You have no alerts.
Header Background Image

Dá o play

Jungkook estava arrasado, o coração batendo como se fosse explodir. Mas então, uma notificação no celular chamou sua atenção:

“Senhor, já finalizamos todos os preparativos, pode trazer ela.”

Ele abriu a imagem e viu

Ele abriu a imagem e viu… aquilo. Um frio percorreu sua espinha. Não, ele não ia aceitar aquilo. Colocou o celular no bolso, o olhar endurecido, entrou no carro e acelerou com tudo.

Não demorou muito para alcançar o táxi de SN. Ela estava com a cabeça encostada na janela, ainda respirando de forma pesada, a adrenalina escorrendo pela pele. Jungkook acelerou mais, ganhando distância, até que, num impulso selvagem, virou o carro bruscamente, fechando a pista. O táxi freou de repente, o motorista xingando e buzinando desesperado.

SN abriu os olhos assustada. O coração acelerou ao perceber quem estava na pista, bloqueando o caminho: Jungkook. A adrenalina fez tudo parecer mais intenso, a respiração dela ficou irregular.

Jungkook saiu do carro, ajeitou o paletó, passos firmes e decididos até o taxi. Ela ainda estava dentro, confusa e surpresa, o olhar preso nele.

— SN… SN… — ele começou, a voz rouca, carregada de emoção e fúria contida — eu não aceito. Eu sei que você não quer se afastar de mim… eu sei que não consegue. — Ele se aproximou do carro, a mão alcançando a maçaneta.

Num impulso desesperado, SN segurou a porta, não deixando ele abrir. Trancou.

— Jungkook… vai embora… — disse, as lágrimas escorrendo silenciosas pelo rosto.

Ele bateu na porta, quase implorando, a voz falhando entre a raiva e a dor:
— SN… por favor! Abre essa porta! Eu não vou… eu não consigo te perder assim! — ele encostou a testa no vidro, a mão pressionando contra o metal. — Por favor, não me deixa… eu posso ser melhor, prometo, eu vou ser melhor pra você…

Ela virou o rosto, a dor física parecia atravessar o peito, a voz falhando:
— Você não pode se relacionar com uma prostituta, Jeon… tem tanta mulher incrível por aí… eu tenho certeza que você vai conseguir achar a perfeita pra você…

Ele quase sussurrou, fraco, mas cheio de verdade:
— Mas você já é.

Ela respirou fundo, tentando se afastar dele, quase sem forças:
— Por favor, Jungkook… siga sua vida. Você vai ficar melhor sem mim. Ter uma prostituta ao seu lado é… é ter quase todos os dias como a noite de hoje.

SN não percebeu, mas o motorista, vendo a situação, destrancou as portas lentamente pelo painel. Jungkook viu, mas não se moveu ainda.

Ela continuou, a voz firme mas trêmula, os olhos marejados:
— Todos os eventos que você pensar em me levar… sempre vai ter alguém que vai falar, ou que vai dizer alguma coisa… Eu já dormi com homens perigosos… aquele cara na festa… ele é muito perigoso… e você o enforcou. Sabe o que vai acontecer agora? Ele vai atrás de você.

Jungkook sentiu o peito apertar, o corpo inteiro queimando de raiva e preocupação. Um frio misturado com ódio percorreu sua espinha. O punho dele se fechou, os olhos fixos nela, mas a mente voava: ele não podia deixar nada acontecer com ela.

Sem pensar, ele bateu no painel do táxi, pegando impulso, quase arrancando a porta para entrar. Mas, antes que pudesse, respirou fundo, controlando a fúria. Os olhos dele, molhados de frustração, não desgrudavam dela. A mandíbula travou, o coração parecia querer sair do peito.

— Eu não vou deixar que ninguém te machuque, SN… — a voz dele saiu baixa, carregada de determinação e ameaça. — Nem esse cara… nem ninguém.

SN finalmente abriu a porta e saiu do carro, firme, decidida a ir embora. O frio da noite bateu no rosto dela, mas a expressão não vacilou.

— O problema não sou eu… — disse, respirando fundo. — O problema é que eu não suportaria essa vida se acontecesse algo com você.

Jungkook ficou imóvel, o mundo dele girando em câmera lenta. As mãos dele tremeram levemente, o peito apertando, os olhos fixos nela. Por um instante, não conseguiu falar. A raiva e o medo se misturaram, a fúria quase insuportável.

— Me esquece, Jungkook… vai ser melhor pra você… — ela continuou, começando a se afastar, passos firmes mas trêmulos.

Ele engoliu em seco, o coração doendo em cada batida. A voz saiu rouca, cheia de dor:

— Como… como eu desistiria de você se… — ele respirou fundo, tentando organizar as palavras que mal saíam — se eu te amo?

Ela parou, o mundo desabando ao redor. Queria correr até ele, abraçar, se jogar nos braços dele e nunca mais soltar. Mas o celular vibrou em sua mão. Uma mensagem, uma foto. O pai dela, amarrado, ensanguentado, e a mensagem: 

[Mensagem recebida]

“Eu disse que você não deveria me enganar.”

O frio correu pela espinha dela. Ela apertou o celular com força, os dentes cerrados, murmurando para si mesma:

— Que merda… eu… eu tava tão feliz…

Respirou fundo, levantou a cabeça, enxugou uma lágrima que escapava e encarou Jungkook com olhos secos, mas cheios de desdém contido. A voz saiu ríspida, sarcástica:

— Acredita mesmo que gostei de você? — riu, sem humor, os dentes cerrados. — Ahh, que lindo… ele todo ingênuo… fiz você gostar de mim… — engoliu seco, tentando controlar o nó na garganta. — Eu ganhei um apartamento reformado… você pagou as dívidas do meu pai… e… — a voz falhou por um segundo — ainda ganhei um bom sexo… nem todo mundo que vai lá transa tão bem, sabia? Esse foi meu bônus…

Ela virou de costas, o passo firme, decidido, voltando para o táxi.

Jungkook ficou parado, o corpo rígido, os olhos queimando de dor. Cada palavra dela era como lâminas atravessando seu peito. Ele tinha mudado tanto, arriscado tudo, colocado o coração e a confiança inteira naquilo… e ouvir aquilo… ouvir como se tudo tivesse sido um jogo, um bônus… era insuportável.

Ele respirou fundo, engolindo o grito que queria sair. A mão dele se fechou, os nós dos dedos brancos. Ele tentou falar, mas a voz saiu trêmula, baixa e cheia de um desespero que ele nunca tinha sentido antes:

— Então é isso… tudo que eu fiz, cada passo que dei por você, cada luta, cada noite, cada pedaço do meu coração… é só… um bônus? — as palavras se quebraram, o peito arfando.

Ele deu alguns passos em direção ao táxi, mas parou, os ombros caindo, a cabeça inclinada. A raiva se misturava com a impotência, e a dor o esmagava. Ele murmurou para si mesmo, quase inaudível:

— Eu… eu disse que… te amo… e você… você me descarta como se fosse nada…

O táxi começou a se mover, e ele ficou parado, olhando a traseira desaparecer na rua. Um silêncio pesado tomou conta da noite. Jungkook sentiu cada parte dele despedaçando, a sensação de vazio esmagando seu peito. Ele se deixou cair contra o carro estacionado no meio da rua, os punhos cerrados no metal, sem conseguir sequer gritar.

Ele ficou alguns minutos transtornado, as mãos trêmulas no telefone. Finalmente escreveu, sem emoticons, sem hesitar:

[Mensagem enviada]

“Jogue tudo fora. Não vou levá-la mais aí.”

A resposta apareceu quase instantânea, seca e profissional:

[Mensagem recebida]

“Sim, senhor.”

No táxi, ela o observava pela janela embaçada, as lágrimas escorrendo devagar. A voz saiu num sussurro, íntima, quebrada:

— Desculpe, meu amor… mas não posso te meter nisso. Prefiro que me odeie, mas que viva.

Um soluço, um último esforço para ser honesta consigo mesma e com ele:

— Eu também te amo. Desculpa.

O táxi arrancou. Ele ficou parado na calçada, segurando o celular como se tivesse perdido a única coisa que ainda o mantinha inteiro. Ela sumiu na noite; as palavras ficaram no ar, pequenas e irreparáveis.

0 Comentário

Aviso! Seu comentário ficará invisível para outros convidados e assinantes (exceto para respostas), inclusive para você, após um período de tolerância. Mas se você enviar um endereço de e-mail e ativar o ícone de sino, receberá respostas até que as cancele.
Nota

Você não pode copiar conteúdo desta página