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O mundo fora dos portões da mansão Min não perdoava fraquezas. Min Yoongi estava sentado no banco de trás de seu sedã blindado, cruzando o centro de Seul em direção a um galpão no porto de Incheon. O terno preto estava impecável, e a expressão em seu rosto era a de um carrasco, mas seus dedos batucavam impacientemente sobre o couro do banco.

Pela primeira vez em anos, ele não estava focado nos números.

O galpão cheirava a maresia e óleo diesel. Dois homens estavam amarrados a cadeiras no centro do local, cercados pelos seguranças de Yoongi. Eles haviam desviado uma carga de eletrônicos pesados que pertencia ao clã Min. Normalmente, Yoongi levaria apenas alguns minutos para decidir o destino deles — uma execução rápida ou uma tortura pedagógica.

Ele desceu do carro, o som de seus sapatos de grife batendo no concreto ecoando como sentenças de morte.

— Senhor, eles afirmam que não sabiam de quem era a carga — um de seus capitães informou.

Yoongi parou diante dos homens. Ele deveria estar ouvindo as súplicas, deveria estar analisando as falhas na segurança. Mas, em sua mente, a tela de 4K do refeitório continuava acesa. Ele via o rosto de S/N manchado de sopa, via o olhar vazio dela e o impacto da bandeja de metal contra o nariz de Elena.

— Senhor Min? — o capitão insistiu.

Yoongi piscou, voltando à realidade. O ódio que ele sentia por S/N ter invadido sua mente se transformou em uma violência súbita. Ele sacou a pistola do coldre de seu segurança mais próximo e, sem hesitar, desferiu uma coronhada brutal no rosto do homem amarrado. O som de osso quebrando foi o mesmo som da bandeja de S/N.

— Eu não pago vocês para me darem desculpas — Yoongi sibilou, mas ele não estava falando apenas para os traidores. Estava falando para o seu próprio reflexo. — Sumam com eles. Queimem tudo.

Enquanto seus homens cuidavam da “limpeza”, Yoongi caminhou até a beira do cais, acendendo um cigarro. A fumaça subiu, mas não conseguiu dissipar a imagem de S/N.

O que ela está fazendo agora? — a pergunta martelava seu crânio.

Ele sabia que ela estava queimada. Sabia que a sopa estava quente. Ele havia dado ordens para que ela fosse levada para uma cela de isolamento no Nível 2 como punição pela briga, mas não deu ordens sobre a enfermaria. Ele queria que ela sofresse, queria que ela sentisse o custo de ser rebelde.

Mas a ideia de outra pessoa tocando nela, ou pior, dela apodrecer em uma cela suja sem que ele pudesse observar seu rosto, o deixava possesso.

— Vamos voltar — ele ordenou, jogando o cigarro ainda aceso na água suja do porto.

— Mas senhor, ainda temos a reunião com os japoneses em trinta minutos…

Yoongi parou e olhou para o subordinado com um olhar tão letal que o homem deu um passo atrás.

— Reagende. Diga que tive um problema de segurança na base — ele mentiu com perfeição. — Agora.

Durante todo o trajeto de volta, ele não olhou para o celular. Ele não queria saber de negócios. Ele queria chegar e ver o estrago que ela havia causado — e o que ele causaria nela. Ele precisava reafirmar que ela era apenas uma dívida, um “buraco”, um troféu.

Ele precisava provar a si mesmo que o fato de ter gritado o nome dela durante o sexo com outra foi apenas um erro biológico, e não o início de uma queda da qual ele não conseguiria se levantar.

Quando o carro entrou pelos portões da mansão, Yoongi já estava desabotoando o paletó.

— Onde ela está? — ele perguntou a Hana assim que cruzou o hall, a voz carregada de uma urgência que ele tentava disfarçar como fúria.

— No isolamento do Nível 2, senhor. Como o senhor mandou. Ela… ela não permitiu que ninguém tocasse nela para limpar as queimaduras.

Um sorriso cruel e satisfeito surgiu no rosto de Yoongi.

— Ótimo. Traga o kit médico para o meu escritório. Vou mostrar a ela que só existe uma pessoa neste lugar autorizada a causar dor ou a curá-la.

O escritório de Yoongi estava mergulhado em um silêncio sepulcral quando as portas duplas se abriram. Dois seguranças empurraram S/N para dentro. Ela ainda usava o uniforme cinza, agora seco, mas endurecido pelo caldo da sopa. O cheiro de comida azeda e pele queimada a acompanhava.

Yoongi estava sentado atrás de sua mesa de carvalho, as mangas da camisa social dobradas até os cotovelos. Sobre a mesa, um kit de primeiros socorros de luxo estava aberto.

— Saiam — ele ordenou aos guardas, sem desviar os olhos dos papéis que fingia ler.

Quando ficaram sozinhos, o ar pareceu sumir do cômodo. S/N permaneceu de pé, os braços pendidos ao lado do corpo, os olhos fixos em um ponto qualquer no tapete persa. Ela não se moveu. Não pediu desculpas. Não implorou por remédios para a dor que latejava em seu pescoço e ombro.

— Aproxime-se — ele comandou.

Ela caminhou lentamente até parar diante dele. Yoongi levantou-se, contornando a mesa com a graça de um tubarão. Ele agarrou o colarinho do uniforme cinza dela e, com um puxão violento, rasgou o tecido para expor a queimadura. S/N nem sequer piscou.

A pele estava vermelha, com pequenas bolhas começando a se formar na curva do pescoço. Yoongi soltou um riso nasalado, desdenhoso.

— Olhe para você — ele começou, pegando um frasco de antisséptico e um pedaço de gaze. — A grande rebelde, reduzida a uma poça de sopa e sujeira. Você achou que acertar aquela bandeja faria de você uma heroína? No meu mundo, S/N, isso só faz de você um alvo mais divertido.

Ele pressionou a gaze embebida em álcool diretamente sobre a queimadura viva. A dor deveria ter feito qualquer pessoa gritar, mas S/N apenas fechou os olhos com força, mantendo os lábios selados. O silêncio dela o enfurecia mais do que qualquer grito.

— Reaja, porra! — ele sibilou, pressionando o curativo com mais força, de forma bruta, esfregando o tecido áspero contra a pele ferida. — Você é apenas uma dívida insolvente. Um objeto que quebrou o nariz de outra peça do meu inventário. Você tem noção do trabalho que me deu? Tive que cancelar reuniões para lidar com o seu lixo.

Ele largou a gaze e pegou uma pomada regeneradora, espalhando-a com os dedos, mas sem nenhuma delicadeza. Suas mãos eram firmes, quase possessivas, enquanto ele a humilhava.

— Você não é especial por ter sangrado na minha cama. Você não é especial por ter me beijado. Você é apenas a unidade que me dá mais estresse. Eu poderia te mandar para o Nível 4 agora mesmo, onde os homens da doca fariam fila para te ensinar o que é ser um “buraco”.

Ele inclinou o rosto, sussurrando contra o ouvido dela, enquanto seus dedos continuavam a apertar a pele queimada.

— Você fede a sopa barata e fracasso. Acha que o seu “teatrinho” de silêncio me atinge? Eu tenho dúzias como você. Amanhã, ninguém vai lembrar do seu nome. Você vai ser apenas a garota que tentou ser gente e acabou no isolamento.

Ele parou o movimento das mãos, segurando o rosto dela, forçando-a a olhar para ele. O rosto de S/N era uma máscara de mármore.

— Por que você não diz nada? — ele perguntou, a voz subindo de tom, a frustração transbordando. — Diga que me odeia. Diga que dói. Me dê algo, S/N!

Ela finalmente focou os olhos nos dele. Estavam vazios. Mortos.

— Você já disse tudo, senhor Min — ela respondeu, a voz rouca e baixa. — Eu sou apenas uma dívida. E dívidas não falam. Elas apenas são pagas.

Yoongi sentiu um impacto no peito que não soube explicar. Ele a soltou bruscamente, como se ela o tivesse queimado. Ele deu um passo atrás, ajeitando a camisa, tentando recuperar a compostura de mestre que ela acabara de desmantelar com apenas uma frase.

— Saia da minha frente — ele rosnou, voltando para sua cadeira. — Hana vai te levar para uma cela individual no Nível 1. Não porque você merece, mas porque não quero o cheiro de queimado infestando o meu refeitório.

S/N deu meia volta e saiu, a postura ereta, mesmo que cada passo fizesse a pele arder sob a pomada que ele aplicara com tanto ódio.

Yoongi ficou sozinho, olhando para as mãos sujas de remédio e do sangue da ferida dela. Ele queria odiá-la. Ele precisava odiá-la. Mas o silêncio dela ecoava em sua mente mais alto do que qualquer grito que ele já tivesse ouvido.

21 Comentários

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  1. Anne
    Feb 2, '26 at 4:14 pm

    — Você já disse tudo, senhor Min — ela respondeu, a voz rouca e baixa. — Eu sou apenas uma dívida. E dívidas não falam. Elas apenas são pagas.

    Ela usou basicamente as palavras dele agora e disse tudo

  2. Anne
    Feb 2, '26 at 4:14 pm

    Yoongi ficou sozinho, olhando para as mãos sujas de remédio e do sangue da ferida dela. Ele queria odiá-la. Ele precisava odiá-la. Mas o silêncio dela ecoava em sua mente mais alto do que qualquer grito que ele já tivesse ouvido.

    Vamos ver quem vai cair primeiro. Se ela na postura de mármore ou ele na de monstro

  3. Anne
    Feb 2, '26 at 4:15 pm

    — Por que você não diz nada? — ele perguntou, a voz subindo de tom, a frustração transbordando. — Diga que me odeia. Diga que dói. Me dê algo, S/N!

    Ele quer a rebelião. Quer ter algo para apagar

  4. Marcela
    Feb 2, '26 at 5:12 pm

    — Você já disse tudo, senhor Min — ela respondeu, a voz rouca e baixa. — Eu sou apenas uma dívida. E dívidas não falam. Elas apenas são pagas.

    Afrontosaaa, amei kkkk

    1. Luana
      @MarcelaFeb 21, '26 at 4:27 pm

      Ele é fria igual água de geladeira kkkk

  5. IASMINE
    Feb 2, '26 at 8:54 pm

    Yoongi ficou sozinho, olhando para as mãos sujas de remédio e do sangue da ferida dela. Ele queria odiá-la. Ele precisava odiá-la. Mas o silêncio dela ecoava em sua mente mais alto do que qualquer grito que ele já tivesse ouvido.

    Esses dois se amam tanto, que precisam mostrar que se odeiam pqp quero ver quem cede primeiro

  6. Karine
    Feb 2, '26 at 10:11 pm

    Ela caminhou lentamente até parar diante dele. Yoongi levantou-se, contornando a mesa com a graça de um tubarão. Ele agarrou o colarinho do uniforme cinza dela e, com um puxão violento, rasgou o tecido para expor a queimadura. S/N nem sequer piscou.

    Absolute cinema

  7. Karine
    Feb 2, '26 at 10:14 pm

    — Você não é especial por ter sangrado na minha cama. Você não é especial por ter me beijado. Você é apenas a unidade que me dá mais estresse. Eu poderia te mandar para o Nível 4 agora mesmo, onde os homens da doca fariam fila para te ensinar o que é ser um “buraco”.

    “Ó se eu quisesse” kkkkk

  8. Karine
    Feb 2, '26 at 10:18 pm

    Yoongi sentiu um impacto no peito que não soube explicar. Ele a soltou bruscamente, como se ela o tivesse queimado. Ele deu um passo atrás, ajeitando a camisa, tentando recuperar a compostura de mestre que ela acabara de desmantelar com apenas uma frase.

    Doeu né ? Safadinho

  9. Nathy
    Feb 3, '26 at 11:17 pm

    — Você já disse tudo, senhor Min — ela respondeu, a voz rouca e baixa. — Eu sou apenas uma dívida. E dívidas não falam. Elas apenas são pagas.

    Aqui ela foi forrona

  10. Nathy
    Feb 3, '26 at 11:18 pm

    S/N parece aos poucos ir morrendo por dentro. Está usando um mecanismo de defesa fortíssimo!

  11. Nathy
    Feb 3, '26 at 11:18 pm

    Esse monstro não irá aguentar essa postura por muito tempo.

  12. Sheila
    Feb 19, '26 at 9:46 pm

    Durante todo o trajeto de volta, ele não olhou para o celular. Ele não queria saber de negócios. Ele queria chegar e ver o estrago que ela havia causado — e o que ele causaria nela. Ele precisava reafirmar que ela era apenas uma dívida, um “buraco”, um troféu.

    Um buraco!!! Fala sério Yoongi!!! Ela será seu amor!!! Kkkk

  13. Sheila
    Feb 19, '26 at 9:48 pm

    — Reaja, porra! — ele sibilou, pressionando o curativo com mais força, de forma bruta, esfregando o tecido áspero contra a pele ferida. — Você é apenas uma dívida insolvente. Um objeto que quebrou o nariz de outra peça do meu inventário. Você tem noção do trabalho que me deu? Tive que cancelar reuniões para lidar com o seu lixo.

    Ela é somente uma dívida?! Ou será seu grande amor!!!
    Como pode ser tão cruel com ela desse jeito?!
    Mundo gira hein?! Kkkk

  14. Sheila
    Feb 19, '26 at 9:49 pm

    — Saia da minha frente — ele rosnou, voltando para sua cadeira. — Hana vai te levar para uma cela individual no Nível 1. Não porque você merece, mas porque não quero o cheiro de queimado infestando o meu refeitório.

    Como é surreal de cruel!!! Que raiva!!!

  15. Sheila
    Feb 19, '26 at 9:51 pm

    — Você já disse tudo, senhor Min — ela respondeu, a voz rouca e baixa. — Eu sou apenas uma dívida. E dívidas não falam. Elas apenas são pagas.

    Ela se sente um nada!!! E ele querendo ainda que ela falasse com alguma coisa!!! Fala sério!!! Raiva viu!!!

  16. Sheila
    Feb 19, '26 at 9:51 pm

    — Você já disse tudo, senhor Min — ela respondeu, a voz rouca e baixa. — Eu sou apenas uma dívida. E dívidas não falam. Elas apenas são pagas.

    Ela se sente um nada!!! E ele querendo ainda que ela falasse com alguma coisa!!! Fala sério!!!

  17. Luana
    Feb 21, '26 at 4:25 pm

    Ele foi muito cruel com ela

  18. Thamiris
    Mar 17, '26 at 10:26 am

    — Ótimo. Traga o kit médico para o meu escritório. Vou mostrar a ela que só existe uma pessoa neste lugar autorizada a causar dor ou a curá-la.

    O médico dos meus sonhos

  19. Thamiris
    Mar 17, '26 at 10:30 am

    — Você não é especial por ter sangrado na minha cama. Você não é especial por ter me beijado. Você é apenas a unidade que me dá mais estresse. Eu poderia te mandar para o Nível 4 agora mesmo, onde os homens da doca fariam fila para te ensinar o que é ser um “buraco”.

    Cala a porra da boca,oh idio do krlh

  20. Thamiris
    Mar 17, '26 at 10:31 am

    — Você já disse tudo, senhor Min — ela respondeu, a voz rouca e baixa. — Eu sou apenas uma dívida. E dívidas não falam. Elas apenas são pagas.

    Aaahhhhj,ela disse tudo que ele disse

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