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SN ficou sentada no chão por minutos depois que a mensagem dele apareceu. O celular continuava no chão, o teste de gravidez ainda entre os dedos, agora levemente suado pela pressão da sua mão.

Aos poucos, com esforço, ela se levantou.

As pernas tremiam. A mente, turva. Mas algo a empurrava — talvez uma necessidade silenciosa de vê-lo, mesmo que fosse só de longe. Mesmo que fosse a última vez.

Ela andou devagar até a sala. Os passos eram leves, arrastados, como se cada movimento exigisse um pedaço do que restava dela.

No momento em que chegou perto da porta…
Ela parou.

Porque ele ainda estava ali.

A silhueta dele contra a luz do corredor se desenhava claramente através da parte inferior da porta de vidro fosco.
Imóvel. Cabeça baixa.
Esperando… como se estivesse lutando com o próprio orgulho.

E do lado de fora, Jungkook ouviu.
O som leve dos pés dela contra o chão de madeira.
Cada passo se enfiando como uma agulha em seu peito.
O coração dele deu um pulo.

Ele fechou os olhos.

“Ela tá aí…”
“Ela ouviu… tá me ouvindo agora…”

Mas ela não abriu a porta.
Nem ele teve coragem de bater.

SN encostou a testa na madeira fria da porta, do outro lado. Os olhos marejados. Os lábios entreabertos, tentando conter um soluço.

Ela encostou a mão trêmula sobre a madeira, como se tentasse alcançá-lo sem tocá-lo de verdade.

Do lado de fora, ele fez o mesmo.
Sem ver o gesto dela…
Mas sentindo.
Como se os dois ainda estivessem conectados por um fio invisível.

“Por que você ainda tá aqui?” — ela pensou, os olhos fechados, os ombros pesados.
“Por que você me olha como se não soubesse o que fez?”

Do lado de fora, Jungkook fechou os punhos.

“Diz alguma coisa. Me odeia, me grita, me expulsa… só me dá uma reação. Não esse silêncio.”

Mas o que ele não sabia era que SN estava tentando não cair ali mesmo.
Tentando não deixar a dor explodir.
Tentando não contar tudo.

E o teste ainda estava em sua mão.

Ela não disse nada.
Ele também não.

Depois de mais alguns segundos, ele finalmente suspirou — um som pesado, que ela ouviu.
E então… seus passos se afastaram.

SN encostou a testa com mais força na porta, como se quisesse se fundir com ela.
A mão ainda espalmada, o coração despedaçado.

Ele tinha ido embora.

Minutos depois…

O silêncio preenchia a sala, pesado e absoluto.
SN ainda estava ali, parada diante da porta por alguns instantes depois que os passos dele sumiram no corredor.
O mundo parecia suspenso. Ela só ouvia o som da própria respiração e o eco abafado do que restava do seu coração.

Mas então, como quem desperta de um transe, ela piscou devagar e puxou o ar.

Deu dois passos à frente.
Destrancou a porta.

O corredor já estava vazio.
Ele tinha ido embora.

No chão, uma pequena sacola branca com alças grossas repousava cuidadosamente apoiada contra o batente.

Ela se abaixou devagar para pegar.

Dentro, havia:

Uma nova bolsa térmica — rosa pastel, com estampa de nuvens e uma carinha sorridente no canto.

Meias felpudas de coelhinho — ainda com o cheirinho de loja, embrulhadas com delicadeza.

Um pequeno pacote de doces que ela gostava, discretamente encaixado.

E um bilhete dobrado ao meio, simples:
“Você disse que sentia frio nos pés… pensei que isso poderia ajudar um pouco.”
— com a caligrafia dele, apressada, mas cuidadosa.

SN ficou ali, parada na porta, segurando a sacola contra o peito, o vento gelado da noite batendo em sua pele.

Ela engoliu seco.
A garganta queimava.

“Por que agora…?”
“Por que ainda cuidar se foi você quem me destruiu?”

Com os olhos marejados, ela voltou para dentro, fechando a porta devagar, como se cada segundo precisasse ser arrastado.

Sentou-se no sofá.
Olhou os itens no colo.

E então respirou fundo…
Pegou o celular.

Seus dedos hesitaram antes de digitar.

“Você não precisa fazer isso.”
“Eu sei me cuidar.”

Ela quase apagou.
Quase escreveu algo mais cruel.
Mas estava exausta demais para raiva.
Só queria… afastamento.

Com um leve toque, enviou.

E então deixou o celular cair ao lado.
Fechou os olhos.

A mão ainda repousava sobre a sacola, como se a parte de si que ainda o amava tentasse achar consolo no gesto…
Mas o resto de si estava em pedaços demais pra aceitar.

Jungkook, no carro, ainda parado em frente à casa dela

O celular dele vibrou no banco do carona.

Ele olhou a notificação.
A mensagem de SN.

“Você não precisa fazer isso. Eu sei me cuidar.”

O peito dele apertou.

Ele leu uma vez.
Depois outra.
Tentou encontrar algo nas entrelinhas. Uma brecha. Um “mas”…
Mas não havia.

Só aquela frase, curta, polida…
Fria.

Ele passou a mão no rosto, frustrado.
A aliança ainda estava no bolso do casaco.
Pesando como chumbo.

“Se ela soubesse por que eu comprei aquilo…”
“Se ela soubesse que eu ainda tô tentando entender no que eu errei, onde foi que me perdi…”

Mas ela não sabia.

E agora… talvez nunca soubesse.

Alguns dias depois / Final da tarde – apartamento de SN

A luz do sol atravessava as frestas da cortina, projetando listras douradas sobre o chão.
SN estava sentada no chão da cozinha, encostada no armário, de camiseta larga e os cabelos presos de qualquer jeito.

Na pia, uma caneca com chá morno que ela não conseguiu terminar.
No fogão, um arroz que queimou no fundo da panela.

Ela apertava os joelhos contra o peito, tentando ignorar o desconforto no estômago.

Mas não era como antes.
Não era só cólica.

Ela já tinha ido ao médico.
O exame de sangue confirmou.
Gravidez, sim. Cinco semanas.

A cada manhã, acordava com o estômago embrulhado. O cheiro do sabonete que antes adorava agora a fazia nausear. A cabeça pesava.
E os seios estavam sensíveis demais até pro próprio toque.

Mas nada…
Nada doía mais do que o silêncio entre ela e Jungkook.

O celular vibrava com mensagens da amiga que sabia da situação.
Mas ela não queria falar com ninguém.

— Eu tô bem… — sussurrou, pra si mesma, como quem tenta hipnotizar a dor.

Subitamente, o enjoo voltou mais forte.
Ela correu pro banheiro, segurando os cabelos com uma mão enquanto se ajoelhava diante da privada.

Quando terminou, sentou no chão frio.
Suada.
Trêmula.

Passou a mão na barriga ainda lisa.

— Como eu vou fazer isso sozinha…?

As lágrimas vieram sem aviso.
Ela não chorava por pena.
Chorava de exaustão.

“Ele nem sabe…”
“E se eu contar? Ele vai achar que é mentira. Vai achar que tô inventando pra me manter perto.”
“Ele disse que eu era uma sasaeng.”

Seu corpo estremecia.
De frio? De medo?
Talvez os dois.

Ela se arrastou de volta até o quarto.
Na mesa de cabeceira, a bolsa térmica de nuvens que ele tinha deixado.
Ela não teve coragem de devolver.

Deitou com ela apertada contra o abdômen, como se isso pudesse anestesiar a alma.

 Estúdio de Jungkook, naquela mesma noite – Casa dele

Jungkook estava no estúdio, luz baixa, de capuz e fones nos ouvidos, mas sem som algum tocando.

A tela do computador exibia um projeto incompleto.
O cursor piscava parado no mesmo lugar há 40 minutos.

A mente dele… longe.

Desde a última vez que a viu, ele estava em guerra interna.
Procurou o nome dela entre os contatos.
Entrou no chat.
Escreveu “Oi.”
Apagou.

Fez isso três vezes.
E desistiu.

Mas algo o corroía por dentro.

“Por que aquela mensagem soou como despedida?”
“Por que eu tô com essa sensação de que ela não tá bem?”

Ele respirou fundo e tirou os fones.

Pegou o celular.

O fundo de tela era uma selfie dos dois, de meses atrás.
Ela deitada no peito dele, com aquele sorriso preguiçoso que só aparecia quando ela estava segura.

Apertou os olhos.
Seu peito doía.
Sentia falta dela com um desespero que não queria admitir.

Mas não podia aparecer… não podia forçar.
Não depois do que disse.

Não depois do quanto ela parecia magoada.

Mas e se…?

E se ela estivesse passando por algo… realmente sério?

Jungkook se levantou de súbito, inquieto.
Pela primeira vez em dias, pegou a chave do carro.

“Vou passar por lá. Só ver se tá tudo bem. Não vou tocar. Só… olhar.”

Mas talvez fosse tarde demais pra só olhar.

 Tarde nublada / feira de rua 

Jungkook parou o carro a poucos quarteirões do prédio dela.
O trânsito estava mais lento do que o normal, e a calçada à frente fervilhava com barracas improvisadas de frutas, verduras, e donas de casa com sacolas nas mãos.

Ele olhava pela janela, os dedos tamborilando no volante, ansioso, o coração batendo mais rápido do que gostaria de admitir.

Foi então que a viu.

Ali. No meio da multidão.

De moletom bege folgado, capuz meio caído, uma sacola leve pendurada no braço…
SN.

Estava parada em frente a uma barraca de maçãs.
O rosto estava mais pálido que o normal. Um pouco mais inchado. Os olhos… cansados.
Mas ainda era ela.
O peito dele apertou.

Jungkook soltou o volante.
Seus olhos se fixaram nela como se o mundo inteiro tivesse silenciado.

Ela pegava uma maçã, examinava devagar, mas seu corpo parecia mais lento… frágil.
Não era a mesma SN que brigava com ele por esquecer o arroz no fogo.
Nem a que subia correndo as escadas do estúdio.
Era outra.
Mais magra.
Mais quieta.

Mais… sozinha.

Seu coração deu um pulo.

“Ela não parece bem…”
“Por que ela tá aqui? Sozinha? Desse jeito?”

Ele quase abriu a porta do carro, mas foi interrompido por uma vibração no bolso.

Atendeu sem desviar os olhos dela.

— Alô?

— Senhor Jeon, aqui é o chefe da segurança do prédio.

— Fala.

— Capturamos a mulher que estava enviando coisas para a sua casa. Tentou usar a caixa de correios hoje. A equipe a monitorava desde a última tentativa. Ela confessou… está sob custódia agora.
Era a mesma que invadiu o evento meses atrás, disfarçada de staff. Ela tinha fotos suas e até da… da senhorita que esteve com o senhor nos últimos tempos.

Silêncio.

A cabeça de Jungkook girava.

— Como é que é?

— Não era a SN, senhor. Confirmado.
Ela estava sendo alvo também. A sasaeng estava tentando… se passar por ela, elas se parecem um pouco, mas não é a SN.

A ficha caiu.

E, com ela, veio o soco no meio do peito.

SN nunca foi a sasaeng.
E ele…

Ele a acusou.

“Eu feri ela.”
“Eu deixei ela ir.”
“E ela… só tentou me amar.”

— Senhor Jeon…? O senhor está ouvindo?

Mas Jungkook já tinha desligado.

Olhou de novo pra frente.
SN já caminhava para a esquina, mais devagar agora, como se estivesse tonta.
Ela apoiou a mão na barriga discretamente.

Ele franziu o cenho.
Aquela imagem… aquele gesto…

“Não…”

Ele abriu a porta num pulo, saindo do carro, indo atrás dela.

— SN!

Ela não ouviu.
Ou fingiu que não ouviu.

Ele correu.
E de repente, como se o mundo finalmente percebesse que estava prestes a colidir com a verdade, ela parou.

Virou-se devagar, os olhos arregalados ao vê-lo tão perto.

Jungkook também parou.
Ali, diante dela.
Ambos ofegantes, ambos despedaçados.

O olhar dele caiu sobre a mão dela ainda apoiada na barriga.

E pela primeira vez…
ele sentiu.

Algo dentro dele mudou de lugar.

Ela o encarou.
A maçã ainda na mão.
O capuz escondia parte do rosto, mas os olhos… os olhos estavam molhados.
Cheios de tudo o que ela segurava há dias.

Jungkook parou a dois passos de distância.
O peito subia e descia, mas ele não disse nada por um segundo.
Parecia absorver a imagem dela — real, viva, frágil, mas de pé.

— SN… — ele murmurou, a voz quase engasgada.

Ela fechou a mão ao redor da maçã, desviando o olhar, como se cada segundo ali a colocasse em risco de desmoronar.

— Por que tá aqui? — ele perguntou, baixo, como se não soubesse por onde começar. — Sozinha… desse jeito?

Ela deu um passo pra trás, defensiva.

— Por que não estaria? — rebateu, a voz rouca, mais fria do que queria soar. — Tô tentando seguir minha vida. Você deixou bem claro que… eu era um erro.

Jungkook apertou os olhos por um instante.
Aquilo doeu.

— Não fala assim…

— Por quê? É mentira?

Ele respirou fundo, olhando pros lados como se o mundo ao redor não fizesse mais sentido.

— Eu… — ele hesitou, a mão indo aos cabelos, bagunçando os fios. — Eu errei. Deus, eu errei tanto.
Eu acreditei em coisas que… — ele cerrou os punhos. — Não devia ter duvidado de você.

Ela riu, seca, como se não tivesse mais lágrimas o suficiente.

— E o que isso muda agora?

O silêncio caiu entre eles.
Só se ouvia o barulho de sacolas, vozes distantes, um carro buzinando.

— Pegaram ela, SN — ele disse, de repente. — A verdadeira sasaeng. Hoje. Agora há pouco.

Ela congelou.

— O quê?

— Ela tentou deixar algo na minha caixa de correios. Confessou. Já vinha fazendo isso há meses… incluindo o que colocaram no seu armário no estúdio. As mensagens, as ameaças… Era ela. Sempre foi ela.

Os olhos dela se encheram.

Ele deu um passo à frente, a voz mais baixa agora.

— Você era inocente. E eu fui o idiota que não ouviu o coração. Que não confiou.

SN fechou os olhos com força.
Aquilo era tudo o que ela precisava… e tudo o que não conseguia mais suportar.

— Jungkook… — ela sussurrou, com a voz quebrada. — Tarde demais.

Ele pareceu levar um soco.

— Por que?

Ela não respondeu.

Só segurou mais firme a sacola, endireitou o corpo e deu um passo para o lado, pronta para seguir.

Ele tentou tocá-la no braço, hesitante.

— Espera…

Ela o olhou com tanta dor que ele congelou no lugar.

— Eu… preciso ir.

Antes que ele dissesse qualquer outra coisa, ela já havia se afastado, desaparecendo entre as barracas.
O capuz cobrindo o rosto.
O mundo pesando nas costas.

E ele ficou ali, parado, observando o vazio deixado por ela, sem saber que, além da dor e das palavras que nunca disse…
ela carregava o filho dele.

Mais tarde naquele dia…

SN estava no sofá, com as pernas dobradas, envolta em um cobertor leve.
A maçã ainda estava ali, em cima da mesa de centro. Intacta.

O celular ao lado brilhava com uma nova mensagem dele.

“Você chegou bem? Por favor… me responde.”

Ela não teve coragem de abrir.
Sentia o coração pesar na garganta.
Um enjoo insistente se instalava em ondas desde o fim da tarde. O cheiro de comida da vizinha do andar de baixo a fez correr pro banheiro.

Gravidez.
Ela repetia essa palavra como se fosse um segredo proibido.
Não havia contado a ninguém. Nem à mãe.
E definitivamente não a ele.

Porque como contar para alguém que…
Que a acusou, duvidou, feriu…?

Ela olhou para o teste positivo, ainda guardado na caixinha de veludo em que o médico havia colocado com delicadeza — como se aquilo fosse algo para se guardar pra sempre.

Mas só a fazia chorar cada vez que olhava.

Casa de Jungkook – Estúdio…

Jungkook estava sentado no chão do estúdio, o capuz cobrindo a cabeça, o celular ao lado, sem resposta.

A aliança estava na mão.

Ele a olhava, rodando entre os dedos, os olhos vermelhos e vazios.

“Era pra ter sido você.”
“A gente tava indo tão bem.”
“Você ria das minhas mágicas ruins. Dormia no meu peito. Fazia planos.”

Dias depois – Apartamento de SN…

SN sentia tudo mais intenso.

O corpo mais cansado, o cheiro da comida cada vez mais enjoativo.
A calça jeans já apertava na barriga, mesmo que a mudança ainda fosse sutil.
Ela usava um moletom grande e folgado, sentada no canto da cama, os olhos perdidos.

“Eu preciso me preparar pra isso sozinha.”

Falava pra si mesma todos os dias.
Mesmo quando o coração gritava por ele.

Casa de Jungkook…

— Hyung… — ele chamou, na ligação com Namjoon. — Acha que eu devo insistir?

— Você errou, Jungkook. Mas não é só sobre isso. Você precisa saber se ela ainda quer te ouvir.

Ele ficou em silêncio.

— Eu não sei se ela vai me deixar fazer parte disso de novo — confessou, baixo.

Namjoon não respondeu de imediato.

— Vai ter que descobrir. Mas se ainda tiver amor… tenta mais uma vez.

Jungkook desligou e olhou a aliança mais uma vez, com um aperto no peito.

Ele não sabia que o tempo estava correndo.
E que o maior segredo da vida dele crescia, silenciosamente, no ventre da mulher que ele amava… mas não sabia mais como alcançar.

Pronunciamento nas mídias – Jungkook

Em uma nota publicada em suas redes sociais, a BigHit divulgou um pronunciamento de Jungkook, após semanas de especulações sobre um suposto relacionamento entre ele e uma atriz famosa.

“Nunca comentei sobre minha vida pessoal, mas em respeito aos meus fãs e à verdade, preciso esclarecer: não estou em um relacionamento com nenhuma atriz, como foi divulgado. O anel que muitos viram comigo não foi comprado para essa pessoa. Havia uma outra pessoa que significava muito para mim. Essa história foi distorcida, e eu peço desculpas por qualquer dor que minha falta de comunicação tenha causado.”

A internet foi à loucura. Mas quem precisava ler isso… permaneceu em silêncio.

Dias depois…

Ela encarava o ultrassom colado na parede do quarto. Ao lado, a lista de médicos aceitos pelo convênio. Havia marcado sua primeira consulta com uma obstetra mulher, num hospital mais reservado.

Tinha decidido seguir sozinha. Mesmo com a voz da amiga ecoando ao telefone:

— “Você não pode esconder isso dele pra sempre.”

— “Não é sobre esconder. É sobre me proteger.”

Sentia-se frágil. Mas firme.

Estava começando a aceitar a ideia de ser mãe. Ainda não sabia como contar, nem quando. E talvez nem quisesse mais contar.

Duas semanas depois – Hospital privado Seul…

Jungkook estava saindo de uma consulta com um especialista em ombro e lesões, por causa de uma tensão muscular. Vestia uma touca e máscara, discreto, e descia a escada até a recepção do andar.

Foi quando a viu.

Ela.

SN.

Com uma sacolinha da farmácia do hospital numa mão. E um papel dobrado na outra. Caminhava com calma, mas claramente com um leve inchaço na barriga. Estava diferente.

Ele paralisou. 

O coração acelerou. O cenário em volta pareceu se desfocar.

Ela olhou na direção dele, mas não parou. Fingiu não ver.

Jungkook, confuso, virou-se para a assistente na recepção:

— “Oi, desculpa. Aquela moça que saiu agora… ela saiu de qual ala?”

A mulher olhou rápido, sem levantar a cabeça:

— “Obstetrícia. Consulta com a Dra. Min Ji.”

Ele congelou.

— “Obstetrícia…?”

Sem pensar, caminhou até a porta da sala da médica. Bateu, hesitante.

A doutora, uma mulher gentil e discreta, abriu.

— “Sim?”

Ele hesitou por um segundo, respirando fundo antes de falar.

— A senhora acompanha uma paciente chamada SN?

Ela inclinou levemente a cabeça, o semblante se fechando com cautela.

— Sr. Jeon… sabe que não posso confirmar nem negar nada.

— Eu sei. — ele se adiantou, pressionando os lábios. — Mas… eu vi ela aqui. Ela parecia… diferente. Preocupada. Ela não me diz mais nada. Só quero saber se ela está bem.

O silêncio da médica foi quase doloroso.

— Ela é forte. — disse por fim. — Mas isso não significa que ela não esteja enfrentando as coisas sozinha.

Jungkook sentiu o coração apertar. A médica não disse o que era. Mas não precisava. Algo na forma como ela falou… a expressão nos olhos dela…

— Ela tá doente? — perguntou, quase num sussurro.

E nesse momento, a porta se abriu.

SN estava do outro lado, segurando uma pasta fina, com os exames recém-retirados da recepção. O mundo pareceu congelar por um segundo. Ela arregalou os olhos ao vê-lo.

Ele também ficou paralisado.

— SN… — sussurrou.

Ela deu um passo para trás instintivamente. E foi aí que ele viu. A ficha do hospital que ela segurava tinha o nome da ala: Obstetrícia.

Os olhos de Jungkook caíram sobre o papel. A mente tentando ligar os pontos. Os segundos pareceram eternos.

— Você…

Mas ela o cortou.

— Não quero conversar, Jungkook.

Tentou sair, mas ele segurou levemente seu braço, sem força.

— Você tá grávida?

Ela não respondeu. Só olhou pra ele. E isso bastou.

Aquele olhar carregado de dor, de lembrança, de saudade… e agora, de medo.

Ela se soltou com calma e foi embora sem olhar para trás.

SN indo para casa…

Ela segurava o choro no ônibus. O vento entrando pela janela bagunçava seus cabelos, mas ela nem se mexia. A mão apoiada sobre o ventre já formava um instinto novo.

Ela sabia que agora ele sabia.

E isso… isso mudava tudo.

Ou talvez não.

Porque o mais difícil ainda estava por vir.

Jungkook ainda no hospital…

Ele continuava parado no mesmo lugar, o coração batendo tão forte que sentia nas orelhas.

Grávida.

Ela estava grávida.

E aquele olhar… aquela dor nos olhos dela…

Era dele.

Ela estava grávida dele.

E ele quase a perdeu para sempre sem saber disso.

— Meu Deus… o que eu fiz…?

— Meu Deus, me ajuda. Por favor… me ajuda a consertar isso.

4 Comentários

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  1. Iasmine
    Feb 21, '26 at 10:20 am

    “Por que agora…?” “Por que ainda cuidar se foi você quem me destruiu?”

    Pqp e foi na hora que ela mais precisava dele, do apoio dele

  2. Iasmine
    Feb 21, '26 at 10:27 am

    — Capturamos a mulher que estava enviando coisas para a sua casa. Tentou usar a caixa de correios hoje. A equipe a monitorava desde a última tentativa. Ela confessou… está sob custódia agora. Era a mesma que invadiu o evento meses atrás, disfarçada de staff. Ela tinha fotos suas e até da… da senhorita que esteve com o senhor nos últimos tempos.

    É Jeon, tu fez merda precipitadamente.. agora tu descobriu que ela não era a pessoa que vc pensava que era puta merda

  3. Iasmine
    Feb 21, '26 at 10:33 am

    Ela segurava o choro no ônibus. O vento entrando pela janela bagunçava seus cabelos, mas ela nem se mexia. A mão apoiada sobre o ventre já formava um instinto novo.

    Aiii gente que dó.. a cabeça da bichinha uma bagunça total depois de tudo que passou

  4. Iasmine
    Feb 21, '26 at 10:33 am

    — Meu Deus, me ajuda. Por favor… me ajuda a consertar isso.

    Tu agora vai ter que rebolar duas vezes Jeon, pra conquistar essa mulher de novo

Nota

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