Capítulo 35 – O Gosto de Hibisco e Mel
por FanfiqueiraDo alto do terraço do edifício comercial em obras localizado do outro lado da avenida, a silhueta de Kim Taehyung misturava-se à estrutura de aço e concreto inacabada. Vestindo um casaco escuro com o capuz puxado sobre os cabelos castanhos e óculos de proteção industrial pendurados no pescoço, ele parecia apenas mais um projetista inspecionando o canteiro.
Mas suas mãos seguravam um binóculo de alta precisão focal.
Lentes antirreflexo apontavam diretamente para a vidraça do estúdio de arquitetura do último semestre. Através do círculo de aproximação, ele a viu. Karine estava sentada, com os dedos longos envolvendo o copo térmico que Jennie havia acabado de entregar. Taehyung prendeu a respiração quando a viu dar o primeiro gole no chá de hibisco com limão e mel. Ele conhecia cada microexpressão daquele rosto. Viu a confusão tomar conta de suas feições, o leve vinco que se formou entre suas sobrancelhas ao reconhecer o sabor exato das madrugadas que haviam compartilhado no passado.
Ele abaixou o binóculo por um segundo, sentindo o peito apertar. O plano de fazê-la engolir aquela mentira de que ele estava feliz em Tóquio havia sido o maior sacrifício de sua vida, uma moeda de troca exigida por Ji-a e pelo poder de Namjoon para manter seus pais seguros. Mas agora, os pais estavam longe, protegidos sob céus europeus, e ele não precisava mais ser o peão de ninguém.
A poucos metros dali, no recuo do portão três, o celular de Jennie vibrou no bolso de sua calça. Ela atendeu no primeiro toque, olhando nervousnessamente para os lados.
— Eu já entreguei — Jennie sussurrou, a voz tensa. — Ela ficou desconfiada, Taehyung. Ela não é boba. Perguntou o tempo recorde que levei e a marca do doce. Tive que inventar que abriu uma loja nova na calçada de fora.
— Ela aceitou? — A voz de Taehyung veio através da linha, arrastada pelo vento do terraço, mas carregada de uma urgência genuína.
— Bebeu o chá. Mas ela está estranha hoje, Tae. Está murcha, cabisbaixa… veio da Kim Global com uma cara de quem foi atropelada por um caminhão. O que está acontecendo entre ela e o chefe?
Taehyung apertou o metal do binóculo com mais força. Ele olhou para a avenida e avistou, três quadras abaixo, o utilitário preto blindado da Kim Global cruzando o sinal vermelho com o giroflex apagado. O cerco de Namjoon estava se fechando mais rápido do que ele previra.
— Continue perto dela, Jennie. Não mude a sua rotina. Se o Namjoon tentar isolá-la ou tirá-la do campus antes de sexta-feira, você me avisa no mesmo segundo — Taehyung ordenou, a voz fria, assumindo uma postura de confronto que ele nunca imaginou ter. — O tempo dele de brincar de Deus com a vida da Karine acabou.
No início da tarde, a atmosfera no setor de arquitetura da Kim Global estava densa. Karine havia retornado ao seu posto físico — sua própria mesa, localizada no grande salão aberto dos projetistas, e não mais no casulo privado da sala da presidência onde passara as últimas setenta e duas horas. A divisória de vidro fosco que separava sua mesa dos demais funcionários parecia, agora, uma barreira intransponível de realidade.
Ela tentava se concentrar na plotagem dos memoriais de Busan, mas o som do telefone interno de sua mesa a fez dar um sobressalto.
— Senhorita Min — a voz da secretária executiva soou formal. — O presidente solicita sua presença na sala dele imediatamente.
Karine engoliu em seco, ajeitou a gola do blazer de alfaiataria que ainda usava e caminhou em direção ao elevador privativo. Suas mãos estavam frias. Quando cruzou o portal da presidência, a primeira coisa que notou foi a ausência do aparelho de telefone celular sobre a mesa de jacarandá; em seu lugar, havia apenas uma fina linha de poeira e um arranhão recente na parede texturizada de concreto atrás da cadeira.
Namjoon estava de pé, de costas para a porta. Ele havia retirado o paletó do terno cinza-chumbo, restando apenas o colete ajustado que marcava a largura impressionante de seus ombros. As mangas da camisa branca estavam dobradas até os antebraços, revelando as veias saltadas e a tensão contida em seus pulsos.
— Feche a porta, Karine — ele disse, sem se virar.
Ela obedeceu, o clique magnético ecoando como uma sentença de tribunal.
— O projeto de Busan já foi encaminhado para a prefeitura — ela começou, tentando usar o tom corporativo que ele mesmo havia exigido horas antes. — As assinaturas do comitê executivo foram recolhidas e…
— Esqueça o projeto por cinco minutos — Namjoon a cortou, virando-se lentamente.
A expressão no rosto dele fez o estômago de Karine dar um nó. Não havia resquício do “monstro de platina” frio da reunião de diretoria, mas também não havia o amante possessivo da cobertura. Havia um homem acuado, cujos olhos escuros oscilavam entre a obsessão e um pavor profundo que ele tentava mascarar com sua imponência física.
Namjoon caminhou até ela, parando a uma distância que permitia que ela sentisse o calor de seu corpo, mas ele não estendeu a mão para tocá-la. Ele a estudou, descendo o olhar pelo blazer, pela gola alta, tentando decifrar se a pureza com que ela o olhava na sexta-feira ainda estava ali.
— Se eu fui duro com você na sala de conferências… — ele começou, a voz barítona saindo mais rouca do que o normal, travando na garganta por um segundo. — Havia motivos de segurança que exigiam a minha atenção imediata. Você não deve levar para o lado pessoal.
— Motivos de segurança que fazem você me tratar como uma desconhecida após o fim de semana que tivemos? — Karine deu um passo à frente, a mágoa que guardara desde a manhã transbordando em seu tom de voz. — Você me mandou voltar para a minha mesa como se eu fosse um erro de cálculo que você precisava esconder dos diretores. Qual é o status disso aqui, Namjoon? O que nós somos quando a porta daquela cobertura se abre?
Namjoon fechou os olhos por um breve instante, as palavras dela golpeando exatamente na sua maior fraqueza. Ele queria puxá-la pela cintura, prensá-la contra a porta e lembrá-la de quem mandava em seu corpo, mas o fantasma da mensagem de Taehyung estava ali, destruindo seu discernimento. O medo de que ela simplesmente sumisse de sua vida se soubesse a verdade o paralisava. Ele não sabia como dizer que o passado que ele mesmo arquitetou estava batendo à porta.
Tentando desesperadamente sondar a reação dela, Namjoon recuou um passo, adotando uma postura analítica, mascarando seus sentimentos atrás de uma metáfora de negócios — a única linguagem em que ele se sentia seguro para negociar.
— Vamos fazer uma análise de gerenciamento de crise, Senhorita Min — ele disse, a voz subitamente formal, os olhos fixos nos dela, buscando qualquer sinal de hesitação. — Imagine que a Kim Global feche uma parceria de longo prazo com um fornecedor estratégico. Um contrato de exclusividade. Tudo corre perfeitamente, os resultados são impecáveis e a confiança mútua é estabelecida.
Karine franziu o cenho, completamente confusa com a mudança repentina de assunto.
— Do que você está falando?
— Apenas responda, é um exercício de conformidade corporativa — ele insistiu, a mandíbula travando. — Digamos que, meses depois do sucesso da operação, você descubra que, no início de tudo, muito antes de o contrato ser assinado, esse mesmo fornecedor utilizou meios… ortodoxos e obscuros para conseguir informações sobre a sua vida. Digamos que ele tenha subornado alguém próximo a você, alguém em quem você confiava no passado, apenas para mapear as suas fraquezas e garantir que você assinasse com ele.
Namjoon deu mais um passo na direção dela, a respiração curta, a intensidade de seu olhar quase sufocando o ambiente.
— Se você descobrisse que a fundação dessa parceria de sucesso foi construída em cima de uma transação financeira oculta desse tipo… você rasgaria o contrato e sumiria da empresa? Ou você pesaria o valor do que vocês construíram no presente e perdoaria o erro inicial do investidor?
Karine ficou estática. O silêncio na sala tornou-se tão pesado que o zumbido do ar-condicionado parecia ensurdecedor. Ela olhou para as mãos de Namjoon, que estavam ligeiramente trêmulas nas laterais do corpo, e depois para a profundidade sombria de seus olhos.
Havia algo de muito errado naquela analogia. A mente de Karine, sempre lógica, tentou conectar as peças: o objeto de cerâmica fosca na cobertura dele, a mudança drástica de humor na reunião de manhã, o lanche milagrosamente idêntico aos hábitos de Taehyung que Jennie trouxera no campus, e agora aquela sondagem bizarra disfarçada de caso de negócios.
— Namjoon… por que você está me perguntando isso com essa cara? — a voz dela diminuiu de volume, uma pontada de incerteza e desconfiança rastejando por sua espinha. — Isso não me parece um problema com fornecedores. Isso parece que você está tentando me contar algo que fez e não tem coragem de assumir.
O coração de Namjoon deu um solavanco violento contra as costelas. O pânico de que ela estivesse prestes a desvendar o jogo antes que ele pudesse interceptar Taehyung o fez recuar imediatamente para trás de sua mesa, acionando suas defesas mais frias.
— É apenas um estudo de caso sobre o Complexo de Busan, Senhorita Min. Quero testar a sua maturidade perante crises éticas no mercado — ele mentiu, a voz voltando a ser uma lâmina de gelo, embora por dentro ele estivesse desmoronando ao perceber que ela não daria uma resposta fácil. — Pode voltar para a sua mesa. Nós terminamos por hoje.
Karine permaneceu imóvel por alguns segundos, observando o homem que poucas horas atrás a possuía com uma paixão avassaladora transformar-se novamente em uma muralha intransponível de segredos. Sentindo o estômago revirar de incerteza, ela deu as costas e saiu da sala, deixando Kim Namjoon sozinho com os pedaços estraçalhados de seu controle espalhados pelo chão.
Não é atoa que ela é um genio
Mais é muito filho de uma égua mesmo
A coisa vai ficar feia pro lado do Nam
[quote]— É apenas um estudo de caso sobre o Complexo de Busan, Senhorita Min. Quero testar a sua maturidade perante crises éticas no mercado — ele mentiu, a voz voltando a ser uma lâmina de gelo, embora por dentro ele estivesse desmoronando ao perceber que ela não daria uma resposta fácil. — Pode voltar para a sua mesa. Nós terminamos por hoje.
Mentindo mais uma vez … A situação só piora
[quote]— Namjoon… por que você está me perguntando isso com essa cara? — a voz dela diminuiu de volume, uma pontada de incerteza e desconfiança rastejando por sua espinha. — Isso não me parece um problema com fornecedores. Isso parece que você está tentando me contar algo que fez e não tem coragem de assumir.
A mente dele trabalhou rápido, e já se ligou que algo não tá certo nesse babado
[quote]— Motivos de segurança que fazem você me tratar como uma desconhecida após o fim de semana que tivemos? — Karine deu um passo à frente, a mágoa que guardara desde a manhã transbordando em seu tom de voz. — Você me mandou voltar para a minha mesa como se eu fosse um erro de cálculo que você precisava esconder dos diretores. Qual é o status disso aqui, Namjoon? O que nós somos quando a porta daquela cobertura se abre?
Isso msm Karine, fica calada não
Perdeu a oportunidade de falar a verdade
Ela ja entendeu, mas vai continuar se fazendo de desentendida pq a verdade dói
Uhum segurança pra não descobrir sua farsa
Espero que tu consiga interver nesse role aí
Aaaaah Namjooon assim não dá, aí que dó de vcs
E os sentimentos ficam onde ?? 🙁
A visão do paraíso
Isso, lutem por mim kkkkk
Outro obcecado kkkk