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Ela se aconchegou mais no colo dele, o corpo quente e pesado relaxando completamente contra ele. Aquilo foi o auge da noite, o ponto em que a frieza dele quase cedeu, mas, ao mesmo tempo, disparou sua possessividade. Ele respirou fundo, sentindo cada centímetro dela, cada suspiro entrecortado, e então, sem pensar muito, levantou-a nos braços com firmeza, carregando-a para o quarto.

Colocou-a na cama com cuidado, quase suavidade, enquanto os pensamentos dele começavam a se misturar com um estranho sentimento de… cuidado. Olhou para ela, com máscara e lenço no pescoço, e pensou em retirar aqueles obstáculos — a máscara e o lenço — achando que poderiam incomodá-la. Estendeu a mão devagar, mas, em um gesto quase instintivo, ela se virou de bruços, como se estivesse se protegendo, inconscientemente defendendo aquilo que ainda queria manter secreto.

Jungkook parou no lugar, os dedos ainda no ar. Um instante de frustração e fascínio se misturou nele. Ela era tão controlada, tão… imprevisível. Um arrepio percorreu a espinha dele. Ele não tentou de novo. A máscara e o lenço permaneceriam por enquanto, e ele se retirou para o próprio quarto, mantendo a frieza, embora a mente estivesse longe de qualquer controle racional.

Ao entrar no quarto dele, Jungkook pegou o telefone e ligou para a enfermeira chefe da noite. Sua voz permaneceu firme, sem qualquer vestígio do turbilhão que SN havia provocado nele.
— Como está o Senhor Kang? — perguntou, direto.

— Está bem, doutor. Sem complicações. — respondeu a enfermeira.

Ele hesitou, algo que raramente acontecia.
— E a filha dele? — indagou, a voz carregada de curiosidade, quase desarmando sua habitual contenção.

— Ainda não veio visitá-lo, doutor. — disse a enfermeira, com um tom ligeiramente surpreso.

Jungkook apertou os lábios, encarando o teto. Estranho. Muito estranho. SN sempre fora uma filha dedicada, independente das merdas que o pai fazia. Ele franziu o cenho, intrigado.
— Certo. Obrigado. — murmurou, desligando a ligação.

Ele se sentou na borda da cama, os olhos fixos na porta, imaginando o que ela fazia agora. Foi então que seu pensamento se voltou a garota que o desarmou, que fez seu corpo reagir mesmo quando ele não queria se entregar, que conseguiu fazer a frieza dele vacilar sem sequer tentar. — Branca de neve.

Mesmo mantendo a fachada de homem frio, Jungkook sentiu pela primeira vez em muito tempo que alguém havia cruzado uma linha com um corpo que sabia exatamente como desarmá-lo.

Ele respirou fundo, fechando os olhos por um momento, tentando retomar o controle, mas a imagem dela ainda queimava em sua mente. O lenço, a máscara, o jeito de se proteger, tudo contribuía para a aura de mistério que o prendia de forma quase desesperadora.

Essa garota… pensou, a mente girando em silêncio. Não posso… não posso deixar que isso me alcance. Não agora.

No dia seguinte…

Ela despertou devagar, a respiração ainda pesada pelo sono. Os lençóis amassados denunciavam a ausência dele. O espaço ao lado estava frio, vazio. Sentou-se na cama, levando a mão à máscara, prestes a tirá-la — mas passos ecoaram pelo corredor. Tassos saiu do quarto ao lado, e antes que pudesse se mover, a porta se abriu.

Ele entrou sem pressa, encostado no batente, olhar carregado de sarcasmo.
— O café está na mesa.

A voz soou seca, mas havia algo escondido ali, um veneno doce que a fez hesitar.

— Eu já vou… só preciso de um banho. — murmurou, afastando-se com um esforço contido.

No banheiro, a porta fechada atrás de si, ela tirou cada peça de roupa com movimentos lentos. O lenço, por fim, deslizou entre os dedos. Precisava dele depois, e sabia. A máscara, no entanto, manteve no rosto — como se fosse uma barreira inútil contra algo que já a dominava.

Entrou sob a água quente, deixando o vapor engolir seus sentidos. A máscara molhou, colando à pele, e o coração disparou com a lembrança de que estava exposta demais.

Foi quando sentiu a porta atrás dela se abrir.

O ar mudou. Pesado. Elétrico.

Ele entrou. O calor do corpo se aproximando, sem pedir, sem avisar, os lábios dele encontraram o pescoço dela — quentes, vorazes. Um beijo que queimava como ferro em brasa.

Ela gemeu, arfando, inclinando-se instintivamente para ele. O corpo cedeu antes da mente. As mãos tremiam contra o azulejo molhado, enquanto ele se colava às suas costas, duro, inegável, pressionando-a sem piedade.

— Isso… — a voz dele veio rouca, carregada de prazer e ordem. —  Faz valer apena o valor que está sendo paga.

A provocação atravessou sua pele como um choque.

Ela se empinou mais, perdida entre a submissão. Ele a segurou, firme, como se fosse dele. Os dedos exploraram sem permissão, arrancando dela um gemido agudo, quase um protesto. O som da água batendo misturava-se às respirações ofegantes, ao atrito desesperado dos corpos.

Os movimentos dele eram selvagens, intensos, sem espaço para hesitação. Ele a conduzia como quem conhece cada fraqueza, cada limite. E quando ela gozou pela primeira vez, a sensação foi devastadora. O grito dela abafado pelo vapor, pela boca mordendo o próprio lábio para não ceder mais.

Ele não parou. Tomou-a de novo, mais fundo, mais rápido, como se tivesse fome dela. Cada estocada era um golpe certeiro, arrancando dela gemidos entrecortados, respirações descontroladas. E ela se entregava, presa naquele transe de dor e prazer.

— Isso… — ele sussurrou, a voz carregada de arrogância e luxúria. — Gosta de ser usada assim, não é?

Ela não respondeu. O corpo falou por si, tremendo, cedendo, explodindo novamente contra ele.

Ele a segurou até o fim, até a própria respiração dele se quebrar em um gemido grave, abafado contra o ombro dela. O corpo dele se contraiu com violência, e ainda assim ele não a soltou — até que ela desmoronou junto, vencida, ofegante.

Foi então que, no limite do pós-êxtase, ela se virou para ele. Os olhos molhados buscaram sua boca, famintos por um beijo. Os lábios quase se encontraram. Quase.

Ele parou. O olhar dele endureceu num instante. Como se tivesse lembrado de algo que não poderia permitir.

Sem dizer nada, afastou-se. O corpo ainda quente dela foi deixado sob a água fria de repente. Ele saiu do banheiro, fechando a porta atrás de si.

Ela ficou ali, frustrada, o peito subindo e descendo rápido, a boca ainda entreaberta pelo beijo que não aconteceu.

Do outro lado, no corredor, ele passava a mão pelos cabelos molhados, a respiração descompassada. Quase me pegou de novo, pensou, irritado com a própria fraqueza. E seguiu para o quarto, tentando escapar do gosto dela que ainda queimava nos lábios.

Ela ficou alguns minutos ali, encostada na parede fria do banheiro, tentando recuperar o fôlego do que havia acabado de acontecer. O corpo ainda latejava, como se cada nervo insistisse em lembrar que tinha se rendido a ele de novo. Respirou fundo, abriu o chuveiro mais uma vez e deixou a água cair, agora com a intenção de realmente tomar banho.

Quando desligou, aproximou-se do espelho embaçado. O coração acelerou. Correu os dedos pelo pescoço, procurando o que tanto temia. Engoliu em seco, depois soltou o ar em alívio. Aproximou do próprio reflexo e sussurrou quase inaudível:

— Ter pago caro nessa base… valeu a pena.

Vestiu-se rápido, ajeitou a máscara no rosto e saiu do quarto.

Na cozinha, ele já estava sentado, tomando café como se nada tivesse acontecido. A postura dele era impecável, quase fria, mas o silêncio pesado denunciava que o clima ainda queimava.

Ela se serviu em silêncio. O atrito entre eles estava em cada detalhe — o som da xícara batendo no pires, os talheres raspando no prato, os olhares que se cruzavam rápido e se desviavam ainda mais rápido. Era como se cada movimento fosse uma provocação não dita.

Mordeu o lábio, tentando reunir coragem. Então, sem conseguir se conter, quebrou o silêncio:

— Por que fugiu daquele jeito?

Ele ergueu os olhos devagar, deixando que a pergunta pairasse no ar por alguns segundos longos demais. O canto da boca se curvou em algo que não era bem um sorriso, mas uma confissão velada.

— Porque se eu tivesse ficado… — a voz dele saiu baixa, arrastada, carregada de ironia e desejo contido — você não estaria conseguindo nem segurar essa xícara agora.

O silêncio voltou, mais pesado ainda, e dessa vez era impossível esconder o rubor que subia pelo rosto dela.

Ela ajeitou o corpo na cadeira, respirou fundo e corrigiu a postura, como se quisesse apagar qualquer vestígio de que a resposta dele havia mexido com ela. Fingiu não ter sido afetada. Apenas voltou a comer, mastigando devagar, mantendo o olhar fixo no prato.

Alguns minutos se arrastaram em silêncio até que terminou o café. Levantou-se com calma, recolheu sua xícara e a dele, mesmo quando ele já estava se movendo. Não deu espaço. Simplesmente levou a louça até a pia.

Ele permaneceu sentado, observando cada gesto dela. O modo como tentava parecer natural, como se não carregasse em cada passo a lembrança recente do corpo colado ao dele. Antes que ela pudesse começar a lavar, sentiu a mão dele segurar a sua com força.

— O que pensa que está fazendo? — a voz dele soou baixa, firme, quase ameaçadora. — Você não foi contratada para limpar a casa. Apenas para ser comida.

O olhar dele estava cravado nela, frio. Em segundos, a puxou contra a pia. O choque do mármore gelado bateu contra a pele dela. Ele foi bruto. As mãos percorreram-na com posse, como se quisesse apagar qualquer resquício do que ela poderia ser além de uma prostituta. 

Em um movimento rápido, puxou seu corpo para trás e abaixou a única peça que ela usava. Sem qualquer hesitação, tomou-a ali mesmo, entrando nela de uma vez, com força.

O choque a fez soltar um gemido alto, quase um grito, que ecoou na cozinha. As mãos dela se apoiaram na pia molhada, tentando encontrar algum equilíbrio, mas ele não lhe deu tempo. Movia-se contra ela com violência, como um animal faminto, como se cada investida fosse uma marca para lembrá-la de quem mandava.

Ela ofegava, gemendo a cada estocada, o rosto colado ao mármore gelado. O prazer vinha rápido, cru, misturado ao medo de se perder nele. Os tapas caíram fortes, estalando contra a pele nua. Na bunda. No rosto. A marca ardia, queimava, mas a cada golpe o corpo dela reagia com espasmos que ela não conseguia controlar.

Ele segurou o pescoço dela, inclinando-a para trás, dominando cada movimento. Não apertou ao ponto de machucar, mas a pressão era firme, inescapável. Ela arfou, a respiração presa, e por um instante a lembrança de outra cena a atingiu como um soco — o momento em que fora erguida do chão por uma única mão, sufocada até o pânico tomar seus olhos.

As lágrimas ameaçaram surgir. O coração disparou. O medo misturou-se ao prazer, criando uma vertigem insuportável.

Ele percebeu. Viu o pânico brilhar nela. Mas fingiu não notar. Continuou, acelerando, tomando-a como se quisesse apagar dela qualquer resquício de identidade além do que ele dizia que ela era. O corpo dela cedeu, tremendo, e o prazer explodiu de forma inevitável, arrancando dela gemidos entrecortados que mal conseguia conter.

Poucos segundos depois, ele gozou dentro dela, o corpo rígido, os dentes cerrados, a respiração quebrada contra a nuca dela.

E então, como se tivesse desligado uma chave, simplesmente a soltou.

Virou-se, ajeitou a calça como se nada tivesse acontecido e se jogou no sofá. Tragou um cigarro, a fumaça escapando pelos lábios como se aquilo fosse rotina, nada além de mais uma manhã qualquer.

Ela ficou ali, curvada sobre a pia, tentando recuperar o fôlego. O corpo ainda pulsava do prazer brutal que ele havia arrancado dela, mas o susto, o medo que reapareceu em meio às lembranças, deixava sua respiração curta, trêmula.

Depois de alguns segundos, ajeitou a roupa, caminhou em silêncio até o quarto e trancou a porta atrás de si, como se fosse a única forma de segurar as partes dela que ainda estavam inteiras.

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