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As notificações chegaram quase ao mesmo tempo. Uma vibração seca, discreta, que cada uma das mulheres já conhecia de cor. O celular em cima da penteadeira piscou uma única frase, em letras curtas e diretas:

“Sala Rubi. Três minutos.”

O coração de algumas disparou; outras já estavam acostumadas. Para SN — ou melhor, Branca de Neve, como era chamada ali dentro — a sensação era sempre a mesma: um nó na garganta, frio no estômago e aquele arrepio maldito subindo pela espinha. Ela odiava aquele lugar, odiava as roupas caras e mínimas que a obrigavam a vestir, odiava a maquiagem pesada que escondia quem ela era.

Mas não tinha escolha.

Com as mãos trêmulas, ela ajeitou a máscara branca que cobria metade do rosto. Era sua própria exigência — uma regra que negociara para trabalhar ali. Nenhuma outra garota usava máscara; apenas ela. Era a forma de proteger sua identidade, de separar quem ela era ali dentro do que deixava para o mundo. Ela entregara isso ao dono do prostíbulo e, de acordo com o contrato, ninguém poderia contestar.

 Ela entregara isso ao dono do prostíbulo e, de acordo com o contrato, ninguém poderia contestar

As outras mulheres se ajeitavam rápido. Saltos estalando no piso, perfumes caros borrifados em excesso, sussurros nervosos. Todas sabiam o que significava ser chamada para a Sala Rubi: cliente importante, daqueles que vinham para gastar sem perguntar o preço. E cliente importante significava espetáculo.

SN respirou fundo e seguiu junto, passos silenciosos, máscara intacta, corpo tenso. Cada vez que entrava nesse corredor, sabia que podia ser avaliada, humilhada, testada. E ainda assim, precisava se manter firme.

A Sala Rubi

O corredor era revestido de veludo vermelho escuro. Os seguranças de terno preto estavam parados como estátuas nas portas. Quando as garotas entraram, a luz baixa quase ofuscou a visão. O ambiente parecia um misto de cabaré de luxo e sala de leilão: sofás de couro, cortinas pesadas, cristais no teto, e ao centro, um espaço amplo, iluminado, como se fosse um palco improvisado.

O cheiro era forte. Tabaco, uísque caro, couro. Um som baixo de jazz antigo preenchia o ambiente, abafando a respiração das garotas.

E lá estava ele.

Jungkook.

Sentado em uma poltrona de couro preto, uma das pernas cruzada, cigarro entre os dedos, a fumaça subindo devagar. O rosto impecavelmente liso, sem barba, pele perfeita, olhar afiado. O terno escuro ajustava-se ao corpo com precisão. Ele não disse nada quando as viu entrar. Apenas tragou fundo o cigarro e soltou a fumaça pelo canto da boca, como se tivesse todo o tempo do mundo.

 Apenas tragou fundo o cigarro e soltou a fumaça pelo canto da boca, como se tivesse todo o tempo do mundo

O dono do prostíbulo, um homem grisalho e bem vestido, apresentou com a voz melosa:

— Senhor Jeon… estas são algumas das nossas melhores garotas. Como o senhor pediu, todas de confiança, todas testadas, todas suas.

Jungkook moveu os olhos devagar, de uma a uma. Não tinha pressa. Era como se estivesse avaliando mercadoria em um leilão caro. As garotas mantinham postura, algumas com olhar submisso, outras tentando parecer confiantes.

Foi nesse instante que algo chamou a atenção dele.

Todas estavam expostas, maquiadas, montadas para seduzir… menos uma.

A máscara branca escondia metade do rosto dela. O contraste era gritante.

Ele ergueu o queixo, franzindo o cenho.
— Tira isso. — disse, direto, apontando com o cigarro.

A sala ficou em silêncio. A tensão cortou o ar.

O dono do prostíbulo pigarreou, ansioso, mas forçou um sorriso.
— Senhor Jeon… com licença… mas… essa é a Branca de Neve. — Fez uma pausa, como se o apelido falasse por si só. — A máscara é uma exigência dela. Está no contrato. Ela só trabalha assim. Sempre.

Os olhos de Jungkook se estreitaram. Ele tragou fundo, soltou a fumaça devagar, sem desviar o olhar dela.

— Hm. — o som grave saiu como um ronco de desdém. — Arrogante.

Ela, no fundo da sala, permaneceu imóvel. Não disse nada, não se mexeu, apenas sustentou o olhar por trás da máscara branca. Isso fez Jungkook sorrir de canto, um sorriso perigoso. Não era comum ver desafio ali dentro. E aquilo já era o suficiente para cutucar sua curiosidade.

O silêncio durou até que Jungkook finalmente abriu a boca. A voz dele era grave, arrastada, carregada de cigarro e desprezo:

— Tirem.

As garotas se entreolharam.

— As roupas. Agora.

Foi direto, sem levantar o tom. Mas a autoridade na voz dele era tão cortante que ninguém hesitou.

Saltos arrastando no chão, zíperes abaixando, tecidos deslizando sobre a pele. Uma a uma, as mulheres começaram a se despir diante dele, em silêncio absoluto. Peitos expostos, saias caindo no chão, rendas jogadas de lado.

Jungkook tragou o cigarro outra vez e apoiou o braço no encosto da poltrona, observando cada detalhe.

— Mais rápido. — Ele soltou a ordem como quem manda um cachorro sentar.

E elas obedeceram.

SN manteve a máscara, como sempre. Não se mexeu. Olhar firme por trás do branco frio. Ele se aproximou dela, cigarro na boca, e estudou a postura.

— Você vai tirar essa merda ou quer me irritar? — Perguntou, baixo, voz arrastada.

Ela respirou fundo, voz calma, firme, mas ainda atrás da máscara:
— Está nas regras… é minha exigência. Sempre com máscara.

Jungkook arregalou os olhos por um instante, depois sorriu de lado.
— Curiosa. — Murmurou, quase para si mesmo, e deu mais uma tragada no cigarro. — Vamos ver se você é interessante além dessa pose.

Ele se levantou. Alto, presença esmagadora, o cigarro preso no canto da boca. O silêncio era tanto que se ouvia apenas o som do couro da poltrona quando ele afastou, e os passos firmes no piso de madeira.

Foi até a primeira mulher, uma loira de curvas exageradas.

Sem pedir, sem perguntar, ele agarrou o queixo dela com força, obrigando-a a olhar para cima. Tragou fundo, soltou a fumaça direto no rosto dela.

— Abre a boca.

Ela obedeceu. Ele enfiou o polegar entre os lábios dela, pressionando a língua, simulando como seria um boquete. Cuspiu no chão ao lado, riu baixo e depois apertou os seios dela com força, como se estivesse testando um produto no mercado.

— Hm. — Murmurou, indiferente, antes de virar ela de costas e dar um tapa seco na bunda. O som ecoou na sala.

A mulher gemeu, talvez de dor, talvez de prazer ensaiado.

Ele apenas sorriu de lado.

Passou a mão entre as pernas dela sem cerimônia, enfiando dois dedos sobre a calcinha fina que ainda não tinha tirado, testando a umidade.

— Molhada. — Disse, em tom quase debochado. — Boa cadela.

Seguiu em frente.

A segunda era uma morena de pele dourada. Jungkook a puxou pelos cabelos, trazendo o rosto dela para o cigarro aceso. Encostou a brasa próxima da pele do ombro dela, só para ver o arrepio que percorreu o corpo dela. Não a queimou, apenas assustou.

— Sabe obedecer? — perguntou, voz baixa.

— S-sim, senhor…

Ele lambeu a orelha dela devagar, mordendo o lóbulo em seguida, arrancando um gemido sufocado. Depois, enfiou a mão inteira entre as pernas dela e a obrigou a abrir, cutucando, pressionando.

— Então fica de quatro. — ordenou.

Ela obedeceu. Jungkook bateu duas vezes na bunda dela, forte, como quem testa um animal antes de comprar.

— Razoável.

Seguiu para a próxima.

A terceira tentou parecer ousada, sorrindo quando ele se aproximou. Jungkook riu baixo, como se lesse o pensamento dela.

Puxou o cabelo dela para trás, obrigando-a a ajoelhar. Enfiou o polegar na boca dela e pressionou fundo, abrindo os lábios.

— Mostra que sabe trabalhar.

Ela chupou o dedo dele como se fosse um pau. Ele observou, tragando o cigarro com calma, até empurrar a cabeça dela com força, simulando o movimento de sexo oral.

Ela se engasgou, tossiu, mas não parou.

Ele riu outra vez, afastando-se.

— Melhorzinha.

Palpou os seios dela, apertou com brutalidade, depois a ergueu de volta puxando pelos cabelos.

Quando terminou com a terceira, soltou a fumaça pela boca e ergueu os olhos para o resto do grupo. Foi então que percebeu.

Uma delas ainda estava vestida.

No fundo, imóvel, máscara branca no rosto, corpo coberto pela roupa justa que todas as outras já tinham abandonado.

SN.

Jungkook ergueu os olhos e encarou SN de frente. A máscara branca ainda cobria metade do rosto dela. O corpo, impecável, ainda estava com roupa.

O silêncio tornou-se sufocante. As três mulheres já avaliadas olhavam para ele, algumas se abanando discretamente, outras tentando não demonstrar ansiedade.

Ele inspirou fundo, soltando a fumaça devagar. O cigarro balançava entre os dedos como se ele testasse a paciência delas. A raiva era quase tangível, misturada à curiosidade.

— Então… você é a única que não obedece? — murmurou, voz baixa e arrastada. A ponta dos lábios se curvou num sorriso cruel. — Todas aqui já mostraram que sabem obedecer. E você? Além de manter a máscara, ainda fica de roupa?

SN permaneceu imóvel, olhos fixos nos dele por trás da máscara.

— Posso tirar, senhor… — disse, a voz firme, porém quase sussurrada. — Mas prefiro tirar no seu quarto.

O sorriso de Jungkook se alargou, um misto de irritação e prazer. Ele bateu no braço da poltrona de couro, soltando um pequeno estalo:

— Interessante… — murmurou, quase divertido. — Você gosta de brincar com fogo, não é?

Ele tragou o cigarro, deixando que a fumaça se espalhasse no ambiente antes de dar o próximo passo. Seus olhos não desgrudavam dela, avaliando cada centímetro, cada detalhe, cada reação por trás da máscara. A irritação havia dado lugar a uma curiosidade intensa, quase obsessiva.

Ele se aproximou mais, até ficar a poucos centímetros.
— Então vou te observar de perto… mas saiba, Branca de Neve… quando decidir mostrar tudo, vai ser do meu jeito. — Sua voz era grave, carregada de promessa e ameaça ao mesmo tempo.

SN apenas inclinou a cabeça, sem se abalar.

Jungkook deu mais uma olhada rápida nas outras. Seu julgamento estava feito: a atenção dele agora estava toda nela. Um movimento de mão e ordenou:

— Espere no meu quarto.

SN assentiu levemente, virou-se e caminhou em silêncio até a porta que levava ao corredor. Cada passo dela parecia calculado, provocante, deixando um rastro de perfume e tensão no ar.

Enquanto ela sumia, ele voltou para a poltrona, sentando-se novamente, agora em modo contemplativo, mas a mente ativa. Pegou o cigarro entre os dedos e olhou para o responsável do prostíbulo.

— Certo. — disse, firme. — Ajustem as regras. Quero que todas entendam que obedecer não é opção, é obrigação.

Ele fez um breve acerto de contas com o responsável, detalhando horários, serviços, limites e exceções. O tom era profissional, mas o olhar jamais se desviava das garotas que ainda permaneciam ali.

Então, algo chamou a atenção dele novamente.

A quarta garota, uma ruiva de olhar provocante, fez uma cara insinuante, quase zombando, como se não tivesse entendido o motivo de não ter sido avaliada. Ela avançou devagar, sem medo, sentando-se no colo dele de forma escancarada, pernas cruzadas, mãos apoiadas nos ombros dele, inclinando o corpo para frente como quem desafia.

Jungkook manteve a calma por alguns segundos. O cigarro ainda entre os dedos, ele inalou fundo e soltou a fumaça pelo canto da boca. Olhos estreitos, avaliando cada movimento dela.

— Interessante… — murmurou, baixo, voz grave. — Você gosta de tentar me provocar, não é?

Ela apenas sorriu, mordendo levemente o lábio inferior, provocando-o ainda mais.

Mas ele era mestre em controlar a situação. Com um leve empurrão de ombro, a afastou suavemente, fazendo-a recuar sem perder a postura insinuante. Seus olhos estavam frios, avaliando a audácia dela, e ele apenas balançou a cabeça:

— Entendi… você vai ter sua vez, mas não agora. — disse, firme, colocando de lado o cigarro.

Ele se virou para acertar definitivamente os últimos detalhes com o responsável do prostíbulo: horários, valores, regras de comportamento. Enquanto falava, observava cada gesto das garotas restantes, o olhar ainda atravessando a sala com autoridade.

Quando o ajuste final foi feito, ele se levantou, ajeitou o terno, tragou o cigarro mais uma vez e caminhou em direção à porta que levava ao quarto.

A tensão pairava no ar, os corpos ainda nus ou semi-nus das outras mulheres refletindo a luz baixa da sala, mas a atenção dele estava apenas em uma figura: SN, a Branca de Neve.

Cada passo dele no corredor ecoava, o som do couro do sapato contra o piso marcando o ritmo do que estava prestes a acontecer. O silêncio pesado da Sala Rubi permaneceu atrás dele, um lembrete de que ali, naquele lugar, Jungkook ditava as regras — e ninguém ousava desobedecer de verdade.

5 Comentários

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  1. IASMINE
    Jan 27, '26 at 11:33 pm

    Meu deus jk que issoooo

  2. IASMINE
    Jan 27, '26 at 11:34 pm

    Ela conseguiu a atenção dele amooo

  3. IASMINE
    Jan 27, '26 at 11:34 pm

    Como faz pra parar de ler kkkkkk

  4. Daiane
    Mar 9, '26 at 5:21 pm

    Eita eita eita

  5. Anônimo Convidado
    May 4, '26 at 8:22 pm

    Aaaa JK ta com cara que ele é quem vai obedecer kkkk adoro

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