Capítulo 25 – Código vermelho
por FanfiqueiraDá o Play
O sol mal tinha atravessado as frestas da cortina quando Yoongi abriu os olhos. O corpo pesava, os músculos latejavam como se cada segundo do dia anterior tivesse ficado marcado nele. Bocejou, passou a mão pelo rosto, e no movimento automático de esticar o braço até o criado-mudo, parou.
Um pedaço de papel dobrado. Que não estava ali quando ele deitou.
Pegou rápido, as letras tortas escritas às pressas fizeram o coração dele disparar:
“Tô bem. Não vem atrás. Já achei meu pai.”
— Que merda é essa… — ele sussurrou, mas a respiração já estava acelerada.
Levantou de um salto, percorreu o apartamento, cada cômodo, chamando por ela. Nenhum sinal. Pegou o celular, ligou uma, duas, dez vezes. Mensagens, áudios. O silêncio esmagador da caixa postal foi a única resposta.
Yoongi jogou o celular no sofá com força, os olhos faiscando.
— Caralho, SN… o que você fez?
Sem perder tempo, marchou até a sala Jungkook. Escancarou a porta.
O mais novo estava largado no sofa, os cabelos bagunçados, o peito nu subindo e descendo pesado. Se mexeu incomodado pelo barulho, puxou o travesseiro por cima da cabeça e resmungou.
— Porra… o que foi? Posso nem dormir em paz…
— É a SN. — Yoongi disparou. — Ela sumiu. Não tô conseguindo falar com ela.
Jungkook virou de lado, o rosto cansado e irritado.
— Problema dela. Não fala dela pra mim. — a voz saiu cortante, carregada de rancor.
Yoongi não se conteve: arrancou o travesseiro da mão dele e o jogou no chão.
— Você vai me ouvir, caralho!
Jungkook se ergueu, os olhos estreitos.
— Eu não quero ouvir nada dessa desgraçada! Já chega—
— Ela terminou com você pra salvar sua vida, idiota! — Yoongi explodiu, a voz firme, carregada de fúria e desespero.
As palavras cortaram o ar.
Jungkook ficou parado, o peito arfando, mas sem reação.
Yoongi avançou, firme, o olhar pesado como se cada palavra fosse ferro quente cravando no peito de Jungkook:
— O credor do pai dela pegou o velho. E ela se entregou para salvá-lo e pra impedir que ele vá atrás de você. Por isso te chutou daquele jeito. Eu descobri quem ele era ontem. Ele está fugido da polícia, muito bem escondido… faz o que quer, quando quer. Já ofereci mais do que o pai dela deve pra encerrar a dívida, e ele não aceita. Ele quer… ela. E está usando o pai dela como pretexto.
O peito de Jungkook pulsou, pesado, cada batida mais forte que a anterior, como se fosse esmagá-lo por dentro. A respiração ficou curta, irregular, quase dolorosa. Cada palavra de Yoongi atravessava o peito dele como uma lâmina quente. Ele sentiu o estômago revirar, as mãos tremerem, a mandíbula travar. Um frio percorreu a espinha, misturando raiva, medo e impotência.
Yoongi não desviou o olhar.
— O nome dele é Dae-Hyun. Dono do Red Velvet onde ela trabalha… ou trabalhava. Ela estava saindo dessa vida por você, seu imbecil… e você nem parou para analisar as circunstâncias. — A voz de Yoongi era firme, mas carregada de raiva, cada palavra golpeando a realidade de Jungkook.
O chão desapareceu sob os pés dele. A imagem da SN sacrificando-se, dizendo palavras que pareciam piada cruel:
“Acredita mesmo que gostei de você? Ahh, que lindo… fiz você gostar de mim… pagou as dívidas do meu pai… e ainda ganhei um bom sexo… esse foi meu bônus.”
Cada sílaba ecoava, rasgando a alma de Jungkook. Ele sentiu um misto de desespero e raiva, e a fúria por não ter conseguido protegê-la ameaçava explodir.
— Yoongi… — murmurou, rouco, quase sufocando — eu… não vou deixar que ele toque nela. Nunca.
O silêncio pesado caiu sobre eles. Jungkook respirava fundo, tentando recuperar o controle. O punho bateu contra a parede com força contida, o som seco ecoando pelo apartamento como um aviso.
— Eu vou atrás dela. E ninguém, absolutamente ninguém… vai machucar a SN.
Sem perder tempo, saíram do apartamento. Cada passo era carregado de tensão, cada curva do carro parecia um cálculo para não perder tempo.
No apartamento Sr. Kang, estava no meio da sala, subindo num banco instável. Uma corda estava passada no ventilador do teto, enrolada firmemente ao redor do pescoço. Cada movimento dele tremia, mas havia determinação absoluta: era o único jeito que ele via para salvar SN — acreditava que sua morte poderia garantir que a filha escapasse da ameaça de Dae-Hyun.
As batidas de Jungkook e Yoongi na porta foram intensas, cada golpe ecoando, cada segundo pesando como eternidade.
“Eles são os capangas de Dae-Hyun… não tenho tempo a perder.”
Em pânico, acelerou seus movimentos, ajustando o banco, segurando a corda, o corpo esticando.
— Vocês… vocês não vão mais torturar a minha filha… eu… eu acabo com isso agora! — gritou, a voz tremendo, cortada pela pressão da corda no pescoço.
O coração de Jungkook disparou. Ele trocou um olhar rápido com Yoongi, ambos entendendo o que precisava ser feito. Cada segundo era crucial.
— ABRA A PORTA! — Yoongi gritou, sentindo o próprio peito apertado pela urgência.
Jungkook acertou a porta com golpes brutais, cada batida uma explosão de fúria e desespero. O banco oscilava perigosamente, o Sr. Kang quase perdendo o equilíbrio, a corda raspando a garganta.
Num último impulso, Jungkook arrebentou a porta. Yoongi entrou logo atrás, cortando rapidamente a corda que já marcava a pele do velho. O banco caiu com estrondo, mas o Sr. Kang estava seguro. Jungkook o puxou para longe, apoiando-o no chão, examinando rapidamente ferimentos, aplicando primeiros socorros improvisados. Cada respiração do velho parecia um milagre.
— Tá… tá bem agora… — murmurou Jungkook, a voz ainda carregada de fúria e alívio. — Você vai ficar bem, senhor Kang.
O velho, trêmulo, engoliu em seco. O choque ainda o segurava, mas a vida voltava lentamente a cada respiração.
— Você sabe onde está a SN? — Jungkook perguntou, firme.
— Não… não sei… só sei que Dae-Hyun a fez se encontrar com ele… disse que nunca mais eu veria ela… — soluçou o homem, lágrimas escorrendo.
A raiva de Jungkook queimava como fogo líquido. Ele olhou para Yoongi, respirando fundo.
— Pegue tudo que for seu e dela. Rápido. — Jungkook ordenou. O Sr. Kang, ainda trêmulo, começou a recolher os pertences, a ansiedade em cada gesto.
Saíram do apartamento rapidamente, cada movimento calculado. No carro, Jungkook ativou o código vermelho, bloqueou o celular, e acelerou rumo ao esconderijo.
Pouco tempo depois, perceberam que estavam sendo seguidos. Cada curva, cada sinal, Jungkook desviava com precisão mortal. A adrenalina queimava o peito, cada segundo era conta regressiva. Finalmente, chegaram ao refúgio.
Namjoon, Tae e Jimin já estavam a caminho; J-Hope só conseguiria chegar no final do turno. Jin não respondeu imediatamente.
No esconderijo, espalharam mapas, papéis e arquivos que o Yoongi já vinha coletando e conectando fatos.. A tensão no ar era quase física, cada respiração pesada.
— Quem é a SN? — perguntou Jimin, confuso.
— É a Branca de Neve. — respondeu Jungkook, firme. O silêncio foi imediato. Todos processaram o choque, começando a traçar planos.
— Colocaram uma garota pra substituir ela… mas não é a Branca de Neve. Ela sabia como me fazer go… — começou Jimin, e o olhar mortal de Jungkook o silenciou, carregando tensão e aviso.
— Essa menina não tem nada a ver com o jeito dela… — Jimin pigarreou, tentando quebrar a tensão.
— Eu comi ela hoje. Namjoon disse com naturalidade, mas logo ficou sem jeito pelos olhares julgadores dos amigos.
— Ué… não comi ninguém na boate pra não vazar foto. Precisava… — completou Namjoon, todos olhando incrédulos.
Minutos depois, uma mensagem de Jin chegou: “Chegou uma puta nova no Red Velvet que é uma loucura, fodi tanto aquela vadia que ela mal conseguiu andar.”
Yoongi soltou, com humor negro:
— Já experimentou comer só a sua mulher?
Todos riram, exceto Jungkook. Ele permanecia focado nos mapas e nos papéis.
Tae então falou:
— Então… marquei para comer ela amanhã…
O silêncio pesado caiu. Jungkook manteve-se imóvel, os olhos fixos nos mapas, cada fato pressionando sua mente. O cerco estava sendo montado, a caçada por SN apenas começando.
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