Capítulo 32 – O Efeito Dominó
por FanfiqueiraA sala de conferências do vigésimo andar da Kim Global exalava a frieza típica do alto escalão corporativo de Seul. As paredes de vidro duplo isolavam acusticamente o ambiente do burburinho dos corredores, enquanto a longa mesa de jacarandá polido refletia os rostos atentos dos diretores executivos e chefes de departamento. Projetores de última geração exibiam os gráficos tridimensionais do Complexo de Busan, iluminando a sala com uma luz azulada e estritamente técnica.
Na cabeceira da mesa, de pé, estava Karine.
A transformação nela era evidente para qualquer um que estivesse minimamente atento. Vestindo o blazer estruturado de alfaiataria preta que Namjoon mandara entregar em sua cobertura, com os cabelos presos em um coque perfeitamente alinhado e o colarinho de seda branca cobrindo meticulosamente a lateral de seu pescoço, ela não parecia mais a estagiária recuada que aceitava passivamente as pressões do ambiente. Suas mãos não tremiam enquanto segurava o passador de slides. A postura era ereta, firme, a herança de sangue da dinastia Min finalmente se manifestando sob a forma de uma mulher de negócios focada e implacável.
— Como podem ver na seção transversal do bloco C — a voz de Karine ecoou pela sala, firme, clara e sem hesitações — o recuo de dois metros na fachada leste não altera a área útil projetada para os escritórios. Pelo contrário: ao utilizarmos as treliças de compensação dinâmica que recalculamos neste fim de semana, nós redistribuímos a carga estrutural diretamente para os pilares periféricos. Isso elimina a necessidade de reforço na fundação subterrânea, gerando uma economia imediata de doze por cento no cronograma de execução da obra.
Um murmúrio de aprovação correu entre os diretores mais antigos. O diretor de engenharia, um homem conhecido por sua rigidez extrema, assentiu levemente com a cabeça, visivelmente impressionado com a precisão dos dados matemáticos apresentados por uma jovem que ainda nem havia colado grau.
Karine respirou fundo, mantendo a máscara fria e profissional que havia treinado para usar. Ela precisava que eles a enxergassem como uma mente brilhante, não como a protegida do presidente. No entanto, manter aquela fachada estava se tornando uma tarefa hercúlea devido ao homem sentado na ponta oposta da mesa.
Kim Namjoon estava inclinado para trás em sua cadeira de couro presidencial. O terno de três peças cinza-chumbo parecia moldado em seu torso largo, e ele segurava uma caneta de metal entre os dedos longos, girando-a com uma lentidão calculada. Para o restante da diretoria, o olhar dele era o mesmo de sempre: o do “monstro de platina”, analítico, frio e severo.
Mas para Karine, cada vez que as pupilas escuras dele cruzavam com as dela, o significado era completamente diferente.
Havia uma promessa explícita naquelas trocas de olhares. Namjoon a observava com um orgulho predatório, uma luxúria velada que flutuava acima da formalidade da reunião. Quando ela mencionou o termo “recalculamos neste fim de semana”, o canto dos lábios de Namjoon subiu um milímetro em um sorriso ladino, quase imperceptível. Apenas os dois sabiam o verdadeiro significado daquele plural. Apenas os dois sabiam que aquelas treliças haviam sido revisadas na mesa de mármore de sua cobertura, com o corpo dela nu e os gemidos dela ecoando pela cozinha enquanto ele a penetrava por trás e ditava as alterações estruturais.
Karine sentiu o rosto esquentar sutilmente, uma onda de calor subindo por seu ventre ao lembrar-se da crueza dos palavrões que ele rosnara em seu ouvido poucas horas atrás. Ela engoliu em seco, reajustando os óculos e forçando sua mente a voltar para o slide. Ela deu um passo para o lado, mudando de postura para que o blazer não marcasse tanto o quadril, tentando desesperadamente não transparecer que a mera presença física daquele homem estava destruindo seu foco.
Namjoon percebeu o leve desconforto dela e adorou o efeito. O controle que ele exercia sobre ela, mesmo em uma sala cheia de testemunhas, era o seu maior afrodisíaco. Ele gostava de saber que, sob aquele tecido caro de alfaiataria, a pele dela carregava as marcas de seus dentes e que a intimidade deles era um segredo trancado a sete chaves dentro daquela empresa.
Foi nesse exato momento que o motor de vibração do celular privado de Namjoon, guardado no bolso interno de seu paletó, começou a pulsar de forma insistente.
Normalmente, durante apresentações de projetos dessa magnitude, Namjoon ignoraria qualquer chamada ou mensagem. Ele era um homem de processos. Mas o ritmo das vibrações era diferente; era o sinal de alerta que ele havia configurado especificamente para notificações de alta prioridade de seus canais de segurança privada.
Sem mudar a expressão facial, mantendo o olhar fixo em Karine como se estivesse apenas prestando atenção à explicação dela sobre o fluxo de ventilação, Namjoon deslizou a mão para dentro do paletó e puxou o aparelho. Ele o manteve abaixo da linha da mesa, protegido pela sombra do tampo de jacarandá.
A tela exibiu um e-mail urgente vindo de uma conta criptografada. O remetente era o chefe da equipe de segurança que ele havia contratado para vigiar Kim Taehyung de perto em Tóquio, desde o dia em que o rapaz fora despachado para o exterior para ficar longe de Karine.
Namjoon franziu o cenho de forma sutil, a caneta parando de girar entre seus dedos. O texto do e-mail dizia:
“Sr. Kim, estou tentando contato desde a última sexta-feira, mas minhas mensagens para o seu e-mail corporativo não foram respondidas. Devido à urgência e à falta de retorno, estou usando este canal privado de emergência.
Houve uma quebra severa no padrão de comportamento do alvo (Kim Taehyung) nas últimas setenta e duas horas. O prazo inicial do contrato de estágio dele na filial de Tóquio — o período obrigatório que todos os estagiários iniciais cumprem antes da possibilidade de renovação — expirou na quinta-feira passada.
A nossa expectativa era de que ele aceitasse a proposta de permanência automática no Japão. No entanto, na manhã de sexta-feira, o alvo recusou formalmente prosseguir na empresa e se demitiu, sumindo sem deixar eira nem beira.
Descobrimos que, de forma extremamente calculada, ele providenciou a mudança imediata de seus pais para outro país na calada da noite. Ele limpou os rastros residenciais deles. A nossa análise indica que o alvo retirou a família da Coreia por puro medo de que o senhor tentasse fazer algo contra eles, usando os pais como moeda de troca para forçá-lo a obedecer.
Livre do contrato e com a família em segurança, o alvo comprou uma passagem só de ida e embarcou de volta para Seul. Ele já pousou. interceptamos dados que confirmam que ele está vindo para a cerimônia de formatura da Universidade na próxima semana, afinal, ele também estaria se formando aqui se não tivesse sido mandado para fora.
Aguardamos instruções imediatas sobre o que fazer.”
O sangue de Namjoon correu frio pelas suas veias.
A máscara de gelo do presidente trincou por um breve segundo, as linhas de sua testa se tensionando enquanto seus olhos escuros escaneavam as palavras na tela. O impacto daquela informação foi como um soco no estômago de sua estrutura de controle.
Setenta e duas horas. Ele havia passado as últimas setenta e duas horas trancado na cobertura com Karine, ignorando o mundo exterior, afundando-se no corpo dela e fingindo que o passado estava sob controle. Ele estava tão imerso no cheiro dela, no sabor daquela rendição deliciosa, que havia negligenciado os relatórios de Tóquio. Ele havia deixado o espião solto pelo tempo suficiente para que ele arquitetasse um plano de fuga perfeito.
Namjoon começou a calcular mentalmente com a velocidade de um mestre de xadrez, mas, pela primeira vez em muito tempo, o fator emocional turvou sua lógica.
Taehyung havia se demitido. Havia protegido os pais em outro continente porque sabia perfeitamente do que Namjoon era capaz; ele sabia que o “monstro de platina” usaria qualquer ferramenta para destruí-lo se ele ousasse cruzar a fronteira de volta para Karine. E mesmo com medo, Taehyung havia voltado. Ele havia aberto mão de tudo porque o prazo inicial havia terminado e ele queria de qualquer jeito recuperar o tempo que ficou longe dela.
Uma onda de fúria territorial e posse doentia subiu pelo peito de Namjoon, fazendo seus nós dos dedos ficarem brancos ao redor do telefone.
Se Taehyung colocasse os pés em Seul, o castelo de cartas que Namjoon havia erguido começaria a ruir. Ele olhou para Karine, que continuava a falar sobre os custos de sustentabilidade do projeto, alheia à tempestade que se formava do outro lado da sala.
O medo — um sentimento que Namjoon raramente experimentava — rastejou por sua espinha. Ele não tinha medo de Taehyung em termos corporativos; a Kim Global podia esmagar qualquer tentativa de concorrência do rapaz com um único movimento de mercado. O verdadeiro terror de Namjoon era a verdade. Se Karine descobrisse o tamanho do jogo sujo que ele havia orquestrado, tudo mudaria.
Se eles souberem como esses cálculos foram feitos kk
Não sei se tão trancado assim…
Sinto que o Tae ainda vai lançar bomba
Eu não tô dizendo que ainda vai da merda
Prevejo merda grande ai