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O clima de paz da noite anterior foi estilhaçado pela luz fria do fim da tarde. Yoongi estava de pé diante da janela, a silhueta recortada contra o céu que começava a escurecer. Ele terminava de abotoar os punhos de sua camisa social com uma precisão cirúrgica, o rosto rígido, como se estivesse vestindo uma armadura para a guerra.

S/N acordou e, por um momento, o mundo ainda parecia doce. Ela viu as costas largas dele e sorriu, um brilho de satisfação e ternura nos olhos. Sentindo-se segura pela primeira vez, ela escorregou da cama, ainda nua, e caminhou até ele. Seus braços envolveram a cintura de Yoongi e ela pressionou o rosto contra suas costas, deixando um beijo suave entre as escápulas.

— Por que não me acordou? — ela sussurrou, a voz ainda rouca de sono. — Já vai trabalhar?

O corpo de Yoongi ficou teso como uma corda de aço. Ele pigarreou, um som seco e desprovido de qualquer afeto, e se afastou dela com um movimento brusco, como se o toque dela fosse algo infectado, algo que lhe desse nojo.

S/N ficou paralisada no meio do quarto. Seus braços continuaram erguidos por um segundo, abraçando o ar, enquanto seus olhos se arregalavam e a testa franzia em uma confusão dolorosa. Yoongi se virou para encará-la e sentiu um prazer sombrio ao ver o impacto. Aquele olhar de desorientação dela era o combustível que ele precisava para acreditar que estava, finalmente, “voltando ao controle”.

— Temos um jantar importante hoje — ele disse, a voz gélida, enquanto ajustava o relógio de luxo no pulso. — Você vai comigo. Tem alguém que preciso impressionar e você… — ele fez uma pausa deliberada, as palavras parecendo ter dificuldade para sair, como se ele não quisesse que aquilo acontecesse. — …você vai me ajudar com isso.

S/N, ainda tentando processar a mudança brusca de temperatura, deu um passo à frente. Ela esticou o braço, tentando tocar o braço dele, buscando o homem que a segurara com tanto fervor horas antes.

— Yoongi, o que aconteceu? Por que está falando assim?

Ele se esquivou do toque dela com uma agilidade cruel.

— Sua roupa está em seu quarto. Vá se arrumar — ele ordenou, os olhos fixos em qualquer lugar, menos nos dela.

— No seu quarto? — ela perguntou, olhando ao redor da suíte master, o coração começando a acelerar de angústia. — Onde?

Yoongi soltou uma risada irônica, um som curto e sem humor que chicoteou o silêncio.

— No quarto de hóspedes, é claro. Você não queria tanto ficar lá embaixo? Decidi que vou permitir que fique. Afinal, cada coisa deve estar em seu devido lugar, não é? O “erro” precisa de sombras.

S/N abriu a boca para falar, sentindo as lágrimas de humilhação começarem a arder, mas ele a cortou com um gesto impaciente, apontando para a porta.

— Não me faça esperar, S/N. Você tem uma hora. Se não estiver pronta, eu mesmo te arrasto daqui, e garanto que não será de forma gentil. Saia. Agora.

Ela saiu do quarto sentindo-se mais nua do que quando entrou. Enquanto a porta batia atrás dela, Yoongi fechou os olhos e apertou a borda da mesa com tanta força que os nós de seus dedos ficaram brancos. Ele a tinha chutado de volta para o poço, mas o buraco em seu próprio peito parecia ter ficado ainda maior.

O corredor parecia ter quilômetros de extensão. S/N caminhava mecanicamente, os pés descalços mal sentindo o tapete caro. O robe de seda estava mal amarrado, escorregando pelo ombro, mas ela não se importava. Seus olhos estavam fixos no vazio, inundados por lágrimas que ela se recusava a deixar cair na frente dos guardas que a observavam com curiosidade e pena.

— Eu pensei… — ela murmurou para as paredes frias, a voz falhando em um sussurro quebrado. — Eu pensei que ele estava voltando para mim. Pensei que estava conseguindo trazer meu Suga de volta…

Cada palavra doía mais que um golpe físico. A esperança, que havia florescido com tanta força no calor do peito de Yoongi, agora parecia um veneno que ela mesma havia ingerido. Ela entrou no quarto de hóspedes — o seu exílio — e moveu-se como uma boneca de porcelana cujas cordas haviam sido cortadas.

Não tinha dado nem uma hora desde a ordem brutal de Yoongi. S/N já havia tomado o banho mais frio de sua vida, tentando lavar o cheiro dele de sua pele, embora soubesse que ele estava tatuado em sua memória. Ela se vestira com uma perfeição dolorosa: um vestido que exalava elegância e frieza, o rosto coberto por uma maquiagem impecável que escondia a vermelhidão das pálpebras.

Ela subiu as escadas novamente, mas não parou na suíte master como se pertencesse àquele lugar. Ela parou diante da porta de carvalho e, em vez de girar a maçaneta com a intimidade da noite anterior, ela estendeu o punho trêmulo e deu três batidas secas e formais.

— Estou pronta — disse ela.

A voz saiu embargada, carregada de um peso que nenhuma joia ou vestido de grife poderia disfarçar. O silêncio que veio do outro lado da porta por alguns segundos foi sufocante.

Lá dentro, Yoongi travou ao ouvir as batidas. Aquela formalidade o atingiu como um soco no estômago. Era exatamente o que ele queria — distância, respeito, submissão — mas o som da voz dela, tão quebrada, fez com que ele sentisse uma vontade momentânea de destruir tudo ao seu redor. Ele respirou fundo, endireitou a postura e abriu a porta.

Ele a encarou. Ela estava deslumbrante, mas seus olhos estavam mortos. O brilho que ele vira na manhã de hoje havia sido substituído por uma névoa de dor lúcida.

— Ótimo — ele disse, a voz cortante como vidro, passando por ela sem tocá-la. — Vamos. Não me faça perder mais tempo.

S/N apenas baixou a cabeça e o seguiu, mantendo os dois passos de distância regulamentares, como uma sombra que ele havia decidido, por puro capricho, trazer de volta para a luz apenas para que pudesse vê-la sofrer melhor.

O trajeto até o elevador foi um corredor de silêncio cortante. Quando as portas metálicas se fecharam, o espaço pareceu pequeno demais para a tensão que emanava de Yoongi. S/N buscou o olhar dele, a boca abrindo para tentar uma última vez entender o que havia mudado, mas ele não deu espaço.

— Nem tente — ele cortou, a voz gélida enquanto ajustava as abotoaduras sem olhar para ela. — Você vai fazer exatamente o que eu mandar. Sem perguntas, sem dramas. Estou preparando este negócio há meses e não vou deixar que sua instabilidade estrague nada.

S/N sentiu o nó na garganta apertar tanto que chegava a doer fisicamente. Ela apenas assentiu, baixando os olhos para os próprios sapatos.

Quando as portas se abriram, o ambiente que os recebeu era o ápice da decadência luxuosa da máfia. Era um salão privado, perfumado com tabaco caro e perfumes femininos intensos. Mulheres deslumbrantes — as acompanhantes de nível um e dois da organização — circulavam pelo local. Algumas serviam bebidas com sorrisos ensaiados, outras já estavam acomodadas de forma íntima no colo de convidados que riam alto, cercados por seguranças armados.

Yoongi caminhou com a autoridade de um imperador. Ele puxou a cadeira na cabeceira da mesa principal e sentou-se, exalando poder. S/N, habituada à dinâmica da noite anterior, fez menção de se sentar na cadeira imediatamente ao lado dele, buscando o único refúgio que conhecia naquele ninho de cobras.

O olhar que Yoongi disparou contra ela foi como uma chicotada.

— O que pensa que está fazendo? — ele sibilou, o desprezo gotejando de cada sílaba. — Acha que é uma convidada de honra? Seu lugar não é aqui, nesta mesa.

S/N estancou, a mão ainda apoiada no encosto da cadeira de veludo. O sangue fugiu de seu rosto, deixando-a pálida sob as luzes de cristal.

— Sente-se ali com as outras — ele apontou para um sofá lateral onde outras mulheres aguardavam ordens, como mercadorias em uma vitrine. — E espere ser chamada.

A humilhação foi tão súbita que S/N sentiu o chão oscilar. Ela olhou para a cadeira ao lado dele, depois para o sofá cheio de mulheres que eram tratadas como meros objetos de decoração, e por fim para ele. A dor em seus olhos era gritante, uma pergunta silenciosa que gritava: “Depois de tudo que vivemos ontem, é assim que você me descarta?”

Mas antes que ela pudesse dar o primeiro passo para o exílio, Yoongi ergueu a mão e estalou os dedos, chamando uma das acompanhantes de nível um, uma mulher de vestido vermelho provocante que se aproximou prontamente. Com um sorriso de canto, ele a puxou para o seu colo, passando o braço pela cintura dela com uma possessividade que, horas atrás, pertencia apenas a S/N.

S/N sentiu o estômago revirar. Ela abaixou a cabeça imediatamente, os fios de cabelo caindo sobre o rosto para esconder a primeira lágrima que traiu sua resistência. Ela caminhou até o sofá indicado, sentindo o peso de ser apenas mais uma na coleção dele, enquanto o som da risada da mulher no colo de Yoongi ecoava como um lembrete cruel de que, para o “Dono da Noite”, ela era apenas o erro que ele estava determinado a apagar.

17 Comentários

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  1. Thamiris
    Mar 23, '26 at 1:51 pm

    Se eu fosse a sn sentava num cara bem gostoso e deixava o Yoon morder a testa de raiva

  2. Thamiris
    Mar 23, '26 at 1:43 pm

    Lá dentro, Yoongi travou ao ouvir as batidas. Aquela formalidade o atingiu como um soco no estômago. Era exatamente o que ele queria — distância, respeito, submissão — mas o som da voz dela, tão quebrada, fez com que ele sentisse uma vontade momentânea de destruir tudo ao seu redor. Ele respirou fundo, endireitou a postura e abriu a porta.

    Idiota

  3. Thamiris
    Mar 23, '26 at 11:09 am

    — No quarto de hóspedes, é claro. Você não queria tanto ficar lá embaixo? Decidi que vou permitir que fique. Afinal, cada coisa deve estar em seu devido lugar, não é? O “erro” precisa de sombras.

    Te odeio Yoongi

  4. Karine
    Mar 2, '26 at 8:49 pm

    A humilhação foi tão súbita que S/N sentiu o chão oscilar. Ela olhou para a cadeira ao lado dele, depois para o sofá cheio de mulheres que eram tratadas como meros objetos de decoração, e por fim para ele. A dor em seus olhos era gritante, uma pergunta silenciosa que gritava: “Depois de tudo que vivemos ontem, é assim que você me descarta?”

    Elle é maluco, foge miga

  5. Karine
    Mar 2, '26 at 8:47 pm

    — Nem tente — ele cortou, a voz gélida enquanto ajustava as abotoaduras sem olhar para ela. — Você vai fazer exatamente o que eu mandar. Sem perguntas, sem dramas. Estou preparando este negócio há meses e não vou deixar que sua instabilidade estrague nada.

    Corte rápido Tramontina

  6. Karine
    Mar 2, '26 at 8:44 pm

    Não tinha dado nem uma hora desde a ordem brutal de Yoongi. S/N já havia tomado o banho mais frio de sua vida, tentando lavar o cheiro dele de sua pele, embora soubesse que ele estava tatuado em sua memória. Ela se vestira com uma perfeição dolorosa: um vestido que exalava elegância e frieza, o rosto coberto por uma maquiagem impecável que escondia a vermelhidão das pálpebras.

    Vestida para matar! Ou morrer..

  7. Karine
    Mar 2, '26 at 8:40 pm

    — No quarto de hóspedes, é claro. Você não queria tanto ficar lá embaixo? Decidi que vou permitir que fique. Afinal, cada coisa deve estar em seu devido lugar, não é? O “erro” precisa de sombras.

    Aai q ódio não acredito

  8. Karine
    Mar 2, '26 at 8:38 pm

    — Temos um jantar importante hoje — ele disse, a voz gélida, enquanto ajustava o relógio de luxo no pulso. — Você vai comigo. Tem alguém que preciso impressionar e você… — ele fez uma pausa deliberada, as palavras parecendo ter dificuldade para sair, como se ele não quisesse que aquilo acontecesse. — …você vai me ajudar com isso.

    MDs q cachorro

  9. Karine
    Mar 2, '26 at 8:37 pm

    S/N acordou e, por um momento, o mundo ainda parecia doce. Ela viu as costas largas dele e sorriu, um brilho de satisfação e ternura nos olhos. Sentindo-se segura pela primeira vez, ela escorregou da cama, ainda nua, e caminhou até ele. Seus braços envolveram a cintura de Yoongi e ela pressionou o rosto contra suas costas, deixando um beijo suave entre as escápulas.

    Ai miga ce nem sabe

    1. Thamiris
      @KarineMar 23, '26 at 1:49 pm

      [quote]— Sente-se ali com as outras — ele apontou para um sofá lateral onde outras mulheres aguardavam ordens, como mercadorias em uma vitrine. — E espere ser chamada. [/quote
      Já disse que eu odeio o Yoon

  10. Sheila
    Feb 22, '26 at 9:51 pm

    Mas antes que ela pudesse dar o primeiro passo para o exílio, Yoongi ergueu a mão e estalou os dedos, chamando uma das acompanhantes de nível um, uma mulher de vestido vermelho provocante que se aproximou prontamente. Com um sorriso de canto, ele a puxou para o seu colo, passando o braço pela cintura dela com uma possessividade que, horas atrás, pertencia apenas a S/N.

    Fez ela chorar novamente!!! Ok ok ok!!!
    SN… ele é muito difícil, mas o coração dele é somente seu!!!

  11. Sheila
    Feb 22, '26 at 9:48 pm

    Lá dentro, Yoongi travou ao ouvir as batidas. Aquela formalidade o atingiu como um soco no estômago. Era exatamente o que ele queria — distância, respeito, submissão — mas o som da voz dela, tão quebrada, fez com que ele sentisse uma vontade momentânea de destruir tudo ao seu redor. Ele respirou fundo, endireitou a postura e abriu a porta.

    Não adianta, tudo que tentar fazer, será em vão… vc pertence a SN!!! Seu corpo, coração, pensamento e alma!!!

  12. Sheila
    Feb 22, '26 at 9:46 pm

    — O que pensa que está fazendo? — ele sibilou, o desprezo gotejando de cada sílaba. — Acha que é uma convidada de honra? Seu lugar não é aqui, nesta mesa.

    Abusado!!! Mas não adianta fugir… vc é da SN!!! Totalmente!!! Kkkk

  13. Sheila
    Feb 22, '26 at 9:45 pm

    S/N sentiu o estômago revirar. Ela abaixou a cabeça imediatamente, os fios de cabelo caindo sobre o rosto para esconder a primeira lágrima que traiu sua resistência. Ela caminhou até o sofá indicado, sentindo o peso de ser apenas mais uma na coleção dele, enquanto o som da risada da mulher no colo de Yoongi ecoava como um lembrete cruel de que, para o “Dono da Noite”, ela era apenas o erro que ele estava determinado a apagar.

    Nossa cafajeste… que raiva de vc Yoongi!!!
    Mas não vai adiantar nada!!! Seu coração é da SN!!! Kkkk

  14. Marcela
    Feb 16, '26 at 1:13 pm

    — Ótimo — ele disse, a voz cortante como vidro, passando por ela sem tocá-la. — Vamos. Não me faça perder mais tempo.

    Nem um pouquinho frio, graças a Deus

  15. Marcela
    Feb 16, '26 at 1:08 pm

    — Eu pensei… — ela murmurou para as paredes frias, a voz falhando em um sussurro quebrado. — Eu pensei que ele estava voltando para mim. Pensei que estava conseguindo trazer meu Suga de volta…

    “Trazer o meu suga de volta ”
    Aaah gente, coitadaaa

  16. IASMINE
    Feb 16, '26 at 12:49 am

    S/N sentiu o estômago revirar. Ela abaixou a cabeça imediatamente, os fios de cabelo caindo sobre o rosto para esconder a primeira lágrima que traiu sua resistência. Ela caminhou até o sofá indicado, sentindo o peso de ser apenas mais uma na coleção dele, enquanto o som da risada da mulher no colo de Yoongi ecoava como um lembrete cruel de que, para o “Dono da Noite”, ela era apenas o erro que ele estava determinado a apagar.

    Meu deus como ele é cruel com ela, pqp to perplexa

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