos pilares do bloco de projetos. — Quem foi? Onde você conheceu alguém ontem à noite se você estava trancada naquela empresa maldita? Espera… você saiu com algum engenheiro da obra? Algum cliente? Karine, me conta agora!

    Tenta mais um chute

  18. Thamiris
    May 19, '26 at 10:10 am

    — Uma coisa levou a outra? Karine, você está com o pescoço marcado como se tivesse sido atacada por um predador! Olhe para o seu cabelo, olhe para a sua postura! Você não parece a estagiária assustada, você parece… a dona da porra toda. Ele foi agressivo? Ele te tratou mal? Porque se aquele ogro se aproveitou de você…

    Foi agressivo, mas não dá maneira ruim

  19. Thamiris
    May 19, '26 at 10:12 am

    — Eu sei — Karine suspirou, olhando para o celular e vendo a barra de notificações. — Eu sei o risco. Mas quando ele me olhou daquele jeito… eu esqueci quem eu era. Eu só queria ser dele.

    Eu tbm quero ser dele

Nota

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