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Dá o Play

SN ainda estava com o corpo doído da madrugada quando saiu do camarim. A pele ardia com a alergia dos cigarros de Taehyung, mas o incômodo maior era por dentro. Procurou a pomada entre suas coisas, mas não encontrou. Vestida às pressas, foi até a sala de Dae-Hyun para pedir que providenciasse outra.

Estava distraída, respirando fundo para não desabar, quando a voz cortou o ar como uma lâmina:

— Sua vadia!

SN congelou. O sangue gelou nas veias antes mesmo de virar o rosto. Ela conhecia aquela voz. Conhecia cada timbre, cada rastro de dor que vinha junto. Jungkook.

As pernas tremeram. Os olhos marejaram de imediato. Instintivamente, ela puxou a roupa para cima do peito, como se aquele gesto ridículo fosse capaz de esconder tudo — a vergonha, as marcas, a vida que tentava negar.

Ela apressou o passo, mas ele foi mais rápido. As botas ecoaram no corredor até que ele a alcançou.

— É isso que você é mesmo… uma puta. — a voz dele saiu carregada de raiva, ferida aberta transformada em veneno. — Me dá um fora e volta correndo pro puteiro? O quê? Não ganhou o suficiente comigo e tá enganando mais alguém agora?

SN fechou os olhos, se encolhendo contra a parede, incapaz de encarar. A dor era tão cortante que mal conseguia respirar.

— Que porra de zona é essa? — a voz grave de Dae-Hyun rompeu o clima, carregada de autoridade.

Jungkook virou o rosto na direção dele, os olhos ainda queimando.

— Não se mete. — rosnou, o tom mais baixo, ameaçador. — Tô acertando as contas com essa vadia aqui.

Um sorriso torto surgiu nos lábios de Dae-Hyun, quase divertido.
— Engraçado… outro dia você quase me enforcou por causa dessa puta. Agora tá aí, pronto pra bater nela. Tá atormentando meus clientes, garoto… e vai arcar com isso.

Jungkook soltou uma risada seca, sem humor.
— Então vou acertar as contas com ela no quarto. Quanto essa daí cobra? — os olhos percorreram o corpo de SN, parando nas marcas no pescoço e no colo. — Não vou pagar dez mil de novo numa mercadoria já toda marcada. Não gosto de produto usado… mas quero dar uma lição nessa aqui. Não devia ter me largado.

SN chorava silenciosamente, os ombros encolhidos contra a parede, o corpo tremendo. A vergonha queimava a pele mais do que qualquer tapa já recebido.

Jungkook inclinou o rosto, observando cada detalhe dela, a ironia escorrendo pela voz:
— Pintou o cabelo? Pra eu não te reconhecer? E sem máscara? — soltou um riso amargo. — Achei que fosse mais esperta.

Dae-Hyun cruzou os braços, impassível.
— Com você… vinte mil.

Os olhos de Jungkook faiscaram de raiva, mas ele respirou fundo, engolindo seco para não entregar o que sentia. O olhar desceu para os braços dela, arranhados, vermelhos da alergia.

— Vou cuidar disso primeiro. Não quero pegar nada. Tem os exames dela?

— Sempre em dia — respondeu Dae-Hyun com calma. — As meninas fazem exames toda semana. O dela tá limpo. — acenou para um funcionário, que saiu para buscar os papéis.

SN não parava de chorar. As lágrimas corriam pelo rosto sem controle enquanto Jungkook pegava a pomada das mãos de Dae-Hyun e se ajoelhava diante dela. O toque dele era firme, meticuloso, passando o creme devagar pelas áreas inflamadas. Cada movimento fazia SN tremer ainda mais, sem coragem de erguer o olhar.

Ele analisava cada detalhe, cada marca, cada linha do corpo dela, a raiva e a dor batendo contra as paredes do peito.

Dae-Hyun permanecia no canto da sala, apenas observando, os olhos atentos, pronto para intervir se houvesse algum sinal de socorro.

Minutos depois, o funcionário voltou com o exame. Jungkook pegou, conferiu com cuidado, e fechou os olhos por um instante, respirando fundo.

— A conta pra te mandar o pagamento é a mesma? — perguntou, sem olhar para SN.

Ela permaneceu em silêncio, encolhida.

— É a minha — respondeu Dae-Hyun, seco. — Essa puta me deu muito prejuízo quando quis sair daqui sem me comunicar. Agora ela paga.

Os punhos de Jungkook cerraram. A fúria ardia nos olhos, mas o rosto permaneceu frio, inexpressivo. Ele não deixaria que Dae-Hyun percebesse o quanto aquilo o afetava.

— Qual é o quarto? — perguntou, a voz baixa, quase um trovão prestes a explodir.

— VIP 7.

Sem esperar mais nada, Jungkook agarrou SN pelo pulso, a força de sua mão firme, e a puxou.
— Hoje… a gente vai acertar as contas.

Jungkook trancou a porta e permaneceu por um instante imóvel, com a testa encostada na madeira fria. Sua respiração estava pesada, como se precisasse se recompor antes de encará-la. Quando finalmente se virou, o olhar dele estava turvo — uma mistura de fúria e dor.

— Tira a roupa. — ordenou, a voz baixa, mas firme.

SN, com o corpo encolhido, segurava desesperadamente a roupa contra o peito, como se aquele tecido fosse sua última defesa.

— Jungkook… — sua voz falhou, fraca, embargada pelas lágrimas.

Ele estreitou os olhos, deu um passo à frente. — O quê? Os outros homens podem te tocar, podem fazer o que quiser… e eu não posso nem encostar em você?

SN estremeceu. Ainda sem conseguir olhá-lo nos olhos, começou a desfazer cada botão, cada peça com mãos trêmulas. Cada vez que a roupa caía no chão, era como se arrancassem um pedaço da sua dignidade.

Do lado de fora, uma risadinha abafada ecoou no corredor. Jungkook fechou os punhos, a raiva explodindo em sua garganta:
— Eu mandei tirar a roupa, porra! — gritou, apenas para afugentar a sombra que espreitava pela fresta da porta. O silêncio voltou.

Quando se voltou para ela, SN já estava nua, encolhida, tremendo. Jungkook respirou fundo, a mão hesitante se levantando para tocá-la. Ela recuou, assustada.

Ele sussurrou: — Desculpa… — e a segurou pelo pulso, trazendo-a para perto. Sentou-se na beira da cama, puxando-a para ficar entre suas pernas. Seus olhos passearam por cada mancha arroxeada na pele dela, cada marca deixada por outros homens. O maxilar dele se contraiu, os olhos marejaram.

— Olha pra mim… — pediu, voz quase implorando.

Ela só chorava, os ombros sacudindo.

— Por favor… olha pra mim. — dessa vez, uma lágrima desceu pelo rosto dele.

— Eu… eu não consigo… — SN soluçou, escondendo o rosto.

Jungkook não resistiu. Segurou seu rosto com firmeza e a puxou para um beijo. Foi urgente, desesperado. O gosto salgado das lágrimas dela misturado ao dele. Ele a envolveu, e em meio ao beijo, começou a despir-se às pressas, jogando a camisa e o restante da roupa para o lado.

Suas mãos deslizaram pela pele marcada dela, descendo até os seios, a barriga, até encontrar o meio das pernas. Empurrou-a suavemente para a cama e desceu os lábios, distribuindo beijos delicados sobre cada roxo, cada hematoma, como se quisesse apagar a dor com a boca.

Quando chegou entre as coxas dela, abriu caminho com firmeza e passou a língua lenta, explorando, sugando cada gemido que ela não conseguia conter. Ele pressionava, lambia, chupava com intensidade. O som molhado ecoava pelo quarto, enquanto SN se desfazia em soluços misturados com gemidos.

Ele ergueu o rosto um instante, respirando contra a pele dela:
— Aaah… esse gosto… — sorriu contra a boceta úmida, antes de voltar a chupar o clitóris com  ainda mais desejo.

As lágrimas dela continuavam a cair, mas dessa vez, junto a um sorriso frágil. Seus dedos afundaram nos cabelos dele, puxando-o instintivamente. Quando o orgasmo a atingiu, SN arqueou o corpo, a voz embargada escapando em um gemido alto. Jungkook sugou cada gota, cada tremor, até ela perder as forças.

Ele subiu, colando os lábios nos dela novamente, deixando-a provar de si mesma no beijo. Encostou a boca ao ouvido dela e murmurou, quase ofegante:

— Eu também te amo… — sussurrou contra os lábios dela, antes de mergulhar de novo em um beijo ardente.

Os olhos dela se arregalaram. Ele ouviu… ele ouviu quando eu disse que amava ele…

Não deu tempo de processar. Ele se posicionou e entrou de uma vez, fundo, arrancando um gemido alto dela. Ele agarrou a nuca dela, puxando-a para um beijo feroz enquanto estocava fundo, firme, cada investida carregada de raiva, amor e desespero.

— Meu amor… porra que saudade de você… — rosnava contra a boca dela, o suor escorrendo pela pele quente.

SN se agarrou a ele, gemendo entre soluços, rebolando instintivamente para acompanhar o ritmo dele.

Quando Jungkook sentiu o prazer subir, virou-a de repente, colocando-a de quatro na cama. A palma dele desceu num tapa forte contra a bunda dela, arrancando um gemido agudo. Mas logo a mão suavizou, acariciando o mesmo lugar, enquanto continuava a penetrá-la com força.

— Vai rebola pra mim… — a voz dele estava rouca, quebrada pela emoção.

SN gemeu alto, arqueando as costas, rebolando para intensificar as estocadas.

O barulho dos corpos se chocando, misturado aos gemidos dela e à respiração dele, enchia o quarto até o ápice. O prazer os tomou ao mesmo tempo — Jungkook enterrando-se fundo dentro dela, o corpo dele tremendo contra o dela, enquanto SN se desfazia em gemidos longos, sem conseguir conter.

 O corpo dele desabou contra as costas dela, ofegante, o coração martelando descompassado. Não se moveu por alguns segundos — apenas ficou ali, colado, os braços firmes em volta de sua cintura, o rosto enterrado na curva do pescoço dela.

Respirava fundo, como se precisasse gravar aquele cheiro na memória. Mas, de repente, o peito dele se contraiu. O perfume dela não era mais o mesmo. Mudaram até isso. A fúria se misturou com o medo de perdê-la.

Com cuidado, ele a puxou e a virou de frente, ainda ofegante. As mãos dele subiram devagar pelo corpo dela até alcançar o rosto. Dedos quentes, pesados, acariciando cada traço, como se precisasse confirmar que era real.

Ela o encarou pela primeira vez, os olhos marejados, a voz trêmula. — Você não usou camisinha. Você sempre usava… por que não quis usar agora?

Jungkook sustentou o olhar dela, os próprios olhos escuros, fixos, carregados de algo mais profundo que desejo.

— Porque você é minha mulher. — disse com firmeza, sem hesitar. — Eu não preciso.

Ela franziu a testa, o peito subindo rápido. — Mas eu…

Antes que terminasse a frase, ele encostou o polegar sobre os lábios dela, silenciando-a. Os olhos dele estavam marejados de novo, mas cheios de determinação.

— Eu vou te tirar daqui. — a voz saiu baixa, grave, quase um juramento. — Nem que eu exploda essa porra toda.

Ela se encolheu contra o peito dele como se o abraço fosse a única superfície firme do mundo. Chorava baixo, as palavras saindo em solavancos:

— Me desculpa… — murmurou, a voz esmagada. — Eu não queria ter dito aquelas coisas pra você. Se eu dissesse a verdade… você correria perigo. O meu pai… você conseguiu ver ele? Ele está bem?

Jungkook apertou-a mais forte, sentindo as costelas dela bater contra o próprio peito. Por um segundo o alívio fez a dureza do rosto dele suavizar, como se tivesse conseguido arrancar um pouco da noite das costas:

— Eu… eu vi o seu pai. — respondeu, a voz rouca. — Ele está vivo. A gente tirou ele daqui. Está escondido. Em um lugar onde ninguém pode encontrar.

A respiração dela veio curta, como quem volta à superfície. Um soluço virou alívio e ela deixou escapar um riso que era quase um choro:

— Obrigada. Obrigada… — repetiu, afundando a cabeça mais ainda contra o peito dele, como se quisesse gravar o som do coração dele ali pra sempre.

Ele voltou a beijar ela, e então o alarme do quarto que avisava que o tempo estava no fim  tocou— um toque seco, metálico—rasgou o ar.

Jungkook se ergueu num instante, os músculos tensos. Olhou para a porta, ouvido afinado: alguém do lado de fora se movia, passos rápidos. Aquele som tirou qualquer conforto do quarto. Ele falou com pressa, o tom cortante:

— Eu tenho que ir.

Antes que ela pudesse argumentar, ele passou a mão no cabelo, segurou o rosto dela com firmeza e avaliou-a com olhos que queriam dizer mil coisas:

— Você não fica mais aqui. Nem um minuto. — disse, a promessa vindo como uma ordem. — Eu vou tirar você daqui.  Você me ouviu?

Jungkook inclinou a cabeça, encostou a testa na dela por um segundo breve e quente, e sussurrou, tão baixo que parecia só para ela:

— Eu juro. Nem que eu exploda essa merda toda. Eu te tiro daqui.

Ele se afastou só o suficiente para pegar a roupa e se vestir rápido, calçar-se com o movimento mecânico de quem tem pressa, e então se virou para a porta. Antes de abrir, olhou mais uma vez para ela — olhos ardendo, promessa cravada na pele — e, sem esperar resposta, abriu a porta e saiu.

8 Comentários

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  1. Karine
    Jan 16, '26 at 11:47 am

    — É isso que você é mesmo… uma puta. — a voz dele saiu carregada de raiva, ferida aberta transformada em veneno. — Me dá um fora e volta correndo pro puteiro? O quê? Não ganhou o suficiente comigo e tá enganando mais alguém agora?

    Putz

  2. Karine
    Jan 16, '26 at 11:48 am

    Jungkook soltou uma risada seca, sem humor. — Então vou acertar as contas com ela no quarto. Quanto essa daí cobra? — os olhos percorreram o corpo de SN, parando nas marcas no pescoço e no colo. — Não vou pagar dez mil de novo numa mercadoria já toda marcada. Não gosto de produto usado… mas quero dar uma lição nessa aqui. Não devia ter me largado.

    Aaah corno

  3. Karine
    Jan 16, '26 at 11:54 am

    — Por favor… olha pra mim. — dessa vez, uma lágrima desceu pelo rosto dele.

    Aai porra :_(

  4. Karine
    Jan 16, '26 at 12:44 pm

    As lágrimas dela continuavam a cair, mas dessa vez, junto a um sorriso frágil. Seus dedos afundaram nos cabelos dele, puxando-o instintivamente. Quando o orgasmo a atingiu, SN arqueou o corpo, a voz embargada escapando em um gemido alto. Jungkook sugou cada gota, cada tremor, até ela perder as forças.

    Como q goza chorando? Eu já vi chorar depois de gozar, mas antes é a primeira vez kkkk

    1. @KarineJan 16, '26 at 1:06 pm

      é expressão de escrita.. É quando tá intenso de mais e a voz da mulher parece um choramingo.. e desce algumas lagrimas… Se nunca teve isso precisa transar direito kkk

  5. Karine
    Jan 16, '26 at 12:46 pm

    SN gemeu alto, arqueando as costas, rebolando para intensificar as estocadas.

    MDs como ela aguenta ? Kkk

    1. @KarineJan 16, '26 at 1:06 pm

      Ela é puta… anos de pratica

  6. Karine
    Jan 16, '26 at 12:51 pm

    — Porque você é minha mulher. — disse com firmeza, sem hesitar. — Eu não preciso.

    Assim que eu gosto. Bota o pau na mesa e ainda manda medir!!!

Nota

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