Ela Só Foi Embora
por FanfiqueiraSaindo da casa de Jungkook…
As mãos de SN tremiam levemente enquanto ela puxava a porta, tentando não fazer barulho. O coração parecia prensado no peito, como se tivesse ficado para trás naquela casa sufocante. O silêncio cortava mais do que qualquer grito — e foi naquele silêncio que ela entendeu que já não era mais bem-vinda ali.
A rua estava fria, cinzenta, quase tão vazia quanto ela se sentia por dentro. SN caminhava sem rumo, os passos trôpegos como se o chão tivesse perdido o equilíbrio junto com ela. A brisa batia em seu rosto como um lembrete cruel de que a realidade não precisava gritar para doer.
Ela ergueu o braço e acenou para um táxi com pressa. Quando o carro parou e ela entrou, trancando a porta, o mundo lá fora desapareceu — e ela desmoronou.
As lágrimas vieram com força, como se tivessem ficado represadas por tempo demais. Suas mãos cobriam o rosto, e o choro era tão silencioso quanto devastador. O motorista apenas lançou um olhar pelo retrovisor, mas não disse nada. Talvez já estivesse acostumado com corações partidos em seu banco de trás.
“O que houve?” ela pensava, sentindo o gosto amargo da dúvida. “Ele passou a noite inteira cuidando de mim… foi tão carinhoso… tão preocupado… e quando voltou do trabalho… era como se eu fosse uma estranha. Como se eu fosse um erro.”
SN apertou os dedos contra as têmporas, tentando conter o nó que subia pela garganta.
“Por que ele disse que eu era uma sasaeng…?”
“Aquele anel… ele foi até uma joalheria… será que era pra mim mesmo? Ou ele deu pra aquela atriz?”
“Será que… ele fez tudo aquilo só pra depois me descartar? Como se eu fosse nada?”
Ela encostou a testa no vidro, vendo as luzes da cidade desfocarem com as lágrimas.
“Será que ele se cansou de mim…?”
“Por que… por que ele me olhava como se me odiasse? Por que parecia tão arrependido…?”
O táxi seguiu seu caminho enquanto ela mergulhava em pensamentos cada vez mais escuros. A dúvida doía mais que a saudade. O medo queimava mais que qualquer raiva.
Era como se tudo que tinham vivido tivesse se despedaçado diante dela sem aviso. E agora, sozinha, sem respostas, com o coração em ruínas, SN não sabia mais se era amor… ou apenas uma ilusão bonita que terminou do jeito mais cruel: com silêncio, rejeição e um “adeus” que nem chegou a ser dito.
Casa de Jungkook
Jungkook estava sentado no chão da sala, encostado na parede, o rosto enterrado entre os joelhos, os cabelos desgrenhados, ainda molhados do banho apressado que tomara para tentar “lavar” a angústia — sem sucesso.
O ambiente estava escuro, com as luzes apagadas, exceto pela televisão ligada no mudo, passando um clipe qualquer. O som baixo da cidade lá fora preenchia o silêncio abafado, pesado.
A jaqueta dele que SN usava ainda estava pendurada na cadeira da cozinha.
Ele olhava para ela de longe. Não conseguia se mover. O peito doía, latejava — como se alguma parte dele estivesse tentando gritar algo que a razão não deixava ouvir.
“Eu fiz a coisa certa… fiz, não fiz?”
“As coincidências são demais… ela sabia de tudo, apareceu em lugares sem explicação…”
Ele esfregou o rosto com força, frustrado, os olhos vermelhos não só pelo cansaço.
“Mas… ela parecia tão assustada… tão magoada.”
“E se… e se eu estiver errado?”
Ele se levantou de repente, andando de um lado para o outro, inquieto. O celular estava largado no sofá. A notificação de uma nova mensagem piscava, mas ele não tinha forças para checar.
“Eu vi o jeito que ela me olhava… confusa, como se não soubesse de nada.”
“Mas… é assim que elas são, não é? Fingem. Manipulam.”
“Ela poderia ter me enganado esse tempo todo.”
Mas o estômago dele se revirava só de pensar nisso. Algo dentro dele gritava que não fazia sentido. Que o toque dela, o jeito como falava, o modo como se preocupava com ele… não era fingimento. Não podia ser.
De repente, o celular vibra.
Ele encara a tela.
Ligação: Chefe de segurança…
Ele hesita por dois segundos antes de atender.
— Hyung…
— Jungkook-ah, tá tudo bem? Você resolveu aquela situação com a sasaeng? Quer que a gente entre em contato com os advogados? Ou prefere que a gente leve o caso direto pro CEO? — a voz do outro lado era firme, protetora.
O coração de Jungkook bateu mais forte. Ele apertou os lábios e engoliu em seco, olhando de novo pra jaqueta de SN.
— Não sei… — murmurou, com a voz baixa. — Não tenho certeza de nada agora.
Houve uma pausa do outro lado da linha.
— Como assim? Você disse que tudo se encaixava.
Jungkook passou a mão no cabelo, nervoso, quase murmurando pra si mesmo:
— É… mas o jeito que ela olhou pra mim quando eu falei… Hyung, ela parecia… despedaçada. Ela nem tentou se defender. Não disse nada. Só… foi embora.
— Isso não prova nada, Jungkook. Às vezes elas sabem que negar só piora. Você precisa se proteger.
Mas Jungkook não respondeu. Ele caminhou até a jaqueta e a pegou com cuidado, como se fosse feita de vidro.
Dentro do bolso, algo pequeno caiu: um bilhete amassado, escrito à mão. As palavras eram simples, mas cortantes:
“Comprei o pão que você gosta. Achei que a gente podia tomar café juntos amanhã. – SN”
O peito dele afundou.
A vista embasou.
— Hyung… e se eu tiver ferrado tudo? — a voz saiu trêmula. — E se ela não for uma sasaeng?
Do outro lado da linha, o silêncio falou mais do que qualquer resposta.
Casa de SN…
A chave girou na porta com dificuldade, como se até ela resistisse ao retorno de SN para aquele lugar que agora parecia tão… vazio.
Ao entrar, SN não acendeu nenhuma luz. Apenas empurrou a porta com o ombro, largando a bolsa no chão, os ombros pesando como se carregassem o mundo inteiro. Cada passo até o quarto era arrastado, lento.
Seus olhos ainda estavam marejados, mas nenhuma lágrima descia agora. Era como se o corpo inteiro estivesse anestesiado — só o coração gritava, em silêncio.
Ela se jogou na cama sem trocar de roupa. Enterrou o rosto no travesseiro, sentindo o cheiro de si mesma misturado a uma tristeza sufocante.
E então… desabou.
As lágrimas vieram de uma vez, silenciosas no começo, depois sufocadas por soluços baixos. Ela apertou os lençóis com força, tentando se conter, mas a dor era maior.
“Me trouxe comida, ficou ao meu lado, e depois…”
“Depois me olhou como se eu fosse um monstro.”
“Por que ele me odiava naquele momento? O que eu fiz pra merecer isso?”
“E o anel?”
“Era pra mim ou… era só uma coincidência cruel? Ele comprou pra me dar e depois mudou de ideia? Ou nunca foi pra mim?”
Ela se virou de lado, abraçando o próprio corpo. O peito doía tanto que mal conseguia respirar.
“Será que ele só cuidou de mim por pena? Será que… ele tava só esperando uma desculpa pra se livrar de mim?”
O travesseiro ficou molhado de tanto choro. A exaustão finalmente venceu e, aos poucos, ela adormeceu, com o rosto manchado pelas lágrimas, ainda com o coração quebrado em pedaços.
Casa de Jungkook…
O som da torneira pingando no banheiro quebrava o silêncio do quarto. A luz amarelada iluminava o espaço pequeno, revelando a bagunça esquecida sobre a bancada: o remédio que ele tinha comprado pra SN, ainda fechado. A embalagem da bolsa térmica nova, cor-de-rosa claro, rasgada com pressa.
Jungkook estava ali. Sentou no chão frio do banheiro, encostado na parede, com a cabeça tombada pra trás e os olhos fixos no teto — vermelhos, perdidos.
Ele não tinha saído dali desde que viu o bilhete. A mente girava sem parar.
Do outro lado da porta, no quarto, o cobertor pequeno com estampa de bichinhos ainda estava dobrado sobre a cama. Ao lado, meias felpudas de coelhinho, que ele escolheu com tanto cuidado, estavam jogadas no canto da poltrona.
Ele apertou os olhos, frustrado, e balbuciou para si mesmo, a voz quase um sussurro:
— Ela tava com dor…
— Eu comprei isso achando que ia ver o sorriso dela… que ela ia rir das meias ridículas e dizer que eu sou bobo.
— Mas agora ela foi embora.
Ele se levantou devagar, caminhando até o quarto. Ajeitou o cobertor na cama, como se aquilo mudasse alguma coisa. Passou os dedos pelas meias, quase com carinho.
Depois sentou-se na beira da cama, apoiando os cotovelos nos joelhos e encarando o chão, derrotado.
“Por que você não brigou comigo, SN?”
“Por que não gritou, não me esbofeteou, não me chamou de louco? Era isso que eu merecia.”
“Mas você só… foi embora.”
O celular vibrou mais uma vez. Mas ele não atendeu.
Naquela noite, ambos dormiram em lugares diferentes depois de muito tempo.
Com o mesmo vazio no peito.
Com o mesmo pensamento sufocante:
“Será que acabou?”
Casa de SN…
A luz suave da manhã atravessava as cortinas, atingindo o rosto de SN. Ela despertou lentamente, com os olhos pesados e a cabeça doendo. O travesseiro ainda úmido do choro da noite anterior.
Ficou ali por longos minutos, deitada de lado, sem forças pra levantar. O corpo doía como se tivesse apanhado — mas era o coração que pesava mais.
Ela puxou o cobertor até o queixo, tentando se proteger de um mundo que parecia ter desabado sobre ela.
“Não foi um pesadelo…”
“Ele realmente acreditou que eu era uma sasaeng.”
Ela levou a mão ao peito, como se pudesse acalmar a dor com o toque.
“Será que ele já se arrependeu?”
“Ou tá aliviado por eu ter sumido?”
O celular estava ali do lado. Nenhuma mensagem. Nenhuma ligação.
Ela virou a tela pra baixo.
— Tá tudo bem… eu não preciso dele pra respirar. — mentiu, baixinho, antes de enterrar o rosto no travesseiro de novo.
Casa do Jungkook…
Jungkook não tinha dormido. Ainda estava no mesmo lugar, sentado ao lado da cama, com os olhos fixos no teto e o celular na mão.
A foto de SN piscava na tela bloqueada. Uma das selfies que ela tirou com ele sem que ele soubesse. Ele tinha deixado como papel de parede. Agora parecia zombar da saudade que ele sentia.
Ele passou a noite revirando tudo: mensagens antigas, fotos, lembranças… procurando sinais. Algo que provasse que ela era mesmo culpada. Mas tudo que encontrou foi carinho. Cuidado. Amor.
E de repente, aquilo tudo começou a doer ainda mais.
“Você cuidava de mim quando ninguém via. Você me escutava quando eu só sabia calar. Você me fazia rir… mesmo nos dias ruins.”
“E mesmo assim… eu acreditei em todos, menos em você.”
O celular vibrou.
Ele atendeu, a voz rouca e baixa:
— Alô…
Do outro lado, a voz era familiar. Alguém próximo da equipe dele, mas direto.
— Hyung? Já resolveu com a sasaeng?
— Quer que a gente cuide disso de vez? Podemos fazer o que for preciso pra ela não te incomodar mais.
Jungkook ficou em silêncio. O sangue gelou.
— Ela não é uma sasaeng. — disse, por fim.
— Eu… eu acho que cometi o pior erro da minha vida.
A voz do outro lado hesitou.
— Você tem certeza? Ontem você tava convicto…
— Ontem eu tava cego. — Jungkook levantou os olhos, os músculos da mandíbula travando.
— Hoje eu só vejo ela indo embora. E eu não consigo respirar direito.
Silêncio.
Jungkook passou a mão pelos cabelos, frustrado.
— A única coisa que eu queria agora… era que ela olhasse pra mim do mesmo jeito que olhava antes.
— Mas acho que isso… já era.
Estúdio (Final da manhã)
A porta do estúdio rangeu levemente quando Jungkook empurrou. O cheiro familiar de madeira e som abafado trazia memórias reconfortantes — mas hoje, tudo ali parecia carregado demais.
Ele entrou devagar, como se o ar ali dentro fosse mais denso.
Os olhos varreram o espaço até o canto, onde havia um pequeno cofre embutido na parede, atrás de uma estante de vinis.
Com passos lentos, ele se aproximou.
No fundo, sabia que não ia conseguir fugir disso pra sempre.
Puxou a estante com cuidado, digitou a senha. O bip ecoou seco pela sala.
CLACK.
A portinha de metal abriu, revelando uma pequena caixa preta de veludo ao lado de uma nota escrita à mão — o segurança havia deixado tudo como ele havia pedido.
Jungkook pegou a caixinha como se segurasse algo sagrado.
Sentou-se na poltrona giratória do estúdio. Abriu com cuidado.
Lá dentro, a aliança brilhava sob a luz suave do teto.
Simples, elegante, com um brilho discreto. O anel que ele havia escolhido pra SN com o coração leve, antes de toda a confusão. Antes da dúvida. Antes da destruição.
Ele encostou o polegar no aro metálico. Um sussurro escapou:
— Isso era seu…
A garganta apertou. Os olhos começaram a marejar — ele não tentou conter.
“Eu queria te entregar isso depois de fazer um jantar pra você. Eu queria que você visse o quanto significava pra mim.”
“Mas eu deixei o medo falar mais alto. Me deixei influenciar. E agora…”
Ele fechou os olhos, segurando o anel com força entre os dedos.
“Você foi embora achando que eu te odiava. E tudo o que eu queria era passar o resto da vida com você.”
Por alguns segundos, o silêncio do estúdio pareceu gritar.
Jungkook encostou a cabeça no encosto da cadeira, com o olhar fixo no teto.
O anel ainda na mão, quente agora por causa da pele.
Ele sussurrou, mais pra si mesmo do que pra qualquer um:
— Me dá uma chance de consertar isso, por favor…
Horas antes, no início da manhã – Casa de SN
SN estava encolhida no sofá, o cobertor puxado até o queixo. A luz do dia entrava pelas janelas, mas tudo parecia pálido, distante.
A dor começou como uma fisgada familiar no baixo ventre… Mas não parava.
Ela tentou se levantar, cambaleando até o banheiro, achando que talvez agora finalmente menstruasse.
Mas nada. Nenhum sinal.
A dor ficou mais forte. Um calor estranho, uma pressão desconfortável que a fez se curvar.
“Ai… Ai… Droga…”
Com o rosto empapado de suor frio, ela pegou o celular com as mãos trêmulas e chamou um carro.
Consultório médico – minutos depois…
Ela sentou-se na maca, inquieta. A médica observava o prontuário digital no tablet.
— Você mencionou que o atraso já passou de uma semana, certo?
— Sim… é que eu achei que fosse só estresse. — respondeu, com a voz fraca.
— E essas cólicas mais fortes hoje… tem outros sintomas?
SN assentiu devagar, tentando segurar as lágrimas.
A médica se levantou e voltou com um teste rápido.
— Vamos tirar isso a limpo, tudo bem?
Minutos depois, a médica voltou.
SN mal conseguia respirar.
— SN… o teste deu positivo.
— …
— Você está grávida.
O mundo pareceu parar. O som virou ruído.
O coração batia nos ouvidos como um tambor, e os olhos marejaram sem permissão.
“Grávida?”
“Como eu vou contar isso pra alguém que me expulsou da vida dele dizendo que eu sou uma sasaeng?”
Ela saiu do consultório com o teste nas mãos.
O coração quebrado.
O corpo em choque.
A alma… despedaçada.
Fim de tarde – Casa de SN
O apartamento estava silencioso.
Ela ainda estava ali, no chão do quarto. As luzes apagadas. As cortinas fechadas.
O teste continuava na sua mão.
A mesma posição desde que voltou. Não tinha conseguido se mexer.
Os olhos vermelhos. As pernas dobradas junto ao corpo.
Só a respiração baixa preenchia o espaço.
Ding dong.
Ela ouviu a campainha, mas não teve forças.
De novo.
Ding dong.
O coração acelerou por instinto, mas o corpo não reagia. Ela não se moveu. Só mais lágrimas escorreram, silenciosas.
Do outro lado da porta… Jungkook.
Ele segurava uma sacola com as coisas que tinha comprado pra ela.
Nada grandioso — só cuidado. Só arrependimento disfarçado de meias felpudas, chocolate amargo, uma garrafa térmica rosa e um novo cobertor pequeno de bichinhos.
“Eu sei que você não vai me atender, mas…”
“Eu… não consegui ignorar. Você sempre fica pior quando sente dor.”
Ele colocou a sacola no chão, encostada à parede, do lado da porta.
O coração apertado no peito. E a sensação de que talvez… tivesse perdido pra sempre.
Pegou o celular. Digitou rápido.
Mensagem para SN:
“Só queria deixar isso aqui, mesmo que você me odeie agora. Não precisa responder… só queria que soubesse.”
Ele ficou parado por um segundo, encarando a porta. Quase encostou a testa nela. Mas recuou. Não era hora.
Virou de costas e foi embora.
Dentro do quarto…
SN continuava imóvel.
A mensagem apareceu na tela bloqueada do celular. Ela viu. Não mexeu.
O teste de gravidez ainda estava em sua mão, apertado com força.
A lágrima escorreu de novo.
Os olhos olharam pra porta, e ela sussurrou:
— Você nunca vai saber… vai?
Aiii gente que dor, do dia pra noite tudo virou de cabeça pra baixo
É tu ferrou mesmo JK, ela não era a sasaeng e agora negócio azedou de verdade
Meu deus eu passei por isso.. histórias diferentes mas foi a mesma sensação
Realmente ela decidiu que ele não faz mais parte de tudo