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O silêncio que se seguiu ao som da porta se fechando foi o mais ensurdecedor da vida de Yoongi. Ele viu, pelo reflexo do espelho no quarto da outra mulher, o vulto de S/N se afastando da fresta da porta. O plano de “retomar o controle” tinha funcionado, mas o preço era um vazio que corroía suas entranhas como ácido. Ele se afastou da garota bruscamente, o prazer simulado transformando-se em náusea.

Enquanto isso, S/N entrava no quarto de hóspedes. O ar ali parecia ter acabado. Ela não chorava mais; a dor havia atingido um estágio de dormência letal. Desde a morte de sua mãe, a vida tinha sido um deserto, e o pequeno Suga era a única oásis. Ela sobreviveu ao luto, sobreviveu à negligência do pai e até à venda para Yoongi, alimentando-se das memórias do garoto que a protegia. Mas agora… o protetor havia se tornado o carrasco. O amor da sua vida a tinha vendido como gado enquanto se entregava a outra.

Ela não levaria aquela dor para o Japão. Não permitiria que outro homem a tocasse. S/N caminhou até o banheiro com movimentos lentos, quase graciosos. Ela encontrou uma lâmina descartável e, com as mãos trêmulas, mas decididas, abriu o metal.

Ela sentou-se no chão frio, encostando a cabeça na parede. Ao sentir o primeiro corte profundo no pulso, a dor física foi um alívio perto do que sentia no peito. O sangue começou a escorrer, quente e vibrante contra a porcelana branca.

Fechando os olhos, ela buscou o último refúgio.

A Memória: Eles estavam no porão úmido da antiga casa, escondidos do mundo. Um filme de terror passava na TV velha. Em um susto súbito, S/N se jogou para o lado, e Suga a aparou instintivamente. Seus rostos ficaram a milímetros de distância. O cheiro de sabonete barato dele, o calor da respiração… o primeiro beijo aconteceu ali, doce e desajeitado.

— Eu tentei, Suga… — ela sussurrou, a voz sumindo. — Eu tentei te trazer de volta…

No corredor, Yoongi caminhava a passos largos. Ele se odiava. A imagem de S/N no leilão, com os olhos sem vida, o perseguia. Ele ia entrar naquele quarto, dizer que o leilão era falso, que ele só queria testá-la… para ver um brilho de vida naqueles olhos novamente.

Ele abriu a porta do quarto de hóspedes sem bater. — S/N? Chega desse teatro. Eu…

O silêncio o respondeu. Ele viu a porta do banheiro aberta e uma poça vermelha escorrendo pelo portal. O coração de Yoongi parou.

— S/N! — Ele gritou, arrombando a porta do banheiro.

Ele a encontrou pálida, com a cabeça pendida para o lado e o sangue banhando o chão. Yoongi caiu de joelhos ao lado dela, rasgando a própria camisa para estancar os cortes, as mãos manchadas de vermelho, o pânico nublando sua visão.

— Não, não, não! S/N, acorda! Abre os olhos, porra! — Ele a puxou contra o peito, sujando-se inteiro. — Eu não te vendi, eu não ia deixar você ir… acorda!

O pânico de Yoongi era algo visceral, uma força que ele não sentia desde a noite em que o fogo consumiu sua antiga vida. As mãos dele, costumadas a causar dor, agora tremiam violentamente enquanto ele pressionava o tecido da camisa contra os pulsos dela. O sangue quente escapava entre seus dedos, manchando sua pele e o chão de mármore branco.

— Fica comigo, S/N! — ele gritava, a voz quebrando. — Não ousa me deixar agora!

Com uma das mãos, ele tateou o celular, discando o número do médico da família com fúria. — Traga tudo! Equipamento de transfusão, kit de trauma, AGORA! Se ela morrer, eu mato você e toda a sua equipe! — ele rugiu no aparelho antes de jogá-lo longe.

S/N moveu a cabeça lentamente, os olhos semicerrados e sem foco. Ela parecia estar em um lugar muito distante, onde a dor de Yoongi não podia mais alcançá-la.

— Eu tentei… — ela murmurou, a voz sendo apenas um sopro de ar que carregava o cheiro de ferro do sangue. — Tentei te trazer de volta… achei… que tinha conseguido…

Yoongi paralisou. A confusão o atingiu como um soco. — Do que você está falando? — ele perguntou, o rosto molhado de suor e lágrimas que ele sequer percebia. — Trazer quem de volta? Eu estou aqui, S/N! Eu não te vendi, era um jogo, um teste maldito… por favor…

Ele não entendia. Sua mente paranoica ainda tentava processar as palavras dela como um delírio causado pela perda de sangue. Trazer quem de volta?

O médico e dois enfermeiros invadiram o quarto, trazendo maletas e luzes que cortaram a penumbra do banheiro. Yoongi se recusava a soltá-la, agindo como um animal ferido protegendo sua única posse.

— Senhor Min, precisamos de espaço! — o médico exclamou, tentando afastar as mãos dele dos ferimentos.

Nesse exato momento, antes que a consciência de S/N se apagasse completamente, ela reuniu o último resquício de força que restava em seu corpo. Ela levantou a mão trêmula, os dedos sujos de vermelho, e tocou suavemente o rosto de Yoongi, deixando um rastro de sangue em sua bochecha.

— Suga… — ela sussurrou, o nome saindo com uma ternura que ele não ouvia há mais de uma década.

A mão dela escorregou e caiu sem vida contra o peito dele, enquanto os olhos dela se fechavam.

Yoongi ficou estático, como se tivesse sido atingido por um raio. O mundo ao seu redor — os médicos gritando ordens, o barulho dos aparelhos, o caos — desapareceu. Apenas aquele nome ecoava em seu crânio. Suga. Seu antigo nome, o que ele havia enterrado em uma cova rasa junto com sua infância. O nome que ninguém, em toda a Seul, ousava ou sabia pronunciar.

— Como você… — ele começou a dizer, mas sua voz sumiu.

Os enfermeiros o empurraram para trás para começar a reanimação. Yoongi ficou sentado no chão do banheiro, coberto pelo sangue da mulher que ele tentou quebrar, encarando as próprias mãos. A ficha finalmente caiu, devastadora: ela sabia…

Um tempo depois…

O corredor da mansão estava mergulhado em um silêncio sepulcral, interrompido apenas pelo bipe rítmico e frio dos monitores cardíacos vindo do quarto médico. Yoongi estava sentado no chão do corredor, as costas apoiadas na parede, as mãos ainda manchadas pelo sangue seco de S/N. Ele fechou os olhos, e o cansaço extremo, misturado ao choque, o arrastou para baixo, para as profundezas de uma memória que ele nem lembrava que existia, por conta do trauma que ele viveu um pouco tempo depois disso…

A Memória:

O cheiro era de mofo e umidade, mas para eles, aquele porão era um castelo. Do lado de fora, o mundo era cruel — o pai de Yoongi era um monstro em ascensão na máfia, e o pai de S/N era um homem que já a via como moeda de troca.

Ali, à luz de uma única lâmpada amarela que balançava no teto, Yoongi — ela chamava ele de Suga por causa do seu sorriso doce e pele pálida — dividia um fone de ouvido com ela. Eles assistiam a um filme de terror em uma TV de tubo roubada do ferro-velho.

S/N deu um pulo quando o vilão apareceu na tela, soltando um grito baixinho e se jogando nos braços dele. Suga a segurou instintivamente, o coração batendo mais rápido que o dela. Seus rostos ficaram colados, o hálito de ambos misturando-se no ar frio.

— Eu estou aqui — ele sussurrou, a voz de um menino que já carregava o peso de um homem. — Eu nunca vou deixar nada te pegar.

Ele se inclinou e a beijou. Foi um toque desajeitado, com gosto de inocência e medo. S/N se afastou um pouco, os olhos brilhando.

— Promete? — ela perguntou, a voz trêmula. — Promete que, se as coisas ficarem ruins, você vai me buscar?

Suga segurou o rosto dela com as mãos pequenas, mas firmes.

— Eu prometo, S/N. Não importa o que aconteça, não importa onde eu esteja… eu vou ser o seu escudo. Se o mundo tentar te quebrar, eu quebro o mundo primeiro. Eu sempre vou voltar para você. Eu sou o seu Suga, e você é a minha pequena tangerina e a minha única para não virar um monstro como o meu pai.

Yoongi abriu os olhos abruptamente na penumbra do corredor. A promessa ecoava em sua mente como um grito de condenação.

Ele olhou para as próprias mãos. As mãos que deveriam ser o escudo dela foram as que a feriram. O homem que prometeu “quebrar o mundo para não deixá-la quebrar” foi exatamente quem a empurrou para o abismo.

— Eu quebrei a promessa… — ele sibilou, a voz embargada pelo ódio de si mesmo. — Eu me tornei o monstro de quem eu prometi te proteger.

Ele se levantou, sentindo cada músculo doer. A “traição” que ele sentiu ao ouvir a gravação agora parecia uma piada de mau gosto. Ela não estava tentando manipulá-lo; ela estava tentando reconhecê-lo. Ela estava beijando a cicatriz que ele ganhou na noite em que “morreu” para o mundo, tentando encontrar o menino que ele jurou que nunca deixaria de ser.

Yoongi caminhou até a porta do quarto médico e viu, através do vidro, o corpo frágil de S/N ligado a máquinas. A fúria começou a queimar em seu peito, mas dessa vez não era contra ela. Era contra o homem que ele via no espelho.

24 Comentários

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  1. Thamiris
    Mar 23, '26 at 2:13 pm

    Ele se inclinou e a beijou. Foi um toque desajeitado, com gosto de inocência e medo. S/N se afastou um pouco, os olhos brilhando.

    Como a pessoa esquece dissoe

  2. Thamiris
    Mar 23, '26 at 2:08 pm

    — Não, não, não! S/N, acorda! Abre os olhos, porra! — Ele a puxou contra o peito, sujando-se inteiro. — Eu não te vendi, eu não ia deixar você ir… acorda!

    Culpa tua
    Seu idiota

  3. Thamiris
    Mar 23, '26 at 2:06 pm

    Ela sentou-se no chão frio, encostando a cabeça na parede. Ao sentir o primeiro corte profundo no pulso, a dor física foi um alívio perto do que sentia no peito. O sangue começou a escorrer, quente e vibrante contra a porcelana branca.

    Meu Deus ‍

  4. Karine
    Mar 2, '26 at 9:09 pm

    Yoongi caminhou até a porta do quarto médico e viu, através do vidro, o corpo frágil de S/N ligado a máquinas. A fúria começou a queimar em seu peito, mas dessa vez não era contra ela. Era contra o homem que ele via no espelho.

    Ta vendo seu burro

  5. Karine
    Mar 2, '26 at 9:04 pm

    — Não, não, não! S/N, acorda! Abre os olhos, porra! — Ele a puxou contra o peito, sujando-se inteiro. — Eu não te vendi, eu não ia deixar você ir… acorda!

    Eu to igual a S/N Me sentindo uma palhaça kkkk ódiooooo

  6. Karine
    Mar 2, '26 at 9:02 pm

    Ela sentou-se no chão frio, encostando a cabeça na parede. Ao sentir o primeiro corte profundo no pulso, a dor física foi um alívio perto do que sentia no peito. O sangue começou a escorrer, quente e vibrante contra a porcelana branca.

    Eu faria o mesmo

  7. Sheila
    Feb 22, '26 at 10:31 pm

    — Eu prometo, S/N. Não importa o que aconteça, não importa onde eu esteja… eu vou ser o seu escudo. Se o mundo tentar te quebrar, eu quebro o mundo primeiro. Eu sempre vou voltar para você. Eu sou o seu Suga, e você é a minha pequena tangerina e a minha única para não virar um monstro como o meu pai.

    Como pode, como pode?!
    O que irá fazer se ela morrer?!
    Em seu idiota!!! Eu aqui com raiva do personagem!!! Kkkk

  8. Sheila
    Feb 22, '26 at 10:30 pm

    Nesse exato momento, antes que a consciência de S/N se apagasse completamente, ela reuniu o último resquício de força que restava em seu corpo. Ela levantou a mão trêmula, os dedos sujos de vermelho, e tocou suavemente o rosto de Yoongi, deixando um rastro de sangue em sua bochecha.

    Estou triste aqui… não vou chorar!!! Me recuso!!! Mas a raiva não tem como evitar!!!

  9. Sheila
    Feb 22, '26 at 10:28 pm

    — Não, não, não! S/N, acorda! Abre os olhos, porra! — Ele a puxou contra o peito, sujando-se inteiro. — Eu não te vendi, eu não ia deixar você ir… acorda!

    Olha aí!!! O que vc fez?! Brincadeira isso viu!!!
    Eu não te vendi!!! Agora vc fala isso?!

  10. Sheila
    Feb 22, '26 at 10:27 pm

    Ela sentou-se no chão frio, encostando a cabeça na parede. Ao sentir o primeiro corte profundo no pulso, a dor física foi um alívio perto do que sentia no peito. O sangue começou a escorrer, quente e vibrante contra a porcelana branca.

    Como assim?! Porque fez isso?! Estou nervosa aqui!!! Não era para ser assim!!! Raiva!!! Fic triste!!! Não né?!

  11. Luana
    Feb 21, '26 at 11:33 pm

    Que homem escorto do caramba !

  12. Luana
    Feb 21, '26 at 11:33 pm

    Me acabando de chorar

  13. Marcela
    Feb 16, '26 at 3:06 pm

    — Eu prometo, S/N. Não importa o que aconteça, não importa onde eu esteja… eu vou ser o seu escudo. Se o mundo tentar te quebrar, eu quebro o mundo primeiro. Eu sempre vou voltar para você. Eu sou o seu Suga, e você é a minha pequena tangerina e a minha única para não virar um monstro como o meu pai.

    Ele prometeu e fez completamente o contrário

  14. Marcela
    Feb 16, '26 at 3:02 pm

    Ali, à luz de uma única lâmpada amarela que balançava no teto, Yoongi — ela chamava ele de Suga por causa do seu sorriso doce e pele pálida — dividia um fone de ouvido com ela. Eles assistiam a um filme de terror em uma TV de tubo roubada do ferro-velho.

    Aaah, quee bonitinho…

  15. Marcela
    Feb 16, '26 at 2:57 pm

    Yoongi paralisou. A confusão o atingiu como um soco. — Do que você está falando? — ele perguntou, o rosto molhado de suor e lágrimas que ele sequer percebia. — Trazer quem de volta? Eu estou aqui, S/N! Eu não te vendi, era um jogo, um teste maldito… por favor…

    Teste fdp esse viu? Or

  16. Marcela
    Feb 16, '26 at 2:49 pm

    — Não, não, não! S/N, acorda! Abre os olhos, porra! — Ele a puxou contra o peito, sujando-se inteiro. — Eu não te vendi, eu não ia deixar você ir… acorda!

    AGR o desespero bateu

  17. Anne
    Feb 16, '26 at 10:08 am

    Ainda não acabou né?!

  18. Anne
    Feb 16, '26 at 10:07 am

    Ele está de parabéns.
    Destrui a pessoa que mais amou ele

  19. Anne
    Feb 16, '26 at 10:07 am

    Depois preciso voltar e comentar os outros, mas eu precisava chegar aqui antes

    1. @AnneFeb 16, '26 at 10:58 am

      KKKKKKKKKKKKKKKK

  20. Anne
    Feb 16, '26 at 10:06 am

    Nossa chorei muito agora

  21. IASMINE
    Feb 16, '26 at 1:12 am

    Yoongi caminhou até a porta do quarto médico e viu, através do vidro, o corpo frágil de S/N ligado a máquinas. A fúria começou a queimar em seu peito, mas dessa vez não era contra ela. Era contra o homem que ele via no espelho.

    É Yoongi, foi patético essa humilhação que vc fez ela passar

  22. IASMINE
    Feb 16, '26 at 1:11 am

    — Suga… — ela sussurrou, o nome saindo com uma ternura que ele não ouvia há mais de uma década.

    Ta bom, parabéns!! Eu to chorando, primeira fic que me faz chorar pqp

    1. @IASMINEFeb 16, '26 at 7:57 am

      Kkkkkkk

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