Capítulo 12 – A Sentinela do Caos
por FanfiqueiraO Dr. Aris trabalhou por horas a fio. O quarto de Yoongi, antes um santuário de minimalismo e poder, transformara-se em uma unidade de terapia intensiva de luxo. O som rítmico dos aparelhos de monitoramento era a única música que preenchia o ambiente. S/N continuava pálida, envolta em bandagens brancas que contrastavam violentamente com o edredom negro.
Yoongi permanecia em um canto, as mãos cruzadas, observando cada movimento do médico. Ele não havia limpado o sangue seco de suas mãos; era como se aquela sujeira fosse um lembrete de que ele ainda tinha o controle das vidas ali dentro.
— Terminei por agora — disse o Dr. Aris, recolhendo seus instrumentos por volta das três da manhã. — Ela está sedada. A fratura na costela foi estabilizada e o braço está imobilizado. O corte na cabeça foi profundo, mas a tomografia portátil não mostrou hematomas internos graves. Ela deve dormir até amanhã, Yoongi. O corpo dela precisa desse desligamento para começar a cicatrizar.
Yoongi apenas assentiu, a mandíbula travada.
— Vou deixar duas das minhas melhores enfermeiras aqui — continuou o médico, sinalizando para as mulheres que preparavam as medicações intravenosas. — Elas vão monitorar os sinais vitais e a dor. Se houver febre ou alteração na respiração, elas me chamam imediatamente.
— Elas ficam no quarto ao lado — Yoongi decretou, a voz soando como um metal arrastado. — Eu ficarei aqui.
O médico hesitou, conhecendo o temperamento do amigo, mas apenas inclinou a cabeça em respeito e saiu.
As enfermeiras se instalaram discretamente, entrando apenas para trocar os soros ou verificar a temperatura de S/N. Yoongi não se deitou. Ele puxou uma poltrona de couro para o lado da cama e ali ficou.
A luz da lua filtrava-se pelas janelas de vidro à prova de balas, iluminando o rosto de S/N. Sem o fogo do desafio nos olhos ou o peso do silêncio em seus lábios, ela parecia terrivelmente jovem. Terrivelmente humana.
Yoongi estendeu a mão, mas parou a milímetros de tocar o rosto dela. Ele sentia uma repulsa estranha por si mesmo. Ele a jogara no isolamento para “quebrá-la”, para provar que ela era descartável, mas o resultado fora quase o seu fim. Se ela morresse, ele não perderia apenas uma unidade ou uma dívida; ele sentia, no fundo de seu peito gelado, que perderia o único espelho que ainda refletia sua própria existência.
FLASHBACK:
Enquanto o bipe do monitor cardíaco preenchia o vácuo do quarto, a mente de Yoongi foi tragada pelo passado, para uma Seul que não tinha o brilho do mármore, mas o cheiro de asfalto molhado e desespero.
Ele tinha quinze anos, e o peso da herança do clã Min já começava a endurecer seus ombros. Naquela tarde de chuva cinzenta, ele estava parado na esquina de um bairro periférico. Do outro lado da rua, um pequeno e miserável cortejo fúnebre passava. No centro dele, uma menina de dez anos, pequena demais para o luto que carregava, segurava contra o peito o porta-retrato com a foto da mãe — a moldura típica, com as fitas pretas cruzando o rosto de uma mulher que parecia ter desistido da vida muito cedo.
Atrás dela, um homem cambaleava. O pai de S/N. Ele não chorava; ele exalava o cheiro azedo do Soju e uma fúria covarde.
Yoongi observou da loja de conveniência em frente à casa deles. Ele viu o exato momento em que entraram no quintal. O pai de S/N, tomado por um delírio alcoólico, arrancou o porta-retrato das mãos da menina.
— Ela nos deixou! — o homem rugiu. — E você tem a cara dela!
O som do vidro estraçalhando contra o chão de concreto ecoou no peito de Yoongi. O homem desferiu o primeiro tapa, jogando a criança sobre os cacos da foto da própria mãe.
Yoongi não pensou. Ele ainda não era o monstro calculado da máfia; era apenas um jovem que reconhecia a injustiça por trás da violência. Ele atravessou a rua correndo, empurrou o homem bêbado com tanta força que ele caiu sobre as latas de lixo e puxou a menina para longe. As mãos dela sangravam, cortadas pelos cacos de vidro da foto.
Naquela noite, em um beco escondido, Yoongi limpou as feridas de S/N com a própria camiseta e comprou para ela um pão de leite na lojinha. Ela não disse nada, apenas o olhou com aqueles olhos que, mesmo aos dez anos, já pareciam ter visto o fim do mundo.
Os anos passaram, e a observação tornou-se um vício silencioso. Yoongi cresceu sob o treinamento brutal de seu pai, aprendendo a matar sem remorso, mas seus pés sempre o levavam de volta àquela rua.
Quando ele tinha dezoito e ela treze, o destino cobrou um preço mais alto.
Ele chegou em uma noite de verão abafado. O portão da casa estava escancarado. O pai de S/N saiu tropeçando, uma garrafa de Soju quebrada na mão e a camisa branca manchada de um vermelho que Yoongi reconheceu instantaneamente. Era sangue. Muito sangue.
Yoongi entrou na casa como uma tempestade. O cenário era um necrotério em vida. S/N estava jogada no canto da cozinha, o corpo miúdo coberto de hematomas e cortes. Ela estava quase morta, a respiração tão superficial que ele achou que a alma dela já tinha partido.
A fúria que nasceu em Yoongi naquela noite foi o que consolidou o mafioso que ele é hoje. Ele discou para a ambulância anonimamente, mas não esperou para ver o socorro. Ele reuniu três capangas de seu pai — homens que o temiam — e encontrou o pai de S/N em um bar de esquina.
Eles não o mataram. Yoongi queria que ele vivesse para sentir cada osso do corpo ser moído. Ele mesmo desferiu os golpes, quebrando as mãos que ousaram tocar nela, até que o homem fosse apenas um amontoado de carne e choro.
Desde então, ele a observou de longe. Cada escola que ela frequentou, cada emprego, cada dívida que o pai dela acumulava nos cassinos do clã Min.
PRESENTE
Yoongi piscou, voltando para o quarto iluminado pela luz da lua. Ele olhou para as próprias mãos, as mesmas que cuidaram dela aos dez anos e que a torturaram na noite anterior.
— Acorde — ele sussurrou para o nada, sua voz misturando-se ao som do oxigênio. — Você me deve um olhar de desprezo, S/N. Não ouse me deixar com esse silêncio vazio.
As horas se arrastaram. O sol começou a surgir no horizonte de Seul, pintando o céu de um laranja sangrento que lembrava o refeitório da noite anterior. Yoongi viu quando o efeito dos sedativos pesados começou a diminuir, mas S/N continuava em um sono profundo, o corpo lutando contra o trauma físico.
Hana entrou silenciosamente com uma bandeja de café, mas Yoongi nem sequer olhou para ela.
— Ela não acordou, senhor? — Hana perguntou em um sussurro.
— Não.
— O café está aqui. O senhor precisa comer algo…
— Saia, Hana.
A governanta recuou imediatamente. O clima na cobertura era de um velório iminente. Ninguém ousava falar alto. Ninguém ousava respirar perto de Yoongi.
Ele voltou a focar em S/N. Ele via as marcas roxas subindo pelo pescoço dela, desaparecendo sob a atadura onde a sopa a queimara. Ele via o braço imobilizado. A cada detalhe da destruição dela, o ódio por Elena e pelas outras crescia, mas era o ódio por si mesmo que mais o sufocava.
Ele esperaria o tempo que fosse necessário. Ele era o Dono da Noite, e se o dia tivesse que parar até que ela abrisse os olhos, ele faria o mundo parar.
O sol já atingia o centro do quarto, cortando a penumbra com lâminas de luz que faziam a poeira dançar no ar. O efeito dos sedativos estava se dissipando, deixando para trás uma névoa espessa e o gosto metálico de remédios na boca.
S/N sentiu a consciência retornar como uma maré lenta e dolorosa. A primeira coisa que registrou não foi a visão, mas o peso. O peso do próprio corpo parecia ter triplicado. Cada centímetro de sua pele latejava em uma sinfonia de agonia: o ardor agudo no pescoço, a pressão sufocante na costela fraturada e a dor sorda e pulsante em seu braço imobilizado.
Seus cílios tremeram. Ela soltou um gemido baixo, um som quebrado que mal saiu de sua garganta seca.
Lentamente, as pálpebras se abriram. A luz feriu seus olhos, obrigando-a a piscar várias vezes até que o teto familiar da cobertura entrasse em foco. O mármore, os detalhes em gesso… ela estava de volta ao topo. De volta à gaiola de ouro.
Ela tentou se mexer, mas um grito de dor ficou preso em sua garganta quando a costela protestou contra o movimento.
— Não tente se levantar.
A voz era um barítono arrastado, vindo da lateral da cama. S/N virou o rosto com dificuldade, sentindo a pontada dos pontos em sua têmpora.
Lá estava ele.
Yoongi não parecia o homem impecável que a jogara no isolamento. Ele ainda usava a camisa preta, agora amassada, com as mangas dobradas. Seus olhos estavam cercados por olheiras profundas, e a mandíbula exibia uma sombra de barba por fazer. Ele estava sentado na poltrona, inclinado para a frente, observando-a com uma intensidade que beirava a loucura.
S/N encarou-o. Por um longo minuto, o único som no quarto era o bipe constante do monitor cardíaco, que acelerou sutilmente quando os olhos dela encontraram os dele.
— Onde… — ela começou, mas a voz falhou, transformando-se em um sussurro rouco.
Yoongi estendeu a mão e pegou um copo de água com um canudo sobre a mesa de cabeceira. Ele se aproximou, sentando-se na borda da cama. S/N tentou recuar, um reflexo instintivo de medo, mas a dor a paralisou, fazendo-a soltar um arquejo sofrido.
— Beba — ele ordenou. Não era um pedido, mas o tom não tinha a crueldade de antes. Havia algo mais ali… algo que parecia possessividade misturada com uma culpa que ele se recusava a nomear.
Ela bebeu apenas o suficiente para molhar a garganta, desviando o rosto logo em seguida. O silêncio voltou a reinar, pesado como chumbo. S/N olhou para o próprio braço engessado e para as bandagens em seu corpo. A memória da surra no Nível 1 voltou em flashes violentos: os chutes de Elena, o riso das outras, o escuro da cela.
— Elas… — S/N tentou falar, os olhos se enchendo de uma raiva fria.
— Elas não vão mais incomodar você — Yoongi a interrompeu, a voz gélida. — Eu cuidei disso. Pessoalmente. Elas estão onde deveriam estar, pagando por cada centímetro de pele que ousaram tocar sem a minha permissão.
S/N soltou um riso seco, que terminou em uma careta de dor. Ela olhou diretamente para Yoongi, e o desprezo em seus olhos era tão afiado quanto uma lâmina.
— Por que me trouxe de volta? — ela perguntou, a voz ganhando força. — Você disse que eu era apenas um buraco. Um troféu. Por que não me deixou morrer naquela cela? Teria sido uma dívida quitada, não seria?
Yoongi travou a mandíbula. Ele se levantou abruptamente, caminhando até a janela e olhando para a cidade lá fora, de costas para ela. Seus ombros estavam tensos.
— Você não tem o direito de morrer até que eu decida que você não tem mais utilidade — ele respondeu, voltando à sua máscara de indiferença, embora suas mãos estivessem fechadas em punhos. — Você é minha propriedade, S/N. E eu não permito que destruam o que me pertence.
S/N fechou os olhos, sentindo as lágrimas de frustração queimarem. Ela estava viva, mas o preço era estar sob o teto do homem que era a causa de todo o seu sofrimento.
— Você é o pior deles, Yoongi — ela sussurrou, alto o suficiente para que ele ouvisse. — Elas me bateram porque me odiavam. Mas você… você me salva só para poder me quebrar de novo.
Yoongi virou-se lentamente. Ele caminhou de volta até a cama e inclinou-se sobre ela, as mãos apoiadas em cada lado do corpo dela, cercando-a. O cheiro de tabaco e sândalo a envolveu.
— Talvez — ele murmurou, o rosto a centímetros do dela. — Mas enquanto você estiver nesta cama, você está segura do resto do mundo. O único monstro que você precisa temer aqui… sou eu.
Agora tudo faz total sentido.. esse homem ama ela ja tem anos e anos pqp
Agora ta começando a fazer sentido kkkk
Naquela noite, em um beco escondido, Yoongi limpou as feridas de S/N com a própria camiseta e comprou para ela um pão de leite na lojinha. Ela não disse nada, apenas o olhou com aqueles olhos que, mesmo aos dez anos, já pareciam ter visto o fim do mundo.
Eles se conheciam
Yoongi entrou na casa como uma tempestade. O cenário era um necrotério em vida. S/N estava jogada no canto da cozinha, o corpo miúdo coberto de hematomas e cortes. Ela estava quase morta, a respiração tão superficial que ele achou que a alma dela já tinha partido.
Ele sabia exatamente quem ela era, quando o pai dela a entregou como pagamento. Tou passada
Ele já a conhecia antes de tudo
Ele ficou espetando até o momento em que o pai dela fizesse merda
Bem, já entendemos que de alguma forma ele te uma obsessão por ela
Pqp Yooungi!
Você ama ela desde menoooor, não creioooooo
Eu sabia que essa obsessão não era atoa! Por isso você aceitou ela como pagamento. Aaaaaaaaaaaáah
Porque vc é assim, cara? Aí q ódio de vc Yoongi.
Mds ele já conhecia ela. Ele é bem durão viu . Ama ela mais não quer admitir!
Ele quer ela já tem muito tempo .
Que nem um cão de guarda
Ah mentira
Ele conhece ela desde de adolescência
Como consegue ser tão idiota ein?!