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O ambiente no corredor da cobertura era de uma calmaria quase irreal, interrompida apenas pelos estalos ocasionais da tempestade que começava a perder força lá fora. Dentro do quarto, S/N finalmente havia mergulhado em um sono sem pesadelos, sentindo, mesmo inconsciente, a presença firme de Yoongi ao seu lado.

A porta se abriu apenas uma fresta, o suficiente para que uma das enfermeiras de plantão deslizasse para dentro. Ela verificou o gotejamento do soro de manutenção e a temperatura de S/N com um termômetro infravermelho, para não precisar tocá-la e correr o risco de acordar o “monstro” que vigiava na poltrona.

Ao sair, ela fechou a porta com um clique quase inaudível e encontrou sua colega no posto de enfermagem improvisado no corredor.

— Ele estava lá dentro de novo? — a colega perguntou em um sussurro, sem desviar os olhos do monitor de sinais vitais.

— Estava sim… — a enfermeira respondeu, soltando um suspiro longo e massageando as têmporas.

— Ele fica lá todas as noites, só entra no quarto depois que ela dorme…

A enfermeira que acabara de sair balançou a cabeça negativamente, com uma expressão intrigada.

— Sim, mas hoje ele não estava deitado ao lado dela. Ele estava sentado na poltrona, bem reto, como se estivesse de guarda.

A colega franziu o cenho e olhou para o prontuário na tela.

— Deve ser porque não sedamos ela hoje. Ela já está sentindo menos dor e foi bem enfática ao dizer que não queria ser sedada esta noite. Provavelmente, com ela acordada ou em sono leve, ele não quer que ela perceba que ele se deita ali.

— É estranho, não é? — a outra murmurou, olhando para a porta fechada. — Ele tem esse ar de quem mataria qualquer um sem piscar, mas passa as madrugadas em claro cuidando para que ela não se sinta sozinha no escuro.

— Homens como o Senhor Min não cuidam… eles vigiam — a outra retrucou, embora o tom de voz não fosse tão convincente assim. — Mas, seja lá o que for, ela é a única pessoa que o faz baixar a guarda.

Enquanto as duas continuavam o turno em voz baixa, do outro lado da porta, Yoongi permanecia imóvel na penumbra. Ele ouvira o sussurro delas através da madeira maciça. Suas palavras ecoaram em sua mente: “Ele se importa”.

Ele olhou para S/N, que se mexeu levemente sob os lençóis. O braço dele ardeu com a vontade de tocá-la, de voltar para o lado dela na cama como fizera nas noites em que ela estava dopada, mas ele se forçou a permanecer na poltrona. Ele era o Dono da Noite, o carrasco, o mestre. Ele não podia deixar que ela soubesse que, no momento em que ela recusou o sedativo, ele se tornou o prisioneiro da própria vulnerabilidade.

Enquanto observava o peito de S/N subir e descer calmamente na penumbra, o cheiro de hospital e chuva o transportou para uma tarde ensolarada de seis anos atrás.

FLASHBACK:

Era o aniversário de treze anos dela. Yoongi, aos dezoito, já carregava a expressão endurecida de quem era treinado para herdar um império de sangue, mas naquela tarde, ele passou quase uma hora em frente ao espelho. Ele ajeitou a gola da camisa preta três vezes, passou um perfume que custava mais do que a casa onde ela morava e, no caminho, parou o carro bruscamente perto de uma floricultura.

Ele entrou no jardim da casa dela com um buquê escondido atrás das costas, tentando manter a postura de quem não se importava.

— Pegue — ele disse, estendendo as flores de forma desajeitada assim que ela apareceu na porta. — Achei jogadas no chão perto da loja de conveniência. Achei que você gostaria de lixo colorido.

S/N riu, aquele riso que sempre desarmava os gatilhos dele. Ela pegou as flores e as abraçou, sentindo o perfume. — No chão, Suga? Elas estão perfeitas demais para serem lixo. Obrigada.

Eles foram para um pequeno parque isolado. Comeram sorvete de tangerina e Yoongi observava o perfil dela, sentindo um nó na garganta que não conseguia engolir. Ele precisava saber. Tinha visto, dois dias antes, um garoto da escola dela — um tal de Jimin — entregar uma carta e um chocolate na frente do portão.

— E aquele garoto? — Yoongi perguntou, chutando uma pedrinha com o sapato caro, fingindo total desinteresse. — O que se declarou na sua calçada.

S/N lambeu o sorvete, os olhos brilhando. — Ah, o Jimin? Ele é lindo. E super interessante, de verdade.

Yoongi sentiu o estômago despencar. O gelo do sorvete parecia ter se instalado em seu coração. — É? — ele rosnou, a voz saindo mais bruta do que o planejado. — E você vai aceitar o pedido dele?

— Eu já recusei — ela respondeu, balançando as pernas no banco. — Ele é legal, mas… eu já gosto de um garoto. Ele é super fofo e atencioso.

A decepção atingiu Yoongi como um soco físico. Fofo. Atencioso. Ele olhou para as próprias mãos, calejadas pelo treino de tiro, marcadas pela violência que o pai o obrigava a exercer. Ele era o oposto de fofo. Ele era bruto, silencioso e sombrio. Ele sentiu uma tristeza profunda e silenciosa, uma certeza de que nunca poderia competir com um “garoto atencioso”.

— Espero que ele se declare logo — ela completou, olhando para Yoongi com uma intensidade que ele, em sua insegurança juvenil, não soube ler.

PRESENTE:

O presente colidiu com o passado de forma violenta. Yoongi ainda sentia o peso do sorvete de tangerina e a amargura daquela conversa de anos atrás quando o som suave escapou dos lábios de S/N, cortando o silêncio do quarto.

— Eu te amo… — o sussurro dela foi um sopro, quase inaudível, mas para Yoongi soou como um tiro de misericórdia.

Ele congelou. Seus dedos cravaram-se no couro dos braços da poltrona. Naquele momento, o “Dono da Noite” desapareceu, dando lugar ao homem que vivia em um estado perpétuo de dúvida e possessividade.

A mente dele começou a trabalhar em uma velocidade frenética, distorcendo tudo. Para quem? Para o “garoto fofo” que ela mencionara no aniversário de treze anos? Para o tal primeiro namorado, que talvez ela nunca tenha esquecido de verdade?

Ele olhou para ela, as feições endurecidas pela agonia de não saber. A S/N de anos atrás nunca havia dito aquelas palavras para ele. E a S/N de agora? A mulher que ele jogou no isolamento, que ele viu ser torturada por sua negligência, que ele tratava como uma dívida… essa mulher jamais diria “eu te amo” para o monstro que ele se tornara.

O ciúme, um sentimento que ele sempre considerou uma fraqueza de homens comuns, subiu por sua garganta como uma labareda ácida. Ele sentiu uma vontade doentia de acordá-la, de sacudi-la e exigir o nome do dono daquela declaração. Ele queria arrancar o nome da garganta dela, mesmo que tivesse que ouvir que o destinatário era outro. Qualquer coisa era melhor do que aquela incerteza que o fazia sentir-se pequeno.

Ele se levantou da poltrona bruscamente, o rangido do móvel ecoando como um protesto. Yoongi não conseguia mais respirar o mesmo ar que ela. O quarto, que antes era seu santuário de vigília, agora parecia uma sala de tortura psicológica.

— Você está amando um fantasma, S/N — ele sibilou para o vazio, a voz carregada de um veneno que mal escondia sua frustração. — Porque eu sou o seu dono, e você não tem direito de amar outro homem… e eu? eu sou alguém que você com certeza deveria odiar.

Sem olhar para trás, ele caminhou em direção à porta. Ele precisava de espaço. Precisava de uma arma na mão ou de um problema para resolver, qualquer coisa que o lembrasse de que ele era o carrasco, e não a vítima de um sussurro em sonho.

Ao cruzar o corredor, ele passou pelas enfermeiras como um vendaval negro. O olhar dele era tão letal que as duas mulheres interromperam o diálogo imediatamente, colando as costas na parede.

Ele foi para o escritório, trancando a porta e servindo-se de uma dose generosa de uísque puro. Ele olhou para as câmeras, focando no rosto tranquilo dela no monitor.

— De quem é o nome que você esconde nessa boca? — ele perguntou para a tela, a mão tremendo levemente ao levar o copo aos lábios.

25 Comentários

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  1. Marcela
    Feb 6, '26 at 4:53 pm

    — De quem é o nome que você esconde nessa boca? — ele perguntou para a tela, a mão tremendo levemente ao levar o copo aos lábios.

    Ela vai enlouquecer esse homem kkk

  2. Marcela
    Feb 6, '26 at 4:58 pm

    O ciúme, um sentimento que ele sempre considerou uma fraqueza de homens comuns, subiu por sua garganta como uma labareda ácida. Ele sentiu uma vontade doentia de acordá-la, de sacudi-la e exigir o nome do dono daquela declaração. Ele queria arrancar o nome da garganta dela, mesmo que tivesse que ouvir que o destinatário era outro. Qualquer coisa era melhor do que aquela incerteza que o fazia sentir-se pequeno.

    Ele completamente arriado por ela, sem conseguir controlar o ciúmes kkkk

    1. Marcela
      @MarcelaFeb 14, '26 at 2:02 pm

      — Você está amando um fantasma, S/N — ele sibilou para o vazio, a voz carregada de um veneno que mal escondia sua frustração. — Porque eu sou o seu dono, e você não tem direito de amar outro homem… e eu? eu sou alguém que você com certeza deveria odiar.

      Possessivo? Não, imaginaaa

  3. Anne
    Feb 6, '26 at 6:36 pm

    A decepção atingiu Yoongi como um soco físico. Fofo. Atencioso. Ele olhou para as próprias mãos, calejadas pelo treino de tiro, marcadas pela violência que o pai o obrigava a exercer. Ele era o oposto de fofo. Ele era bruto, silencioso e sombrio. Ele sentiu uma tristeza profunda e silenciosa, uma certeza de que nunca poderia competir com um “garoto atencioso”.

    Não acredito que ele faz isso com ela, pq acha que ela gostava de outro

    1. @AnneFeb 6, '26 at 6:40 pm

      Não foi nada disso..

  4. Anne
    Feb 6, '26 at 6:39 pm

    — De quem é o nome que você esconde nessa boca? — ele perguntou para a tela, a mão tremendo levemente ao levar o copo aos lábios.

    Enquanto ele não souber que é ele, vai ficar terrível com ela

  5. Anne
    Feb 6, '26 at 6:40 pm

    Ele olhou para ela, as feições endurecidas pela agonia de não saber. A S/N de anos atrás nunca havia dito aquelas palavras para ele. E a S/N de agora? A mulher que ele jogou no isolamento, que ele viu ser torturada por sua negligência, que ele tratava como uma dívida… essa mulher jamais diria “eu te amo” para o monstro que ele se tornara.

    Mau ele imagina que aquela frase foi para ele “fofo”

  6. IASMINE
    Feb 6, '26 at 9:27 pm

    — De quem é o nome que você esconde nessa boca? — ele perguntou para a tela, a mão tremendo levemente ao levar o copo aos lábios.

    AIIIIII MEU DEUS MULHER, era só dizer suga kkkkk o pobi ta sofrendo

  7. Nathy
    Feb 6, '26 at 11:24 pm

    De quem é o nome que você esconde nessa boca? — ele perguntou para a tela, a mão tremendo levemente ao levar o copo aos lábios.

    Kkkkkkkkkkkkkk se vocês achavam que já viu este homem brabo, eu digo que não viram é nada

  8. Nathy
    Feb 6, '26 at 11:25 pm

    Ele não era fofo para os outros, mas para ela, ele era o mais amoroso e atencioso

    1. Marcela
      @NathyFeb 14, '26 at 1:57 pm

      Yoongi sentiu o estômago despencar. O gelo do sorvete parecia ter se instalado em seu coração. — É? — ele rosnou, a voz saindo mais bruta do que o planejado. — E você vai aceitar o pedido dele?

      O ciumeeeees gritando

  9. Nathy
    Feb 6, '26 at 11:25 pm

    Aaaaáaaah, eu tô apaixonada

  10. Anne
    Feb 7, '26 at 8:08 pm

    Queria ver ela dizendo te amo Suga! E ele se dando conta que era dele que ela falava

  11. Anne
    Feb 7, '26 at 8:08 pm

    Autora, me tira uma dúvida:

    A Sn conseguiu identificar que ele era quem ajudava no passado?

    1. @AnneFeb 7, '26 at 8:16 pm

      Não, mas ela vai descobrir logo… logo…

  12. Jessica
    Feb 8, '26 at 11:02 am

    Ahhhhhhhh…. Coração foi a millll

  13. Luana
    Feb 21, '26 at 6:02 pm

    Ansiedade que fala? Kkkkkkkk

  14. Karine
    Feb 24, '26 at 3:09 pm

    — É estranho, não é? — a outra murmurou, olhando para a porta fechada. — Ele tem esse ar de quem mataria qualquer um sem piscar, mas passa as madrugadas em claro cuidando para que ela não se sinta sozinha no escuro.

    Sim ele é muito estranho kkkk

  15. Karine
    Feb 24, '26 at 3:11 pm

    Era o aniversário de treze anos dela. Yoongi, aos dezoito, já carregava a expressão endurecida de quem era treinado para herdar um império de sangue, mas naquela tarde, ele passou quase uma hora em frente ao espelho. Ele ajeitou a gola da camisa preta três vezes, passou um perfume que custava mais do que a casa onde ela morava e, no caminho, parou o carro bruscamente perto de uma floricultura.

    Ele é tão fofinho q dá vontade de amassar

  16. Karine
    Feb 24, '26 at 3:12 pm

    Eles foram para um pequeno parque isolado. Comeram sorvete de tangerina e Yoongi observava o perfil dela, sentindo um nó na garganta que não conseguia engolir. Ele precisava saber. Tinha visto, dois dias antes, um garoto da escola dela — um tal de Jimin — entregar uma carta e um chocolate na frente do portão.

    Cuida mesmo, pq esse tal de Jimin é um gatinho

  17. Karine
    Feb 24, '26 at 3:41 pm

    O ciúme, um sentimento que ele sempre considerou uma fraqueza de homens comuns, subiu por sua garganta como uma labareda ácida. Ele sentiu uma vontade doentia de acordá-la, de sacudi-la e exigir o nome do dono daquela declaração. Ele queria arrancar o nome da garganta dela, mesmo que tivesse que ouvir que o destinatário era outro. Qualquer coisa era melhor do que aquela incerteza que o fazia sentir-se pequeno.

    Essa acidez na garganta é azia Yoongi kkk

  18. Thamiris
    Mar 19, '26 at 8:03 pm

    — Sim, mas hoje ele não estava deitado ao lado dela. Ele estava sentado na poltrona, bem reto, como se estivesse de guarda.

    Como assim,ele dormia com ela?!! aaaahhhhhh

  19. Thamiris
    Mar 19, '26 at 8:08 pm

    Eles foram para um pequeno parque isolado. Comeram sorvete de tangerina e Yoongi observava o perfil dela, sentindo um nó na garganta que não conseguia engolir. Ele precisava saber. Tinha visto, dois dias antes, um garoto da escola dela — um tal de Jimin — entregar uma carta e um chocolate na frente do portão.

    Mochi fazendo o Yoon ficar com ciúmes

  20. Thamiris
    Mar 19, '26 at 8:10 pm

    — Espero que ele se declare logo — ela completou, olhando para Yoongi com uma intensidade que ele, em sua insegurança juvenil, não soube ler.

    Como pode ser tão lerdo

  21. Thamiris
    Mar 19, '26 at 8:12 pm

    Ele olhou para ela, as feições endurecidas pela agonia de não saber. A S/N de anos atrás nunca havia dito aquelas palavras para ele. E a S/N de agora? A mulher que ele jogou no isolamento, que ele viu ser torturada por sua negligência, que ele tratava como uma dívida… essa mulher jamais diria “eu te amo” para o monstro que ele se tornara.

    Kk,já ouviu falar da síndrome de Estocolmo?! Pois é as vezes acontece kk

Nota

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