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O quarto dia de silêncio pesava como chumbo. Yoongi não era apenas um homem ausente; ele era uma sombra que assombrava os corredores da própria mansão. Quando ele finalmente cruzou o limiar do quarto, não o fez como o carrasco que exige atenção, mas como um fantasma em busca de algo perdido.

Ele ignorou a presença de S/N, caminhando direto para o closet monumental. Seus movimentos eram mecânicos, desprovidos da elegância predatória de costume. Ele precisava de uma roupa especifica que tinha ali.

S/N o observava da cama. O medo que antes a paralisava fora substituído por uma agonia muito mais profunda: a dor de reconhecer as mãos que a feriam como as mesmas que um dia a embalaram.

Ela se levantou. Seus pés, agindo por uma vontade própria e ancestral, a levaram até o closet.

Yoongi estava de costas, sem camisa. A luz embutida do teto realçava cada músculo tenso, cada marca de guerra. E lá estava ela. A cicatriz. Um relevo torto e cruel que rasgava a pele do seu tórax, exatamente onde o sangue havia manchado a foto que o velho Min lhe mostrara anos atrás.

Sem pensar nas consequências, S/N aproximou-se. Ela não era mais a prisioneira; era a menina que chorava no porão. Ela o abraçou por trás, escondendo o rosto entre as escápulas dele. O choque do contato fez Yoongi congelar. Ele não respirava.

S/N deslizou a mão para a frente, seus dedos trêmulos e gélidos encontrando o início da cicatriz no peito dele. Ela tocou o relevo com uma reverência que parecia uma prece.

— Isso… — ela sussurrou, a voz embargada, sentindo o coração dele martelar contra sua palma. — Deve ter doído tanto. Quem fez isso com você? Como você sobreviveu a algo tão profundo?

A reação de Yoongi foi imediata e brutal. Ele se virou com uma velocidade que a fez perder o equilíbrio. Suas mãos, as mesmas que ela acabara de tocar, agarraram os pulsos dela com uma força que beirava a violência, prensando-a contra a parede de espelhos do closet.

O rosto dele estava a milímetros do dela. Os olhos de Yoongi não tinham brilho; eram poços de fúria e negação.

— Não toque nisso! — ele rugiu, a voz saindo como um estalo de chicote. — Você não tem o direito de perguntar sobre as minhas marcas.

— Eu só queria saber se o homem que carrega essa ferida ainda sente dor — ela mentiu, sustentando o olhar dele, procurando qualquer vestígio de doçura naquelas pupilas dilatadas.

— Esse homem morreu no dia em que essa lâmina entrou! — Yoongi sibilou, a mandíbula tão travada que as veias de seu pescoço saltaram. — O que você vê aqui não é uma cicatriz de sobrevivência, S/N. É o que restou de um erro. De uma fraqueza que eu arranquei de mim.

Ele a soltou como se ela o tivesse queimado. Ele pegou uma camisa qualquer, vestindo-a rapidamente para esconder a prova de sua humanidade.

— Não procure por fantasmas onde só existe um monstro — ele disse, recuperando a máscara gélida, embora suas mãos ainda tremessem levemente ao abotoar o punho. — Esqueça essa cicatriz. Esqueça que você me tocou.

O silêncio que se seguiu à saída de Yoongi do closet era mais pesado do que qualquer grito. O ar ainda vibrava com a fúria dele, mas para S/N, o que restava era o frio daquelas palavras. Ela continuou ali, parada entre as prateleiras de ternos caros e o cheiro do perfume dele, olhando para o vazio onde a pele marcada dele estivera segundos antes.

— Um erro? — ela sussurrou, a voz falhando, as mãos ainda estendidas no ar como se tentassem segurar um fantasma que acabara de se dissipar. — Eu sou um erro, Yoongi?

As lágrimas, que ela tentara conter, finalmente venceram a barreira dos cílios.

— Então… o que você faz hoje comigo é para me punir? — ela murmurou para si mesma, o peito subindo e descendo em espasmos de dor. — Você me odeia tanto assim?

Ela saiu do closet lentamente, esperando, no fundo de sua alma ferida, encontrar algum rastro dele no quarto. Talvez ele estivesse sentado na beira da cama, com a cabeça entre as mãos. Talvez ele estivesse esperando para dizer que mentiu. Mas o quarto estava deserto. A porta da suíte estava escancarada, revelando o corredor vazio.

Do outro lado da porta, Yoongi caminhava como se estivesse sendo perseguido por demônios. Seus pulmões ardiam. O toque de S/N na sua cicatriz fora como injetar veneno em suas veias — um veneno chamado humanidade. Ele não podia permitir que ela o visse tremer. Ele não podia deixar que ela soubesse que, por um milésimo de segundo, o “Suga” quase abriu os olhos sob a pele do monstro.

Ele atravessou o corredor e encontrou Lee no pé da escada.

— Prepare o jato. Agora — Yoongi ordenou, a voz saindo como um rosnado metálico. — Senhor? Temos a reunião com o conselho em Seul amanhã e… — Cancele tudo. Mande o conselho para o inferno. Vamos para Macau. Agora!

Yoongi sabia que, se ficasse na Coreia, se ficasse sob o mesmo teto que ela, ele ruiria. A presença de S/N era um ácido que corroía sua armadura de mafioso. Ele precisava de distância, de sangue, de negócios escusos e do barulho dos cassinos para abafar o som da voz dela chamando por um homem que ele jurara ter enterrado.

Pelos sete dias seguintes, Min Yoongi tornou-se uma lenda urbana nos submundos de Macau e Hong Kong. Ele resolveu disputas de rotas comerciais com uma violência que chocou até os seus aliados mais antigos. Ele não negociava; ele executava. Ele se ocupava dezoito horas por dia, mergulhando em números, carregamentos de armas e reuniões de clãs estrangeiros.

Tudo para não pensar nela.

Mas, à noite, quando o álcool não era suficiente para apagar o brilho da lua, ele se via abrindo o tablet e acessando as câmeras da cobertura em Seul. Ele a via sentada na janela, olhando para o nada, segurando o robe no peito exatamente onde ela o tocara.

— Por que você não me odeia logo? — ele perguntava para a tela, em um quarto de hotel de luxo, rodeado por seguranças armados, mas sentindo-se o homem mais desprotegido do mundo.

No oitavo dia, Yoongi pousou de volta em Incheon. O olhar dele estava mais sombrio, as olheiras mais profundas sob os olhos de felino. Ele entrou na mansão como um vendaval negro, mas parou diante da porta do quarto.

Ele respirou fundo, ajeitando a gola da camisa preta que agora escondia a cicatriz. Ele estava de volta. O mafioso mais perigoso da Coreia estava de volta ao seu posto.

Mas, ao girar a maçaneta da suíte master, o impacto foi pior do que um tiro.

O quarto estava vazio.

As cortinas estavam abertas, o sol batia no tapete de seda, mas a cama estava perfeitamente arrumada, fria. Ele caminhou até o closet e abriu as portas de correr com um estrondo. O lado dela estava deserto. Não havia um único par de sapatos, nem o robe que ela segurava contra o peito nas câmeras, nem o cheiro do perfume suave que costumava irritar e viciar seus sentidos.

A ausência dela naquele espaço gritava mais alto do que qualquer provocação. Yoongi sentiu o sangue ferver, a veia em sua têmpora saltando enquanto ele descia as escadas como um vendaval negro, seus passos ecoando pela mansão como batidas de um tambor de guerra.

— HANA! — o rugido dele fez os vidros da sala de jantar vibrarem.

A governanta apareceu quase instantaneamente, vindo da cozinha, com o rosto pálido e as mãos escondidas no avental, tremendo visivelmente.

— Onde ela está? — ele sibilou, parando a centímetros de Hana, a aura de morte que ele trouxe do estrangeiro sufocando o ar ao redor deles. — Por que o quarto está vazio?

— Senhor… S/N… ela pediu para voltar — Hana gaguejou, baixando os olhos. — No terceiro dia da sua ausência, ela me disse que não tinha mais o direito de ocupar o seu quarto. Ela disse que “o erro” precisava voltar para o seu devido lugar.

Yoongi travou o maxilar. O erro. Ela estava usando as palavras dele como uma lâmina de volta.

— E você permitiu? — ele rosnou.

— Eu tentei impedi-la, senhor! Eu disse que o senhor não havia autorizado, mas… como o senhor não atendia as chamadas e não enviava ordens… — Hana respirou fundo, ganhando uma coragem desesperada. — Quando fui levar o café dela na manhã do quarto dia, ela já tinha mudado tudo. Sozinha. Ela carregou cada peça de roupa, cada livro. Ela se trancou no quarto antigo dela.

18 Comentários

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  1. Thamiris
    Mar 23, '26 at 10:21 am

    As cortinas estavam abertas, o sol batia no tapete de seda, mas a cama estava perfeitamente arrumada, fria. Ele caminhou até o closet e abriu as portas de correr com um estrondo. O lado dela estava deserto. Não havia um único par de sapatos, nem o robe que ela segurava contra o peito nas câmeras, nem o cheiro do perfume suave que costumava irritar e viciar seus sentidos.

    Só assim pra ele valorizar
    Deixar logo o suga assumir o comando

  2. Thamiris
    Mar 23, '26 at 10:17 am

    — Esse homem morreu no dia em que essa lâmina entrou! — Yoongi sibilou, a mandíbula tão travada que as veias de seu pescoço saltaram. — O que você vê aqui não é uma cicatriz de sobrevivência, S/N. É o que restou de um erro. De uma fraqueza que eu arranquei de mim.

    Aí meu Deus,medo de saber o pq dessa cicatriz

  3. Karine
    Mar 1, '26 at 6:52 pm

    — HANA! — o rugido dele fez os vidros da sala de jantar vibrarem.

    Corre HANA mkkkkkk

  4. Karine
    Mar 1, '26 at 6:51 pm

    — Por que você não me odeia logo? — ele perguntava para a tela, em um quarto de hotel de luxo, rodeado por seguranças armados, mas sentindo-se o homem mais desprotegido do mundo.

    Ela odeia

  5. Karine
    Mar 1, '26 at 6:45 pm

    — Não toque nisso! — ele rugiu, a voz saindo como um estalo de chicote. — Você não tem o direito de perguntar sobre as minhas marcas.

    Da uma brecha tbm moço

  6. Sheila
    Feb 22, '26 at 9:02 pm

    — Senhor… S/N… ela pediu para voltar — Hana gaguejou, baixando os olhos. — No terceiro dia da sua ausência, ela me disse que não tinha mais o direito de ocupar o seu quarto. Ela disse que “o erro” precisava voltar para o seu devido lugar.

    Ela está sofrendo com tudo isso também!!!
    E vc não vê?!
    Ela não é um erro e sim o seu grande amor!!!

  7. Sheila
    Feb 22, '26 at 9:00 pm

    — Por que você não me odeia logo? — ele perguntava para a tela, em um quarto de hotel de luxo, rodeado por seguranças armados, mas sentindo-se o homem mais desprotegido do mundo.

    Porque ela te ama!!! Kkkk

  8. Sheila
    Feb 22, '26 at 8:59 pm

    S/N deslizou a mão para a frente, seus dedos trêmulos e gélidos encontrando o início da cicatriz no peito dele. Ela tocou o relevo com uma reverência que parecia uma prece.

    Toque de ternura e amor!!! Ela percebe o sofrimento que ele passou!!! Ela o ama!!! Que lindooo!!!

  9. Luana
    Feb 21, '26 at 7:23 pm

    Mais que homem resistente com seus sentimentos

  10. Marcela
    Feb 16, '26 at 11:06 am

    O quarto estava vazio.

    Ela faz isso, sabendo que ele vai surtar kkkk

  11. Marcela
    Feb 16, '26 at 11:00 am

    Ela saiu do closet lentamente, esperando, no fundo de sua alma ferida, encontrar algum rastro dele no quarto. Talvez ele estivesse sentado na beira da cama, com a cabeça entre as mãos. Talvez ele estivesse esperando para dizer que mentiu. Mas o quarto estava deserto. A porta da suíte estava escancarada, revelando o corredor vazio.

    A real vontade dele era essa ( dizer que é mentira) mas era evidente que ele não ia dizer

  12. Marcela
    Feb 16, '26 at 10:55 am

    — Esse homem morreu no dia em que essa lâmina entrou! — Yoongi sibilou, a mandíbula tão travada que as veias de seu pescoço saltaram. — O que você vê aqui não é uma cicatriz de sobrevivência, S/N. É o que restou de um erro. De uma fraqueza que eu arranquei de mim.

    “Que eu arranquei de mim”
    Ele falando isso de frente para o erro, dormindo com erro kkkkkkk

    1. @MarcelaFeb 16, '26 at 10:58 am

      KKKKKKKKKKKKKKKKK

  13. Anne
    Feb 16, '26 at 9:50 am

    — Eu tentei impedi-la, senhor! Eu disse que o senhor não havia autorizado, mas… como o senhor não atendia as chamadas e não enviava ordens… — Hana respirou fundo, ganhando uma coragem desesperada. — Quando fui levar o café dela na manhã do quarto dia, ela já tinha mudado tudo. Sozinha. Ela carregou cada peça de roupa, cada livro. Ela se trancou no quarto antigo dela.

    Não quis esperar para vê-lo novamente ali

  14. Anne
    Feb 16, '26 at 9:49 am

    Yoongi travou o maxilar. O erro. Ela estava usando as palavras dele como uma lâmina de volta.

    Usou o mesmo termo que ele

  15. Anne
    Feb 16, '26 at 9:45 am

    — Um erro? — ela sussurrou, a voz falhando, as mãos ainda estendidas no ar como se tentassem segurar um fantasma que acabara de se dissipar. — Eu sou um erro, Yoongi?

    Ela entendeu que o passado foi um erro. Que o menino que ela conheceu morreu pq ela apeteceu ali

  16. IASMINE
    Feb 15, '26 at 11:56 pm

    Yoongi travou o maxilar. O erro. Ela estava usando as palavras dele como uma lâmina de volta.

    acho que temos mais um bingo aqui ein.. sera que ele vai começar a ligar os pontos

  17. IASMINE
    Feb 15, '26 at 11:55 pm

    A ausência dela naquele espaço gritava mais alto do que qualquer provocação. Yoongi sentiu o sangue ferver, a veia em sua têmpora saltando enquanto ele descia as escadas como um vendaval negro, seus passos ecoando pela mansão como batidas de um tambor de guerra.

    Ele desesperado atrás dela… ela abalou o homem

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