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O Nível -2 da mansão em Gangnam não tinha o luxo das suítes superiores. O ar era denso, carregado com o cheiro de concreto úmido e ferro. Era ali que o “Dono da Noite” despia sua civilidade e resolvia as pendências que o dinheiro não podia comprar.

No centro da sala, iluminado por uma única lâmpada industrial que oscilava levemente, estava Choi Ji-hoon. Ele não era mais o garoto de uniforme escolar impecável. Era um homem comum, vestindo uma camisa social barata, agora manchada de suor e poeira. Seus olhos estavam arregalados de puro terror, as mãos amarradas às costas enquanto Lee o mantinha de joelhos.

Yoongi estava nas sombras, encostado em uma pilastra, observando o homem choramingar.

— Por favor… eu não fiz nada! Eu tenho família, eu sou professor! — Ji-hoon soluçava, o rosto inchado. — Eu nem sei quem é você!

Yoongi deu um passo para a luz. O brilho de seus sapatos de verniz contrastava com a miséria no chão. — Você foi o primeiro — Yoongi sibilou, a voz como o deslizar de uma serpente.

Ele pegou o rádio. — Tragam-na.

A porta de ferro pesada rangeu. S/N foi trazida por dois guardas. Ela ainda vestia a camisola de seda sob um robe pesado, mas sua postura era rígida. Quando seus olhos encontraram a figura de Ji-hoon no chão, Yoongi prendeu a respiração. Ele esperava gritos. Esperava que ela implorasse pela vida do “primeiro amor”. Ele queria ver o desespero dela para poder esmagá-lo.

Mas S/N não se moveu. Ela olhou para Ji-hoon como se estivesse observando um inseto estranho no jardim. Não havia dor. Não havia sofrimento. Havia apenas uma frieza que rivalizava com a do próprio Yoongi.

— S/N! Por favor, ajude-me! Diga a eles que não temos nada! — Ji-hoon gritou, tentando se arrastar em direção a ela, apenas para ser chutado de volta por Lee.

Yoongi caminhou até ela, parando ao seu lado, observando a reação dela com uma intensidade maníaca. — Olhe para ele, S/N. Olhe para o seu primeiro amor. É por esse verme que você suspira à noite? É por ele que você guarda o seu “eu te amo”?

S/N franziu a testa, desviando o olhar de Ji-hoon para Yoongi. O silêncio dela foi torturante por cinco segundos.

— Por ele? — ela perguntou, a voz desprovida de qualquer emoção. — Você trouxe esse homem até aqui por causa de um ciúme doentio de algo que nunca existiu?

Yoongi travou. — Você disse que ele era o seu primeiro beijo. Que ele era o garoto do seu coração.

S/N soltou um suspiro de cansaço, cruzando os braços. — Eu namorei o Ji-hoon na escola por três meses apenas para fazer ciúmes em outro garoto. Eu queria chamar a atenção do meu primeiro amor… o único que amei desde os doze anos e que amo até hoje. Eu não me importo com o que você fizer com ele. Ele não significa nada.

O mundo de Yoongi girou. O “primeiro amor” era uma mentira. O alvo que ele passou a noite caçando era um fantasma de papel. A revelação de que havia outro — alguém antes do Ji-hoon, alguém que ela amava desde os doze anos — foi como levar um tiro à queima-roupa.

Ele olhou para Ji-hoon, que tremia no chão, e sentiu uma náusea profunda. Toda aquela encenação de poder tinha sido em vão.

— Maldito seja… — Yoongi rosnou.

Em um movimento súbito e violento, Yoongi desferiu um soco final e devastador na mandíbula de Ji-hoon, derrubando o homem desacordado no chão. Foi um soco de frustração, não de justiça.

— Tirem esse lixo daqui — Yoongi ordenou a Lee, a voz falhando de ódio. — Cuidem dele, apaguem os rastros e levem-no de volta para Daegu. Não quero ver o rosto dele nunca mais.

Ele passou por S/N sem olhá-la. O cheiro de uísque e derrota o acompanhava. Ele subiu para o escritório e trancou a porta.

Durante os três dias seguintes, a mansão tornou-se uma tumba. Yoongi não apareceu nas refeições. Não entrou no quarto dele. Não deu ordens. Ele passava as horas trancado no escritório, revisando os dossiês da infância de S/N obsessivamente.

“Desde os doze anos…” a frase dela ecoava em sua mente.

Ele revisou fotos de colegas de classe, primos distantes, até o filho do dono da mercearia. A paranoia o estava consumindo. Se não era seu primeiro namorado, quem era o maldito homem que possuía o coração da mulher que ele mantinha cativa? Quem era esse fantasma que era “fofo e atencioso” e que ele não conseguia matar porque sequer sabia o nome?

Yoongi olhou para o monitor. S/N estava sentada na cama, lendo um livro, parecendo mais em paz do que ele jamais estivera.

— Quem é você? — ele sussurrou para a tela, a mão segurando uma foto antiga de S/N aos doze anos. — Quem foi o homem que eu deixei escapar?

No dia anterior…

Segundos antes, o quarto estava impregnado com a ameaça tóxica de Yoongi. Ele havia acabado de soltar o queixo dela, deixando a marca de seus dedos como um estigma em sua pele pálida. Ele havia saído, a porta batendo como o veredito de um juiz.

Mas foi a frase dele que ficou ecoando, ricocheteando nas paredes de mármore até atingir o centro do peito de S/N:

“minha pequena tangerina…”

S/N ficou paralisada, as mãos agarrando o parapeito da janela com tanta força que as juntas dos dedos ficaram brancas. Aquele apelido. Aquela forma específica de pronunciar, com a voz rouca e a cadência de quem está dando uma ordem, mas escondendo um segredo.

Sua mente, como um projetor antigo, disparou de volta para os doze anos. Ela viu o porão. Viu o garoto que limpava seus joelhos ralados e que, apesar de tentar parecer durão e desinteressado, sempre tinha um gomo de tangerina ou um doce escondido para ela. O homem que a salvou de si mesma e do mundo lá fora inúmeras vezes.

Lágrimas silenciosas começaram a rolar, quentes e pesadas, manchando o robe de seda.

— É ele… — ela sussurrou para o vazio do quarto. O coração batia tão forte que chegava a doer. — Não… não pode ser…

A negação veio rápido, acompanhada de uma memória traumática que ela havia enterrado sob camadas de luto. Seis anos atrás, o pai de Yoongi — o velho patriarca Min, um homem que exalava a morte — foi até a casa dela. Ele jogou uma foto sobre a mesa.

Na imagem, o “Suga” dela estava caído em um beco sujo. Havia sangue demais. Um rastro vermelho que parecia não ter fim, e no centro do peito dele, uma ferida aberta, um rasgo brutal e profundo feito por uma lâmina longa.

“Ele falhou com a família,” o velho dissera na época, com uma voz de pedra. “E o preço da falha é o desaparecimento. Esqueça-o. Ele é apenas um cadáver agora.”

S/N sentiu os joelhos fraquejarem. Ela escorregou pela parede até cair no chão frio, os olhos arregalados, fixos no nada. Ela lembrou da cicatriz que vira no peito de Yoongi, uma cicatriz longa, irregular, que cruzava o tronco exatamente onde a espada teria atingido o garoto da foto.

— O Suga morreu… — ela arquejou, o ar faltando. — O pai dele disse… ele me mostrou o sangue…

Mas o apelido. Aquele olhar de posse que, no fundo daquela escuridão atual, ainda guardava a mesma chama do garoto que a protegia.

A percepção a atingiu como uma avalanche: o “monstro” que a mantinha cativa, o homem que ela aprendera a odiar e temer, o carrasco que acabara de ameaçar matar suas memórias… era o próprio dono delas. O homem que ela amava estava vivo, mas ele havia retornado como o seu pior pesadelo.

Ele não era mais o “Suga” que trazia doces e tangerinas. Ele era Min Yoongi, o homem que enterrou o próprio coração para sobreviver à ferida de espada e assumir o trono de sangue do pai.

S/N cobriu a boca com as mãos para abafar um grito de horror e descoberta. Ele estava morrendo de ciúmes de sua própria sombra.

30 Comentários

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  1. Anne
    Feb 15, '26 at 1:47 am

    S/N cobriu a boca com as mãos para abafar um grito de horror e descoberta. Ele estava morrendo de ciúmes de sua própria sombra.

    Exatamente isso ele está morrendo de ciúmes da própria sombra

    1. Marcela
      @AnneFeb 16, '26 at 12:04 am

      “Ele falhou com a família,” o velho dissera na época, com uma voz de pedra. “E o preço da falha é o desaparecimento. Esqueça-o. Ele é apenas um cadáver agora.”

      O próprio pai acabou com a felicidade do filho, e ainda o encheu de traumas

  2. Anne
    Feb 15, '26 at 1:48 am

    — É ele… — ela sussurrou para o vazio do quarto. O coração batia tão forte que chegava a doer. — Não… não pode ser…

    Foi essa cena que ele viu. Ela chorando. Achando que era por outro. Mas era por ele mesmo

  3. Anne
    Feb 15, '26 at 1:49 am

    — Por ele? — ela perguntou, a voz desprovida de qualquer emoção. — Você trouxe esse homem até aqui por causa de um ciúme doentio de algo que nunca existiu?

    Aqui ela já lembrava dele. Só jogou o mesmo jogo dele.
    Deixando ele ainda mais possesso

    1. Marcela
      @AnneFeb 16, '26 at 12:02 am

      Ele não era mais o “Suga” que trazia doces e tangerinas. Ele era Min Yoongi, o homem que enterrou o próprio coração para sobreviver à ferida de espada e assumir o trono de sangue do pai.

      O bom garoto literalmente sumiu. O homem ficou perturbado

  4. Marcela
    Feb 15, '26 at 2:59 am

    — Por favor… eu não fiz nada! Eu tenho família, eu sou professor! — Ji-hoon soluçava, o rosto inchado. — Eu nem sei quem é você!

    Coitado, apanhando por nada

  5. Marcela
    Feb 15, '26 at 3:02 am

    S/N soltou um suspiro de cansaço, cruzando os braços. — Eu namorei o Ji-hoon na escola por três meses apenas para fazer ciúmes em outro garoto. Eu queria chamar a atenção do meu primeiro amor… o único que amei desde os doze anos e que amo até hoje. Eu não me importo com o que você fizer com ele. Ele não significa nada.

    “Ele não significa nada”
    Humilhou ele bonito

  6. Marcela
    Feb 15, '26 at 3:04 am

    Sua mente, como um projetor antigo, disparou de volta para os doze anos. Ela viu o porão. Viu o garoto que limpava seus joelhos ralados e que, apesar de tentar parecer durão e desinteressado, sempre tinha um gomo de tangerina ou um doce escondido para ela. O homem que a salvou de si mesma e do mundo lá fora inúmeras vezes.

    A ficha dela começando a cair

  7. Marcela
    Feb 15, '26 at 3:05 am

    — É ele… — ela sussurrou para o vazio do quarto. O coração batia tão forte que chegava a doer. — Não… não pode ser…

    Até que enfim, ela percebeu que era ele

  8. Marcela
    Feb 15, '26 at 3:07 am

    — O Suga morreu… — ela arquejou, o ar faltando. — O pai dele disse… ele me mostrou o sangue…

    Coitada, esse tempo todo ela pensou que ele tinha morrido. :O

  9. Marcela
    Feb 15, '26 at 3:09 am

    S/N cobriu a boca com as mãos para abafar um grito de horror e descoberta. Ele estava morrendo de ciúmes de sua própria sombra.

    Até descobrir, vai querer matar todo mundo kkk

  10. IASMINE
    Feb 15, '26 at 7:09 pm

    S/N sentiu os joelhos fraquejarem. Ela escorregou pela parede até cair no chão frio, os olhos arregalados, fixos no nada. Ela lembrou da cicatriz que vira no peito de Yoongi, uma cicatriz longa, irregular, que cruzava o tronco exatamente onde a espada teria atingido o garoto da foto.

    BINGOO.. finalmente ela percebeu

  11. IASMINE
    Feb 15, '26 at 7:10 pm

    S/N cobriu a boca com as mãos para abafar um grito de horror e descoberta. Ele estava morrendo de ciúmes de sua própria sombra.

    Imagina o choque descobrir que seu primeiro amor, também é o seu monstro pqp

  12. Marcela ma
    Feb 15, '26 at 11:49 pm

    — Tirem esse lixo daqui — Yoongi ordenou a Lee, a voz falhando de ódio. — Cuidem dele, apaguem os rastros e levem-no de volta para Daegu. Não quero ver o rosto dele nunca mais.

    Ele simplesmente acha que tá sempre certo, e pronto. N tem quem consiga mudar esse pensamento ( muito menos as atitudes)

  13. Marcela
    Feb 16, '26 at 12:07 am

    Lágrimas silenciosas começaram a rolar, quentes e pesadas, manchando o robe de seda.

    Coitadaaa, sofreu tanto pelo seu primeiro amor, sem nem imaginar toda a verdade

  14. Luana
    Feb 21, '26 at 7:08 pm

    Passaaadaaaaaa. Ela descobriu tudo

  15. Luana
    Feb 21, '26 at 7:09 pm

    Ele com ciúmes dele mesmo kkkk

  16. Sheila
    Feb 22, '26 at 8:53 pm

    Yoongi caminhou até ela, parando ao seu lado, observando a reação dela com uma intensidade maníaca. — Olhe para ele, S/N. Olhe para o seu primeiro amor. É por esse verme que você suspira à noite? É por ele que você guarda o seu “eu te amo”?

    Enlouquecendo por amor!!!
    Cego na verdade!!!
    E nem tem ideia que é ele o amor da vida dela!!!

  17. Sheila
    Feb 22, '26 at 8:55 pm

    S/N cobriu a boca com as mãos para abafar um grito de horror e descoberta. Ele estava morrendo de ciúmes de sua própria sombra.

    Era um menino que a protegia e agora um homem cruel!!! Mas ainda é o amor da vida dela!!!

  18. Sheila
    Feb 22, '26 at 8:57 pm

    Na imagem, o “Suga” dela estava caído em um beco sujo. Havia sangue demais. Um rastro vermelho que parecia não ter fim, e no centro do peito dele, uma ferida aberta, um rasgo brutal e profundo feito por uma lâmina longa.

    Muito sofrimento e dor!!! Tendo que aceitar tudo isso e ficando sem o amor da vida dele!!! Triste viu!!!

  19. Karine
    Mar 1, '26 at 6:21 pm

    — Por favor… eu não fiz nada! Eu tenho família, eu sou professor! — Ji-hoon soluçava, o rosto inchado. — Eu nem sei quem é você!

    Agr entendi o conceito de Dark mds, será q ele vai matar ele

  20. Karine
    Mar 1, '26 at 6:23 pm

    — Por ele? — ela perguntou, a voz desprovida de qualquer emoção. — Você trouxe esse homem até aqui por causa de um ciúme doentio de algo que nunca existiu?

    Sim mulher, cê acredita ? Kkk

  21. Karine
    Mar 1, '26 at 6:35 pm

    Ele olhou para Ji-hoon, que tremia no chão, e sentiu uma náusea profunda. Toda aquela encenação de poder tinha sido em vão.

    Ai que vergonha Yoongi

  22. Karine
    Mar 1, '26 at 6:37 pm

    — Quem é você? — ele sussurrou para a tela, a mão segurando uma foto antiga de S/N aos doze anos. — Quem foi o homem que eu deixei escapar?

    Pergunta pra ela uai

  23. Karine
    Mar 1, '26 at 6:37 pm

    Mas foi a frase dele que ficou ecoando, ricocheteando nas paredes de mármore até atingir o centro do peito de S/N:

    Hahaha sabia kkk

  24. Karine
    Mar 1, '26 at 6:41 pm

    A percepção a atingiu como uma avalanche: o “monstro” que a mantinha cativa, o homem que ela aprendera a odiar e temer, o carrasco que acabara de ameaçar matar suas memórias… era o próprio dono delas. O homem que ela amava estava vivo, mas ele havia retornado como o seu pior pesadelo.

    Aaah :O

  25. Thamiris
    Mar 23, '26 at 10:01 am

    Mas S/N não se moveu. Ela olhou para Ji-hoon como se estivesse observando um inseto estranho no jardim. Não havia dor. Não havia sofrimento. Havia apenas uma frieza que rivalizava com a do próprio Yoongi.

    Ela aprendendo ser fria com ele

  26. Thamiris
    Mar 23, '26 at 10:03 am

    S/N soltou um suspiro de cansaço, cruzando os braços. — Eu namorei o Ji-hoon na escola por três meses apenas para fazer ciúmes em outro garoto. Eu queria chamar a atenção do meu primeiro amor… o único que amei desde os doze anos e que amo até hoje. Eu não me importo com o que você fizer com ele. Ele não significa nada.

    Acordaaaa Yoon

  27. Thamiris
    Mar 23, '26 at 10:10 am

    Sua mente, como um projetor antigo, disparou de volta para os doze anos. Ela viu o porão. Viu o garoto que limpava seus joelhos ralados e que, apesar de tentar parecer durão e desinteressado, sempre tinha um gomo de tangerina ou um doce escondido para ela. O homem que a salvou de si mesma e do mundo lá fora inúmeras vezes.

    Só falta ele lembra disso
    E vê que é ele,sempre foi ele

  28. Thamiris
    Mar 23, '26 at 10:12 am

    — O Suga morreu… — ela arquejou, o ar faltando. — O pai dele disse… ele me mostrou o sangue…

    Mais um pai filho da mãe,pra eu odiar

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