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Sala de reunião – HYBE, poucas horas depois

Jungkook chegou com o cenho fechado, o corpo tenso. A sala estava cheia: diretores de imagem, equipe de relações públicas, jurídico, managers, e os membros do BTS. Namjoon estava ao lado dele, visivelmente preocupado.

O líder da equipe de imagem abriu a reunião de forma direta:

— Jungkook, precisamos que você esclareça agora. Você está em um relacionamento? A imprensa ainda não sabe, mas isso pode explodir.

Jungkook encarou todos, respirou fundo e respondeu com firmeza:

— Estou, sim. Estou namorando.

Um burburinho se espalhou pela sala. Alguém do jurídico interveio:

— É a atriz que postou a foto com o anel?

— Não, não é ela. Nunca foi.

Jungkook pegou o celular, desbloqueou, abriu uma foto de SN sorrindo de forma tranquila no jardim de casa. Mostrou para a sala.

O silêncio foi imediato.

A chefe de segurança da HYBE, que também estava presente, empalideceu ao ver a imagem.

— Espera… — ela sussurrou, se inclinando para frente. — Eu conheço esse rosto.

Jungkook a encarou, confuso.

— Conhece?

Ela se virou para o resto da sala, depois olhou novamente para Jungkook com gravidade nos olhos.

— Essa garota… Ela é muito parecida com uma saseng que monitoramos há quase dois anos. Ela usava vários nomes, tentava invadir a empresa, comprava dados de localização, e já tentou se infiltrar em staff de eventos. Era obcecada por você.

— Quê? — Jungkook arregalou os olhos. — Vocês estão dizendo que ela é…

— Não temos certeza. Mas a semelhança é assustadora. E não podemos ignorar isso. Você tem certeza de quem ela é, Jungkook?

Ele tentou lembrar de todos os momentos com SN. Do jeito doce, carinhoso… Mas então, uma memória o atingiu como um soco.

O dia em que ele entrou escondido naquele quarto que ela pedia para ele não abrir.

Imagens vieram com clareza: o escritório pequeno, fechado. As paredes repletas de quadros e porta-retratos com fotos dele. Muitas editadas, como se estivessem juntos desde muito antes de se conhecerem. Ele havia achado aquilo “estranho, mas meio fofo”.

E agora?

Ele se sentou, sem forças por um momento.

— Eu achei que ela fosse só… criativa. Achei que me admirava demais, mas… não parecia uma obsessão. Nunca me ameaçou, nunca fez nada estranho perto de mim.

A responsável pela segurança rebateu:

— Sasengs raramente mostram agressividade de imediato. Elas se adaptam, se escondem. Muitas são manipuladoras. Se ela for a mesma pessoa, você pode estar em risco.

Namjoon interveio com a voz pesada:

— JK… precisamos investigar. Não estamos dizendo que você tem que abandonar tudo agora. Mas você precisa entender o perigo.

— As marcas já estão com medo por causa da polêmica do anel. Se isso vier à tona, você pode perder contratos, shows… — disse outro executivo.

Jungkook se levantou devagar. Seus pensamentos estavam embaralhados, o coração batia acelerado, confuso, com raiva.

— Eu preciso falar com ela. Olhar nos olhos dela e entender o que é verdade.

Ningúem respondeu. Apenas concordaram silenciosamente.

E então, Jungkook saiu da sala, com um peso novo sobre os ombros e a sensação sufocante de que talvez estivesse apaixonado por uma mentira.

No caminho de volta para casa…

O silêncio dentro do carro era quase ensurdecedor.

Jungkook olhava pela janela, os pensamentos fervilhando em sua cabeça. As palavras do staff ecoavam como uma martelada: “Ela é a sasaeng que vem perseguindo você há anos. A gente tentou mantê-la longe, mas ela é obcecada. E agora… agora você tá namorando ela, sem saber quem ela é.”

Ele fechou os olhos por um instante e se apoiou no banco, o punho cerrado sobre a coxa. Lembranças começaram a vir como um turbilhão:

O dia em que ele entrou escondido naquele quarto que SN sempre dizia para ele não abrir…

“Não, esse não… Me promete que nunca vai entrar aqui?”

Mas a verdade era outra. Jungkook se lembrava nitidamente das molduras com fotos dos dois. Agora ele via com clareza: As montagens. Poses que eles nunca fizeram, momentos que nunca aconteceram.

Ele pensou nas fanfics. Pequenos detalhes que, na hora, pareceram nada de mais — algo que ele achou “bizarro fofo”, como havia contado para Taehyung rindo.

Mas não era fofo.

Agora ele entendia que aquelas histórias… eram delírios. Ou pior, planos.

— “Como eu não vi? Como eu fui tão cego?!”

Ele sentia uma onda de raiva, confusão e frustração crescer dentro do peito. O que era real? O que era inventado? SN… ou a sasaeng?

E então, a pergunta mais dolorosa:

— “Ela fingiu o tempo todo? Ou… será que em algum momento, ela também caiu no próprio jogo?”

O carro estacionou. Ele desceu, sem trocar palavra com o segurança. Estava em frente ao prédio dela. O coração batia tão alto que parecia ecoar nos ouvidos.

 Jungkook chegou em casa, o som suave de seus passos abafado pelos tapetes largos do hall. Ele ainda sentia o peso das palavras ditas na reunião com a HYBE, o rosto levemente marcado pela tensão e a mente girando em círculos.

Assim que entrou na casa, não tirou os sapatos como de costume. Não ligou as luzes da entrada, apenas seguiu pelo corredor, guiado pela iluminação sutil que vazava da parte interna da casa.

Algo parecia… errado. Ou diferente.

O ambiente estava silencioso demais, como se aguardasse por algo. Ele seguiu adiante com passos lentos, atentos, como se pressentisse algo antes mesmo de ver. A casa estava exatamente como ele havia deixado — mas, ao virar o corredor em direção ao próprio escritório, notou uma luz acesa sob a porta semiaberta.

Aquilo foi o suficiente para fazê-lo parar.

Ele não se lembrava de ter deixado o cômodo aberto, muito menos aceso. E então, sentiu o estômago se revirar quando ouviu um leve barulho vindo lá de dentro — como papéis sendo manuseados.

Com o coração acelerado, aproximou-se devagar, tentando ao máximo manter o silêncio. Parou à frente da porta e empurrou-a devagar, revelando a cena diante de si.

SN estava dentro do escritório.

De costas para ele, ela parecia concentrada em algo sobre a escrivaninha. Usava o mesmo moletom largo que ele lembrava de tê-la visto com na manhã anterior, os cabelos soltos caindo pelos ombros. A postura dela era levemente inclinada à frente, como se examinasse algum objeto. Não percebeu sua presença de imediato.

Jungkook congelou.

Ali, parado à porta, ele sentiu um frio percorrer a espinha.  Havia algo de estranho naquela cena. Na forma como ela se movia. Na leveza quase silenciosa com que manuseava algo que ele ainda não conseguia ver.

— SN? — ele chamou, a voz baixa, quase um sussurro rouco.

Ela levou um susto súbito e girou nos calcanhares, os olhos arregalados encontrando os dele. Por um instante, o silêncio entre os dois foi quase ensurdecedor.

— Kook! — ela disse, tentando recompor a expressão. — Você voltou mais cedo…

Ele a observava sem responder.

— Eu… eu achei que fosse ter mais tempo, só queria pegar uma coisa rápida aqui… — continuou, gesticulando de forma nervosa, tentando disfarçar a tensão em seus ombros.

Jungkook não se moveu. O olhar dele era firme, carregado de algo que ela ainda não sabia nomear: suspeita, confusão, decepção.

— Por que você está aqui dentro? — ele perguntou, finalmente, a voz agora firme e direta. — Sozinha?

— Eu só… queria ver umas anotações suas. Sobre a agenda da semana. Você sempre deixa tudo aqui, e pensei que talvez pudesse te ajudar com alguma coisa — respondeu ela, desviando os olhos por um momento.

Ele deu um passo para dentro, agora dentro do escritório, sem desviar os olhos dela.

— A agenda fica no meu quarto, no criado-mudo. Você sabe disso. Sempre deixo lá.

O silêncio que se seguiu foi incômodo. Ela mordeu o lábio inferior, e pela primeira vez desde que se conheceram, Jungkook sentiu que havia uma distância real entre eles. Como se, por trás daquele moletom, daqueles olhos que ele aprendeu a decifrar com carinho, houvesse algo que ele não conhecia. Ou pior — que ela escondia.

Ele olhou ao redor.

— O que exatamente você estava fazendo aqui dentro, SN?

Ela engoliu em seco.

— Já disse, só estava mexendo em algumas coisas. Mas se você se incomodou, me desculpa. Eu não quis invadir seu espaço. — tentou sorrir, sem conseguir sustentar a expressão.

Mas Jungkook não respondeu de imediato. Ele deu mais um passo, o olhar ainda firme, agora começando a captar cada detalhe do ambiente com olhos mais atentos. A lembrança do que ouviu na reunião mais cedo lhe martelava o peito.

“A garota que você mostrou na foto… a gente conhece. Ela é uma sasaeng antiga, JK. Temos registros dela há anos.”

“Ela já tentou se infiltrar em eventos. Já tentou comprar informações sobre onde você morava.”

“Você pode estar em perigo.”

“Ela não é só uma fã. Ela é uma obsessiva. E muito, muito esperta.”

SN cruzou os braços, tentando parecer casual. Mas havia algo diferente agora. O modo como ela evitava o olhar dele. 

Jungkook então desviou o olhar por um segundo, notando que sua escrivaninha estava levemente deslocada — como se ela tivesse mexido nela recentemente. Mas ele não perguntou mais nada.

Ainda não.

— Pode sair, por favor? — ele pediu, num tom neutro.

SN hesitou.

— Jungkook, eu… —

— SN. Por favor.

Ela engoliu a seco novamente, passou por ele em silêncio e saiu do cômodo, com os ombros levemente curvados. Jungkook permaneceu ali por alguns segundos, sem se mover, sentindo a tensão crescer.

Não era hora de confrontá-la. Ainda não. Ele precisava entender melhor o que estava acontecendo. Precisava juntar as peças, relembrar cada detalhe.

Porque agora, finalmente, ele entendia que havia algo errado desde o início. E precisava descobrir a verdade.

Antes que fosse tarde demais.

A porta se fechou atrás dos dois com um clique suave, mas o silêncio que pairou em seguida era qualquer coisa menos tranquilo. SN olhava discretamente para o rosto de Jungkook enquanto caminhavam pelo corredor — o maxilar dele estava travado, a respiração visivelmente pesada, e ele evitava encará-la diretamente.

Não era o Jungkook que ela esperava encontrar quando ele finalmente chegasse. Ela pensou que talvez fosse vê-lo rindo sem graça, fazendo piada pra quebrar o clima… mas não. Ele parecia tenso. Irritado. Ou talvez apenas… decepcionado?

SN começou a se questionar se tinha passado do ponto ao entrar no escritório dele. Mesmo que a intenção fosse boa — encontrar aquela aliança dos vídeos que todos comentavam na internet — ela sabia que tinha ultrapassado um limite. Mas também sabia, com a mesma certeza, que aquela aliança não era apenas um acessório aleatório. Era dela. Por mais que o mundo inteiro tentasse dizer o contrário.

Jungkook parou de repente no meio do corredor, fazendo com que ela parasse atrás dele. Ele soltou um suspiro pesado, como se estivesse lutando com algo dentro de si.

— Você não devia ter entrado lá. — disse ele finalmente, sem olhar para trás.

O tom não era exatamente bravo, mas tinha algo contido, algo mais fundo. Como se não fosse só sobre ela ter invadido um espaço físico, mas algo mais íntimo.

SN engoliu em seco. — Eu sei. Mas eu… eu só queria entender.

Ele se virou devagar, o olhar agora firme no dela. Havia dor ali. Confusão. E uma pontinha de medo.

— Entender o quê?

O silêncio entre os dois era pesado, sufocante. SN se encolheu levemente ao ver o olhar dele — escuro, indecifrável, muito distante do Jungkook que ela conhecia.

— Entender por que você tá agindo assim comigo… só porque eu entrei no seu escritório? — ela começou, a voz falhando um pouco pela insegurança. — Me desculpa, eu só tava procurando…

SN parou. O ar pareceu sumir por um momento. Talvez ela estivesse se precipitando. Talvez ele estivesse planejando algo bonito… e ela, impaciente, tinha estragado tudo. Mordeu o lábio com força, hesitando em dizer o que realmente queria.

Mas Jungkook permaneceu imóvel, os braços cruzados sobre o peito, como se estivesse tentando conter algo muito maior do que raiva.

— Procurando o quê? — ele perguntou, a voz baixa, dura, com um peso que ela nunca tinha ouvido antes.

— Eu… — ela hesitou, olhando nos olhos dele. — Eu só queria saber se… se você tinha guardado ali a aliança. Aquela dos vídeos. Eu sei o que ela significa, Jungkook. Eu só queria confirmar. Eu sei que era pra mim…

Ele desviou o olhar com um leve riso seco, incrédulo. Um riso que não combinava com ele.

— Claro que sabe. — murmurou. — Você sabe de tudo, não é?

O tom dele a atingiu como um tapa. SN recuou um passo, confusa.

— Do que você tá falando…?

Jungkook olhou para ela como se estivesse vendo outra pessoa. Como se algo tivesse quebrado dentro dele.

— Eu só não acredito que demorei tanto pra perceber. — ele disse, o tom quase um sussurro carregado de mágoa. — Que fui tão burro.

SN franziu o cenho, o coração acelerado.

— Burro? Perceber o quê?

Ele a encarou novamente, e o olhar dele estava cheio de coisas não ditas, de palavras engasgadas.

— Que a mulher que eu tava deixando entrar na minha vida era uma fã obcecada. Uma sasaeng. — cuspiu, como se a palavra queimasse a língua. — Que fingiu tudo isso. Que se infiltrou aqui, que manipulou todo mundo… até a mim.

O chão pareceu sumir sob os pés de SN.

— O quê…? — ela balbuciou, a respiração travando. — Você acha que eu… que eu sou uma sasaeng?

— Não acha? — ele rebateu. — Então como explica tudo? Você apareceu do nada, sabia tudo sobre mim. Cada detalhe. Cada passo. Até entrar escondida no meu escritório. Isso é coincidência? Ou obsessão?

Ela piscou, como se precisasse confirmar que aquilo estava mesmo acontecendo.

— Jungkook, eu… eu nunca… — ela começou, mas um espasmo súbito a fez parar.

A dor veio rápida, afiada. Uma cólica tão forte que a fez curvar o corpo ligeiramente. Ela levou a mão ao ventre e inspirou fundo, tentando se manter de pé.

Jungkook notou. A expressão dele mudou por um segundo — preocupação instantânea, um reflexo que o corpo dele teve antes do coração lembrar o que ele tinha ouvido mais cedo.

— Você tá bem? — ele perguntou, instintivamente dando um passo à frente.

Ela fez que sim com a cabeça, embora estivesse pálida. A mão ainda pressionando o abdômen. A dor irradiava como uma fisgada quente, e ela teve que se apoiar na parede por um instante.

— É só uma cólica… passa já… — ela disse, tentando sorrir, mas estava fraca demais até pra fingir.

Jungkook hesitou. Aquilo o balançou. Ele sempre cuidava dela, sempre notava quando algo estava errado. Mas dessa vez, ele se forçou a lembrar.

“Ela é manipuladora. Finge fragilidade pra se aproximar.”
“Você não percebeu? Ela sabe tudo sobre você porque se infiltrou. É perigosa.”

As palavras do staff ecoaram como veneno. E agora ali estava ela — com aquela expressão de dor, os olhos marejados — e ele não sabia mais o que era real.

— SN… — ele disse, tentando esconder o turbilhão. — Não faz isso.

— Fazer o quê? — ela perguntou, ainda ofegante. — Sentir dor?

— Fingir que não entende. Fingir que tudo é coincidência. — ele respondeu, a voz embargada.

— Eu não tô fingindo nada! — ela rebateu, a cólica diminuindo aos poucos, mas o peito doía mais do que o corpo. — Eu entrei ali porque… porque queria ver a aliança.  

A tensão nos ombros de Jungkook aumentou. Ele lutava contra tudo que sentia. Parte dele queria se jogar nos braços dela e pedir desculpas. A outra parte estava tomada pela dúvida, pela dor da possibilidade de estar sendo enganado de novo. Por alguém em quem confiou tanto.

Ele não respondeu. Só virou o rosto, tenso, os olhos baixos.

SN mordeu o interior da bochecha. Havia tanto que ela queria dizer, mas algo dentro dela dizia que ele precisava descobrir por si mesmo. Que gritar não adiantaria. Que explicar agora talvez piorasse tudo.

Então ela apenas sussurrou:

— Eu nunca seria capaz de machucar você, Jungkook. Nunca.

E virou-se, dando alguns passos pelo corredor, ainda com a mão no abdômen. Ele não tentou impedi-la. Só ficou ali, imóvel. Com o peito rasgado entre o amor que conhecia… e a mentira que acreditava ter descoberto.

 Quarto de Jungkook, minutos depois…

SN empurrou a porta do quarto devagar, como se o gesto exigisse mais força do que deveria. O lugar ainda tinha o cheiro dele. Aquele perfume leve que ela aprendeu a reconhecer até no travesseiro.

Ela parou por um segundo, o coração disparado. O que estava fazendo ali?

Pegando suas coisas. Indo embora antes que se quebre de vez.
Antes que ele diga mais alguma coisa que doa mais do que já doeu.

Caminhou até o canto onde estavam suas roupas, a mochila, a necessaire. Cada peça que tocava parecia carregada de lembranças. Os casacos que ele insistia em emprestar mesmo quando ela dizia que não precisava. A escova de dente que ele comprou “sem querer” igual à dela, como se combinassem até nisso.

SN tentou não chorar. Não ali. Não agora.

Ela fechou o zíper da mochila com cuidado, sem fazer barulho, como se o silêncio ajudasse a disfarçar a dor.

Foi até a cômoda. Parou diante de uma das gavetas — a que ele cedeu pra ela quando ela começou a dormir ali com frequência. Suas meias ainda estavam dobradas do jeito que ele fazia. SN respirou fundo, pegou tudo que era dela e colocou na bolsa sem olhar para trás.

E então, ao lado da cama, viu o pequeno porta-retrato virado para baixo. O coração pulou uma batida.

Ela o virou devagar.

Era uma foto deles dois. Um dia comum, mas feliz. Ela sorrindo desprevenida, ele fazendo careta atrás dela. Uma memória simples, verdadeira.

SN passou os dedos sobre o vidro e depois devolveu a foto ao lugar — virada para baixo, do jeito que ele deixou. Como se já estivesse tentando apagar o que sentia.

Ela caminhou até a porta com passos calmos. A cólica pulsando fraca, como um lembrete de que o corpo e o coração estavam em guerra.

Mas antes de sair, olhou uma última vez para o quarto. Para tudo que dividiram ali. E sussurrou, baixinho, para ninguém ouvir:

— Eu não sou ela, Jungkook… mas talvez você nunca vá saber disso.

E saiu.

Sala, pouco tempo depois …

Ele ainda estava parado no mesmo lugar. As mãos nos bolsos, os olhos fixos no chão, como se procurar respostas ali fosse mais fácil do que encará-las.

A frase dela ecoava na cabeça:

“Eu queria só ver a aliança.”

Mas tudo dentro dele estava confuso. Um emaranhado de sentimentos que ele não conseguia separar. Ele queria protegê-la, mas e se estivesse protegendo a pessoa errada?

“Ela sabe tudo sobre você porque se infiltrou. É perigosa.”

Ele balançou a cabeça, irritado.

“SN não é assim”, ele pensou. “Ela nunca foi. Mas… e se eu tiver errado?”

O som do zíper sendo fechado no quarto quebrou o silêncio da casa. Ele prendeu a respiração.

De repente, um nó se formou na garganta. Ela estava indo embora. De verdade.

Jungkook andou até o corredor devagar, como se quisesse impedi-la… mas não conseguisse. E quando chegou à porta do quarto, ela já tinha ido.

O quarto estava vazio. A gaveta aberta. A cama sem o casaco dela jogado. Nenhum sinal da presença dela. Nenhum cheiro familiar. Nada.

Ele ficou ali, parado, sem conseguir se mover.

O porta-retrato ainda virado para baixo.

E agora… o peito dele também.

4 Comentários

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  1. Iasmine
    Feb 21, '26 at 9:42 am

    — Essa garota… Ela é muito parecida com uma saseng que monitoramos há quase dois anos. Ela usava vários nomes, tentava invadir a empresa, comprava dados de localização, e já tentou se infiltrar em staff de eventos. Era obcecada por você.

    Nãooo, não é possível isso.. e se ela tiver errada gente

  2. Iasmine
    Feb 21, '26 at 9:44 am

    E então, Jungkook saiu da sala, com um peso novo sobre os ombros e a sensação sufocante de que talvez estivesse apaixonado por uma mentira.

    Vish o jogo virou ein.. e agora ? Quero ver como ele vai lidar com isso

  3. Iasmine
    Feb 21, '26 at 9:50 am

    — Que a mulher que eu tava deixando entrar na minha vida era uma fã obcecada. Uma sasaeng. — cuspiu, como se a palavra queimasse a língua. — Que fingiu tudo isso. Que se infiltrou aqui, que manipulou todo mundo… até a mim.

    Puta merda ele fez.. noooooossa senti a dor dela daqui de casa

  4. Iasmine
    Feb 21, '26 at 9:52 am

    — Eu não sou ela, Jungkook… mas talvez você nunca vá saber disso.

    Meus amores quando uma mulher leva uma rasteira dessa e quando ela sabe o valor dela, pode ter certeza que quando ele se arrepender vai ser tarde

Nota

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