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O som de carros de luxo estacionando no cascalho de uma propriedade privada em Gangnam era o único ruído além do vento frio. Min Yoongi desceu do veículo, o terno sob medida ocultando a tensão de seus músculos. Ele estava ali para uma reunião decisiva com os fornecedores de tecnologia de vigilância, um contrato de milhões.

Mas, enquanto os homens falavam sobre satélites e criptografia, o celular de Yoongi estava posicionado sobre a mesa de carvalho, com a tela acesa em brilho mínimo.

Ele não estava olhando para gráficos. O feed da câmera 01 da cobertura estava fixo nela. Ele a via se mover lentamente pelo quarto, o braço livre de gesso, a postura ainda um pouco rígida. Seus dedos tamborilavam no tampo da mesa em um ritmo impaciente. Cada vez que S/N saía do campo de visão daquela câmera, Yoongi sentia um aperto no estômago que nenhum império bilionário conseguia aliviar.

O Flashback:

A mente de Yoongi vagou para duas semanas atrás, logo após o “acidente” no Nível 1. Ele se lembrou da voz do Dr. Aris ecoando no corredor de mármore:

Ela é forte, Yoongi. Mas o corpo dela precisa de movimento para não atrofiar. Assim que ela conseguir sentar e andar sem desmaiar, ela precisa caminhar. O isolamento total no quarto vai matá-la psicologicamente.

Naquela mesma hora, Yoongi triplicou a segurança. Ele designou Lee, seu segurança de maior confiança, para ser a sombra de S/N. Ninguém — absolutamente ninguém — entrava ou saía da cobertura sem que ele soubesse. Ele transformou o andar mais alto da mansão em uma redoma de vidro inquebrável. Ele queria que ela caminhasse, mas queria que ela estivesse sob o seu domínio invisível.

O Presente:

Enquanto Yoongi encerrava a reunião com um aperto de mão gélido e voltava para o carro, S/N estava explorando sua prisão.

Pela primeira vez em semanas, ela cruzou o batente da porta do quarto de Yoongi. O corredor da cobertura era vasto, decorado com obras de arte que pareciam observar seus passos. S/N caminhou até a sala de estar principal. As paredes de vidro do chão ao teto revelavam uma Seul iluminada, um mar de luzes que parecia tão distante quanto outra galáxia.

Ela se encostou no vidro frio, olhando para o vazio. Mas sua mente não estava na liberdade. Estava na ausência.

Por que ele sumiu? — ela se perguntava, o reflexo de seu rosto pálido fundindo-se com as luzes da cidade. — Ele me salvou, me alimentou, me vigiou… e agora me trata como se eu fosse um móvel antigo nesta casa.

O silêncio da mansão a sufocava mais do que as paredes do isolamento. Ela se sentia como uma peça de inventário que ele decidiu guardar em uma caixa e esquecer.

A noite caiu pesada. S/N voltou para o quarto dele — o quarto que se tornara seu território por obrigação. Ela se deitou na imensidão daquela cama king-size, perguntando-se em que cama fria ele estaria dormindo. Seria em outra cobertura? Com outra mulher?

O céu de Seul resolveu desabar. Um estrondo violento de trovão fez as janelas vibrarem, seguido por um clarão que iluminou o quarto como um flash fotográfico. S/N encolheu-se, puxando o edredom até o queixo. O medo de trovões era uma herança daquelas noites de infância, quando os estrondos no céu se confundiam com os gritos em sua casa.

De repente, a porta se abriu suavemente.

Uma silhueta escura parou no umbral. O cheiro de chuva e tabaco invadiu o ambiente antes mesmo que ela pudesse processar quem era.

Yoongi estava ali. Ele parecia exausto, o cabelo levemente úmido, a gravata frouxa no pescoço. Ele parou no meio do quarto, pego de surpresa pelo fato de ela estar acordada. Por cinco segundos, o “Dono da Noite” ficou paralisado. Ele não sabia se recuava ou se avançava; sua fachada de indiferença estava rachada pelo cansaço e pela visão dela, pequena e vulnerável naquela cama.

Ele pigarreou, recompondo a pose rígida, as mãos indo para os bolsos da calça. Ele ia dizer algo cortante, ia perguntar por que ela não estava dormindo, ia reafirmar que o quarto era dele.

Mas ela foi mais rápida.

— Você pode ficar aqui essa noite? — S/N perguntou, a voz pequena, quase abafada por mais um estrondo de trovão que sacudiu a estrutura do prédio.

O silêncio que se seguiu ao pedido de S/N foi cortado apenas pelo chiado da chuva contra o vidro temperado. Yoongi sentiu um choque percorrer sua espinha, uma mistura de irritação por ser desarmado e um desejo latente de simplesmente ceder. Ele forçou uma risada anasalada, curta e seca, endurecendo as feições.

— Você deve estar delirando pela medicação ainda — ele disparou, a voz saindo como uma lâmina fria. — Este é o meu quarto, S/N. Eu fico onde eu quiser, na hora que eu quiser. Não preciso do seu convite e muito menos que você tente transformar isso em uma noite de conforto.

Ele deu as costas, os passos pesados ecoando no assoalho de madeira nobre. Quando sua mão alcançou a maçaneta de metal gélido, pronta para girar e deixá-la sozinha com seus medos, o clarão de um raio iluminou o corredor à sua frente.

A luz branca e súbita agiu como um gatilho.

FLASHBACK:

A memória o atingiu com a força de uma corrente elétrica. Ele tinha dezessete anos; ela, doze.

Yoongi estava sentado em um pequeno quiosque de hambúrgueres de rua, observando-a. Ele sabia que o pai dela estava no bar da esquina, a terceira garrafa de Soju já pela metade. Ele sabia que, em menos de trinta minutos, o homem voltaria para casa procurando um alvo para sua miséria.

Ele a chamou. Fingiu que tinha comprado comida demais e que não queria jogar fora.

— Come — ele ordenou na época, empurrando o saco de papel oleoso com hambúrguer e batatas fritas para ela. — Estou sem fome.

S/N sorriu timidamente, as mãos pequenas agarrando a comida. Mas, no meio de uma batata frita, o céu rugiu. O trovão não foi apenas um som; foi uma explosão. S/N largou o lanche, o corpo todo tremendo como uma folha ao vento. Seus olhos se arregalaram, transbordando um pavor que não condizia com uma simples chuva.

— Eu… eu preciso ir. Meu pai… ele vai ficar bravo se eu não estiver lá — ela gaguejou, levantando-se e correndo em direção à chuva torrencial.

Yoongi praguejou e correu atrás dela. A água encharcava suas roupas em segundos. Ele a alcançou no meio da rua deserta, agarrando-a pelo braço para impedi-la de voltar para o inferno que a esperava em casa.

— Me solta! Eu tenho que ir! — ela gritava, mas quando o céu brilhou novamente, ela se encolheu contra o peito de Yoongi, as mãos agarrando a jaqueta dele com uma força desesperada.

Ele a levou para o seu “esconderijo pessoal”: um porão abandonado sob um prédio comercial que ele mesmo havia limpado e onde guardava seus cadernos de música, longe dos olhos críticos de seu pai mafioso.

Lá, depois de dar a ela uma de suas camisetas secas que ficava enorme no corpo dela, o silêncio finalmente permitiu a verdade.

— Minha mãe… — ela começou, os olhos fixos em um canto escuro enquanto os trovões continuavam lá fora. — No dia do acidente, estava chovendo assim. O carro capotou… estava escuro e o barulho era igual a esse. Ela se jogou por cima de mim, Suga. Eu senti o corpo dela ficar pesado… ela me protegeu com tudo o que tinha. Eu só tive arranhões. Ela nunca mais acordou. Sempre que troveja, eu sinto que o carro está capotando de novo.

Naquela noite, o jovem Yoongi não disse nada. Ele apenas sentou ao lado dela e deixou que ela segurasse sua mão até o sol nascer.

PRESENTE

Yoongi fechou os olhos com força, ainda segurando a maçaneta. O estalo de um trovão atual, muito mais potente, fez a estrutura da cobertura vibrar. Ele soltou um suspiro pesado, um som de derrota que ele jamais admitiria em voz alta.

— Que inferno… — ele sibilou entre dentes.

Ele soltou a maçaneta e virou-se. S/N ainda o observava, encolhida, os olhos brilhando com a expectativa do abandono. Yoongi caminhou até o canto do quarto e agarrou a poltrona de couro pesado, arrastando-a pelo chão com um ruído surdo até posicioná-la bem ao lado da cama.

Ele se sentou, cruzando as pernas e os braços, a expressão fechada, tentando recuperar cada grama de sua pose de durão.

— Durma logo — ele ordenou, a voz baixa, mas não mais cortante. — Se você abrir a boca para dizer mais uma palavra, eu saio por aquela porta.

Ele fez um estalo impaciente com a língua, desviando o olhar para a janela, onde a tempestade castigava a cidade. No escuro, ele ouviu o som do lençol se movendo enquanto ela se acomodava, e o ritmo da respiração dela, que finalmente começava a desacelerar.

Yoongi ficou ali, a sentinela silenciosa na escuridão, protegendo-a do céu e, principalmente, protegendo o segredo de que ele ainda era o mesmo menino que a salvara na chuva.

20 Comentários

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  1. Anne
    Feb 6, '26 at 2:45 pm

    — Minha mãe… — ela começou, os olhos fixos em um canto escuro enquanto os trovões continuavam lá fora. — No dia do acidente, estava chovendo assim. O carro capotou… estava escuro e o barulho era igual a esse. Ela se jogou por cima de mim, Suga. Eu senti o corpo dela ficar pesado… ela me protegeu com tudo o que tinha. Eu só tive arranhões. Ela nunca mais acordou. Sempre que troveja, eu sinto que o carro está capotando de novo.

    Nossa que trágico isso com a mãe dela.

    1. Marcela
      @AnneFeb 6, '26 at 4:44 pm

      S/N sorriu timidamente, as mãos pequenas agarrando a comida. Mas, no meio de uma batata frita, o céu rugiu. O trovão não foi apenas um som; foi uma explosão. S/N largou o lanche, o corpo todo tremendo como uma folha ao vento. Seus olhos se arregalaram, transbordando um pavor que não condizia com uma simples chuva.

      Trovão trás lembranças a ela, e ele sabe disso
      Por isso correu para o quarto, quando viu que tava chovendo e com trovão.

  2. Anne
    Feb 6, '26 at 2:46 pm

    — Eu… eu preciso ir. Meu pai… ele vai ficar bravo se eu não estiver lá — ela gaguejou, levantando-se e correndo em direção à chuva torrencial.

    Talvez pelo que aconteceu com a mãe dela. O pai batia nela, talvez culpando-a pelo que aconteceu

  3. Anne
    Feb 6, '26 at 2:47 pm

    Yoongi ficou ali, a sentinela silenciosa na escuridão, protegendo-a do céu e, principalmente, protegendo o segredo de que ele ainda era o mesmo menino que a salvara na chuva.

    No final das contas. Ele sempre protegeu ela e agora está ali, todo “durão”

  4. Marcela
    Feb 6, '26 at 4:40 pm

    — Você pode ficar aqui essa noite? — S/N perguntou, a voz pequena, quase abafada por mais um estrondo de trovão que sacudiu a estrutura do prédio.

    Com esse pedido, acabou com o homem kkkk

  5. IASMINE
    Feb 6, '26 at 9:14 pm

    — Minha mãe… — ela começou, os olhos fixos em um canto escuro enquanto os trovões continuavam lá fora. — No dia do acidente, estava chovendo assim. O carro capotou… estava escuro e o barulho era igual a esse. Ela se jogou por cima de mim, Suga. Eu senti o corpo dela ficar pesado… ela me protegeu com tudo o que tinha. Eu só tive arranhões. Ela nunca mais acordou. Sempre que troveja, eu sinto que o carro está capotando de novo.

    Nooossa que dó, isso aqui foi muito triste.. e ainda aquele pai bosta pra piorar

  6. IASMINE
    Feb 6, '26 at 9:16 pm

    Yoongi ficou ali, a sentinela silenciosa na escuridão, protegendo-a do céu e, principalmente, protegendo o segredo de que ele ainda era o mesmo menino que a salvara na chuva.

    Ta cada vez mais insustentável ele manter essa máscara de Durão

  7. Nathy
    Feb 6, '26 at 11:14 pm

    Ele doidinho pra abraçar ela

  8. Nathy
    Feb 6, '26 at 11:14 pm

    Aí cara, eu tô amando isso

  9. Nathy
    Feb 6, '26 at 11:14 pm

    Meu “malvado” favorito

  10. Luana
    Feb 21, '26 at 5:47 pm

    Haaa coitada gente

  11. Luana
    Feb 21, '26 at 5:47 pm

    Yoongi não me estressa … Vai logo lá por favor

  12. Karine
    Feb 24, '26 at 2:55 pm

    A noite caiu pesada. S/N voltou para o quarto dele — o quarto que se tornara seu território por obrigação. Ela se deitou na imensidão daquela cama king-size, perguntando-se em que cama fria ele estaria dormindo. Seria em outra cobertura? Com outra mulher?

    Nem dormindo ele deve estar

  13. Karine
    Feb 24, '26 at 2:59 pm

    Mas ela foi mais rápida.

    Cabô pro homem

  14. Karine
    Feb 24, '26 at 3:02 pm

    — Come — ele ordenou na época, empurrando o saco de papel oleoso com hambúrguer e batatas fritas para ela. — Estou sem fome.

    Aah a carinha dele kkk

  15. Karine
    Feb 24, '26 at 3:06 pm

    Yoongi ficou ali, a sentinela silenciosa na escuridão, protegendo-a do céu e, principalmente, protegendo o segredo de que ele ainda era o mesmo menino que a salvara na chuva.

    Mas precisa dessa ignorância toda moreno

  16. Thamiris
    Mar 19, '26 at 7:46 pm

    Mas, enquanto os homens falavam sobre satélites e criptografia, o celular de Yoongi estava posicionado sobre a mesa de carvalho, com a tela acesa em brilho mínimo.

    Ta pior que stalker

  17. Thamiris
    Mar 19, '26 at 7:57 pm

    — Come — ele ordenou na época, empurrando o saco de papel oleoso com hambúrguer e batatas fritas para ela. — Estou sem fome.

    ,esse vídeo do Yoon esfomeado kk

  18. Thamiris
    Mar 19, '26 at 8:00 pm

    — Minha mãe… — ela começou, os olhos fixos em um canto escuro enquanto os trovões continuavam lá fora. — No dia do acidente, estava chovendo assim. O carro capotou… estava escuro e o barulho era igual a esse. Ela se jogou por cima de mim, Suga. Eu senti o corpo dela ficar pesado… ela me protegeu com tudo o que tinha. Eu só tive arranhões. Ela nunca mais acordou. Sempre que troveja, eu sinto que o carro está capotando de novo.

    Ah meu Deus ,coitada dela

  19. Thamiris
    Mar 19, '26 at 8:01 pm

    Yoongi ficou ali, a sentinela silenciosa na escuridão, protegendo-a do céu e, principalmente, protegendo o segredo de que ele ainda era o mesmo menino que a salvara na chuva.

    Só ele não vê,que tá tudo se repetindo

Nota

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