Mesmo Que Você Nunca Me Perdoe
por FanfiqueiraDias depois…
Ela estava sentada na beirada da cama, o celular ao lado, vibrando pela terceira vez.
Jungkook.
Depois do encontro no hospital, ele mandava mensagens curtas. Nada exigente. Nada que pressionasse.
“Me deixa saber se você tá bem.”
“Eu não quero invadir. Só quero cuidar.”
“Mesmo que você me odeie agora.”
Mas SN não respondia. Toda vez que digitava algo, apagava. “Eu tô bem.” “Não é seu problema.” “É seu filho.” — tudo parecia errado.
O quarto estava silencioso, exceto pelo som do ultrassom impresso, que ela havia deixado na mesa de cabeceira. Ela passava os dedos por ele todos os dias. Era a única certeza que tinha. Era o amor que não a decepcionaria.
Mas mesmo assim…
Ela pensava nele.
Demais.
Pensava no modo como ele olhava, como ele abraçava, como fazia café errado só pra fazer companhia. Pensava no modo como ele sorriu pra ela pela primeira vez — aquele sorriso tímido que desarmava tudo.
E doía.
Doía tanto não poder dividir isso com ele.
Jungkook andava de um lado pro outro no estúdio, com a mesma playlist repetindo pela quarta vez. Não conseguia compor. Não conseguia treinar. Mal conseguia respirar direito.
O rosto dela não saía da mente. O olhar. A dor. A ausência de resposta.
Ele mexia no celular, abrindo o chat com SN, fechando, abrindo de novo. Digitava, apagava.
E então, ele escreveu:
“Você não precisa me perdoar. Mas deixa eu tentar ser alguém melhor pra vocês.”
Apertou enviar antes que se arrependesse.
Depois, abriu a caixa onde havia guardado as pequenas coisas que tinha comprado pra ela: o par de sapatinhos de bebê que viu por acaso e não conseguiu não levar. O porta-retrato que ia dar quando contasse que queria ficar com ela de verdade. O livro de nomes para escolherem juntos.
Ele encostou a cabeça na parede.
“Eu deixei a mulher da minha vida ir embora achando que era uma ameaça. E agora talvez seja tarde.”
Mas ele não ia parar. Não dessa vez.
Ele decidiu que não importava o quanto ela o odiasse: ele ia lutar por ela. Pela verdade. Pelo filho. Pela chance de fazer tudo certo.
Na quele mesmo dia…
SN saiu de casa cedo. Precisava manter a mente ocupada. A única forma de não desmoronar era seguir em frente como se estivesse tudo bem.
Mas quando passou em frente a uma farmácia, sentiu algo mexer dentro de si. Um enjoo súbito, mas familiar. Parou por um instante, segurando no corrimão de uma loja. Respirou fundo.
As sensações estavam mais intensas.
E com isso, o medo também.
“E se ele aparecer de novo? E se ele insistir?”
Mas… e se ele desistir?
E se ele nunca mais voltar?
Ela parou por um instante no reflexo da vitrine.
— Você tá grávida dele. — disse baixinho para si mesma. — E você ainda o ama.
Dias depois…
Alguns dias depois, num sábado nublado, SN entrou num pequeno mercado do bairro para comprar frutas e pão fresco. Ela estava distraída, de moletom, com um casaco largo. Nada nela chamava atenção.
Até que sentiu um arrepio na nuca.
Virou-se devagar. E ali estava ele. De boné, máscara, moletom cinza, com as mãos nos bolsos.
O olhar dele encontrou o dela imediatamente.
Ela congelou.
Ele também.
Por um segundo, ninguém disse nada.
— Oi… — ele arriscou, a voz rouca.
Ela segurou mais firme a cestinha com as frutas.
— Você me seguiu? — perguntou, não agressiva, mas ferida.
Ele negou com a cabeça. — Eu vim comprar pão. Juro. — sorriu, mas foi um sorriso triste. Quase implorando pra que ela acreditasse.
Ela respirou fundo, os olhos brilhando.
— Você devia esquecer que eu existo, Jungkook.
Ele deu um passo à frente.
— Não consigo.
Ela recuou.
— Você já fez isso uma vez. Quando disse que eu era… — a voz falhou.
Jungkook fechou os olhos por um instante, o coração apertado. Ele ia dizer. Ia dizer tudo.
Mas antes que pudesse falar, ela disse:
— Eu tenho que ir.
E saiu.
Sem perceber que ele a seguiu com os olhos até o final da rua.
Sem saber que ele voltou pra casa, mais certo do que nunca:
Ela ainda me ama. E eu vou provar que posso ser o homem que ela merece. Mesmo que leve tempo. Mesmo que ela me feche a porta mil vezes. Porque eu… não sei mais viver sem ela.
A reaproximação de Jungkook não começou com palavras. Começou com o silêncio.
Dias após o encontro no mercado, SN continuava seguindo sua rotina em silêncio, tentando manter a sanidade em meio aos enjoos matinais, à sensibilidade emocional e às lembranças constantes de um amor que parecia ter sido rasgado ao meio. Não havia mais espaço para sonhos doces, apenas para a prática dura da sobrevivência. Ela ainda não havia contado para ninguém além de sua melhor amiga sobre a gravidez. Não por vergonha. Mas por medo. Medo de fragilizar ainda mais um coração já despedaçado.
Jungkook, por outro lado, sentia cada segundo pesar como chumbo nos ombros. Depois daquele breve reencontro, ele soube que não podia mais esperar. Mas também entendeu que não adiantava invadir. Então, decidiu começar pequeno.
No primeiro dia, ela encontrou uma pequena caixa de madeira simples diante da porta do apartamento. Dentro, um pote de mel natural com um bilhete escrito a mão:
“Para adoçar os dias amargos. Com carinho, JK.”
Ela leu, segurando o papel por mais tempo do que o necessário. Depois, guardou o bilhete em uma das gavetas da escrivaninha. Não respondeu. Mas também não jogou fora.
No segundo dia, um vasinho com lavandas frescas apareceu na porta, junto com uma pequena carta dobrada:
“Pro seu cantinho cheirar paz. Sei que você prefere girassóis, mas lavanda ajuda a acalmar. Espero que ajude.”
Ela sorriu, um sorriso contido, mas real. Colocou o vasinho na mesa e preparou um chá. Sem perceber, começou a falar sozinha.
— Idiota atencioso…
No terceiro dia, ao sair para ir ao médico, ela tropeçou em um pacote cuidadosamente embalado. Dentro, um par de pantufas em forma de coelhinhos e um pequeno embrulho de tecido com bolachinhas amanteigadas feitas em casa. O bilhete dessa vez dizia:
“Lembro que você sempre sente frio nos pés. E esses biscoitos são daquele tipo que você gostava. Ainda sou bom na cozinha, viu?”
SN não aguentou e chorou sentada na escada do prédio. Mas ainda não respondeu.
A cada dia, os gestos dele se tornavam mais delicados, menos invasivos, mais constantes. Um sachê de chá calmante. Um livro com marcador grifado em frases como “Alguns amores sobrevivem até às tempestades que eles mesmos criam.”
Jungkook sabia que ela lia, mesmo sem responder.
E aos poucos, SN foi cedendo.
Começou a deixar os vasos de flores nos peitoris das janelas. Começou a comer as coisas que ele deixava. E começou a sentir a presença dele como uma brisa familiar ao redor. Não o perdoou. Mas também não conseguiu odiá-lo.
Uma semana depois, Jungkook passou pela rua dela a caminho de um estúdio vizinho. Viu a luz da cozinha acesa e o reflexo dela lavando alguma coisa. Parou do outro lado da calçada e ficou observando, sem que ela notasse.
E quando SN se virou para pendurar o pano na pia, viu a silhueta dele ali, quieta, com as mãos no bolso, o corpo parado. Os dois ficaram assim por um tempo, apenas se encarando.
Ela não fechou a cortina. Ele não virou o rosto.
E naquele silêncio sem vidro, uma pequena rachadura se formou na barreira que os separava.
Naquela mesma noite, Jungkook escreveu mais uma vez.
“Eu não espero que você confie em mim agora. Mas eu quero merecer essa chance. Não importa quanto tempo leve. Eu vou esperar. Mesmo que você nunca me perdoe. Porque eu continuo te amando. E mesmo se eu não puder estar com você, quero saber que você está bem.”
No dia seguinte, ele estava passando perto do prédio dela quando escutou um barulho vindo de um parque próximo. Era o som de risadas infantis. Ele não sabia por quê, mas foi até lá. E então viu.
SN sentada em um banco, as mãos no colo, comendo uma fatia de bolo. Sozinha. O cabelo preso em um coque malfeito, vestida confortavelmente, e um olhar distante no rosto.
Jungkook não se aproximou. Apenas observou. Mas algo nele se aqueceu por dentro. Não era sobre fazer ela voltar. Era sobre mostrar que ele ainda estava ali. Que não iria mais desistir dela.
Mais tarde, SN recebeu uma mensagem:
“Eu vi você hoje. Estava linda. Fico feliz que esteja cuidando de você. Desculpa por não ter falado. Achei que você não queria.”
Ela segurou o celular por um tempo, depois respondeu.
“Obrigada pelas flores. E pelos biscoitos. Estavam perfeitos.”
Era pouco. Mas era a primeira mensagem em semanas.
Jungkook leu, sorriu e deixou o celular sobre a mesa. O coração dele acelerado como da primeira vez que a viu sorrir.
Dias depois, ele soube por uma amiga em comum que SN tinha ido ao hospital novamente para consultas de pré-natal. O nome da médica era o mesmo que ele havia conhecido antes. Jungkook não se conteve. Foi até o consultório, esperou a dra. sair e, com todo o respeito do mundo, pediu para falar com ela.
Ele não queria invadir. Não queria forçar. Mas precisava saber.
A médica o olhou com firmeza.
— Se você quer saber se ela está bem, está. Mas eu não posso dizer nada mais do que isso, Jungkook. Você sabe disso.
— Eu sei. — ele respondeu, com os olhos baixos. — Mas só de ouvir isso… já alivia.
Mais tarde, SN chegou em casa e encontrou um embrulho diferente: um caderno artesanal com capa de couro e um envelope colado na primeira página.
Dentro, uma carta:
“Se você quiser escrever, desabafar, ou guardar lembranças… esse caderno é seu. Eu não vou ler. Nunca. Mas se um dia quiser me contar sobre você, sobre o que você sente, eu vou estar aqui. Do lado de fora, esperando.
Com amor, JK.”
E assim, entre bilhetes e gestos, silências e presenças, Jungkook foi se aproximando.
Não invadiu. Não apressou. Não exigiu nada.
Mas se fez presente.
E SN, aos poucos, começou a sentir que talvez… só talvez… ela não estivesse mais tão sozinha para enfrentar tudo.
Mesmo que seja em passos pequenos.
Mesmo que seja sussurrado.
O fim do primeiro trimestre chegou com um misto de alívio e exaustão para SN. Estava com 13 semanas de gravidez, e embora o risco de perda espontânea tivesse diminuído, os sintomas persistentes pareciam não querer deixá-la em paz. Enjoos ainda viriam e iam, a fadiga batia mais forte do que nunca e, como escritora freelancer para uma editora digital, a pressão de entregar os capítulos no prazo apertava como um cinto desconfortável.
Naquela manhã cinzenta de terça-feira, ela estava sentada no pequeno home office que montou perto da janela. Vestia um moletom largo, uma legging velha e as pantufas que o Jungkook havia dado a ela. Uma caneca de chá de gengibre repousava ao lado do notebook, meio esquecida.
O cursor piscava na tela, numa linha solitária.
Ela apoiou o rosto nas mãos e suspirou fundo.
— Vamos, SN… foco. — murmurou para si mesma, os olhos semicerrados.
Tentou escrever mais uma linha, mas o enjoo voltou em ondas leves e insistentes. Ela empurrou a cadeira, indo até a cozinha devagar, massageando o estômago. Preparou uns biscoitos de sal, a contragosto.
— Isso era pra ter passado já…— resmungou, sentando-se de novo.
Mesmo assim, continuou. Escreveu três parágrafos. Apagou dois. Corrigiu uma cena. Reescreveu um diálogo.
Mas então a campainha tocou.
Ela franziu o cenho. Não estava esperando visita.
Foi até a porta, devagar. Quando abriu, encontrou uma pequena sacola de papel marrom com um bilhete colado:
“Não sabia qual sabor você gosta agora, então trouxe os três. Espero que um deles te acalme o estômago. – JK”
Dentro da sacola, havia três potes de sorvete: chocolate, baunilha simples e um vegano de banana com canela. Todos lacrados. Todos com cara de terem sido escolhidos com cuidado.
Ela ficou olhando a sacola por longos segundos, os olhos marejando. Depois, pegou um dos potes, baunilha, e se permitiu um sorriso discreto. Pequeno. Mas real.
Naquele mesmo fim de tarde, Jungkook passava em frente ao prédio dela. Tinha feito isso sem perceber, como se o carro o conduzisse sozinho. Ele não queria invadir, nem aparecer sem aviso. Mas… queria saber se ela tinha recebido.
Recebeu.
Ele viu, de longe, a pequena embalagem de sorvete no parapeito da janela. Uma colher pendurada no pote.
Ele sorriu.
— Pelo menos abriu a sacola…
No dia seguinte, SN acordou um pouco melhor. Não tão nauseada. Estava deitada na cama, com o notebook apoiado nas pernas, quando recebeu uma nova mensagem:
JK: “Se você quiser espairecer, achei uma feirinha de livros usados perto da sua rua. Eles têm uns romances vintage com capas cafonas que você ia amar. Não é convite. É só… informação mesmo.”
Ela não respondeu. Mas saiu de casa vinte minutos depois.
E encontrou a feirinha.
E trouxe dois livros.
— Idiota. — murmurou, segurando um dos livros com uma capa antiga em tom de rosa pastel. Mas ela sorria.
Naquela sexta-feira, Jungkook deixou flores na portaria. Não rosas vermelhas, mas girassóis. E junto, um bilhete escrito à mão:
“Eu não vou mais pedir pra você me perdoar. Eu vou tentar merecer que um dia você pense nisso.”
SN segurou o bilhete por minutos. As flores estavam frescas. Simples. Delicadas. Como ela gostava.
Pegou o bilhete. Guardou. As flores, colocou num vasinho pequeno na mesa de jantar.
Na segunda-feira seguinte, ela teve uma consulta de pré-natal. Foi sozinha, como das outras vezes. Mas dessa vez, quando saiu da clínica, viu um rosto conhecido atravessando a rua.
Jungkook.
Ele não a tinha visto ainda. Estava distraído com o celular. Mas o coração dela disparou como se ele tivesse.
Ela desviou o olhar. Passou por ele. Mas o perfume familiar ficou.
E com ele, a saudade.
Nessa noite, ele mandou mensagem:
JK: “Tava indo encontrar meu irmão no centro, fico feliz de saber que está se cuidando. Posso… ajudar de alguma forma? Mesmo que de longe?”
Ela digitou uma resposta. Apagou. Digitou de novo.
SN: “Obrigada por perguntar. Estou indo bem, sim.”
Segunda resposta.
Segunda rachadura na parede que ela construiu ao redor do coração.
Naquela noite, enquanto ela se deitava sentindo o bebê mais presente do que nunca, com a barriga levemente mais arredondada, pensou em como não estava mais tão sozinha quanto achava.
E Jungkook, sorria para o celular como um adolescente, lendo e relendo aquela mensagem de um linha como se fosse uma carta de amor.
Ele sabia: não seria fácil. Mas ela tinha respondido.
E isso era mais do que ele merecia.
Era um recomeço.
Dias depois…
SN estava se sentindo um pouco melhor naquela manhã. Depois de dias lutando contra o enjoo, cólicas, azia e um cansaço que parecia morar nos ossos, ela finalmente reuniu forças para sair. Queria andar, espairecer, fazer algo que a lembrasse que o mundo ainda girava lá fora. Com uma blusa larga, calça de algodão e um coque bagunçado, ela pegou sua ecobag e desceu para comprar algumas frutas, pão, talvez um suco gelado.
O supermercado do bairro não estava tão cheio. Havia mães com crianças pequenas, casais apressados, idosos com listas escritas em papeizinhos dobrados no bolso. SN estava na seção de hortifruti quando ouviu a voz familiar que gelou sua espinha.
— SN? É você mesma?
Ela virou lentamente. Seus olhos encontraram os de Hana, uma ex-colega da escola. Era daquelas pessoas que sempre foram barulhentas demais, cruéis sem motivo e boas em sorrir para os outros enquanto falavam pelas costas.
SN tentou sorrir, mas saiu tímido e contido.
— Hana… oi. Quanto tempo.
Hana a olhou de cima a baixo, olhos focando no volume de sua barriga com um ar de surpresa mal disfarçada.
— Meu Deus… você está… grávida? — disse alto demais, fazendo algumas pessoas próximas se virarem para olhar.
SN sentiu o rosto corar, assentiu com a cabeça.
— Estou, sim.
— Uau. Nunca pensei que você fosse do tipo que ficava grávida assim, do nada. Não sabia que você tava namorando. Ou… é um caso desses, sabe? Tipo… erro de uma noite?
SN travou.
— Não que eu esteja julgando, claro. — Hana riu falsamente, erguendo as mãos. — Mas você sempre foi tão… correta. Tão certinha. E olha só pra você agora, toda largada, comprando bananas e suco com essa barriga enorme. Cadê o pai? Sumiu, é isso?
Alguns risos abafados surgiram por perto. SN sentia o coração acelerar, as mãos tremerem. As pessoas olhavam. Algumas com pena, outras com escârnio.
— Hana, por favor…
— Ai, não leva a mal. Mas você devia se cuidar melhor. É difícil arrumar alguém que aceite criar filho dos outros, ainda mais com essa cara de choro. Sério, você precisa reagir. Ou vai acabar criando essa criança sozinha. E olha, é triste, viu? Muito homem por aí quer só diversão, e uma mãe solteira já vem com “pacote completo”. Cansam rápido.
SN estava petrificada. A garganta apertada. As palavras sumiram. Queria desaparecer. Sumir. Sair correndo daquele lugar.
Mas não teve tempo.
— Você quer repetir isso ? — disse uma voz firme, profunda, carregada de raiva e autoridade.
Todos se viraram.
Jungkook atravessava o corredor com passos largos, as sobrancelhas franzidas, o maxilar trincado. Usava uma camiseta preta simples e calça de moletom, mas a presença dele enchia o espaço. Os olhares se voltaram para ele de imediato, alguns murmurando seu nome, outros simplesmente congelando diante da imagem inesperada.
Hana arregalou os olhos.
— Jungkook?! — ela disse, confusa, recuando meio passo.
SN estava estática.
Ele se aproximou até SN sem dizer uma palavra. Quando chegou a seu lado, puxou-a gentilmente pelos ombros e a abraçou contra seu peito. SN não resistiu. Ela estava tremendo. E quando sentiu o calor do corpo dele e a forma como ele a protegia com o próprio corpo, não aguentou. As lágrimas vieram silenciosas, desabando contra a camiseta dele.
Jungkook passou a mão pelas costas dela com carinho e ergueu o rosto, olhando diretamente para Hana e para todos ao redor.
— Ela não está sozinha. Eu estou com ela. Sou o pai dessa criança. E se mais alguém tiver algo a dizer que não seja pra desejar o bem deles, pode engolir de volta.
O silêncio foi instantâneo. Ninguém ousou dizer nada.
Hana estava boquiaberta.
— Você… o pai? Mas…
Jungkook nem respondeu. Apenas olhou para ela com desprezo contido.
— Pessoas que não sabem o que dizem deviam pensar duas vezes antes de abrir a boca. Você acabou de envergonhar minha mulher que está gerando meu filho. E ainda acha que pode sair daqui como se nada fosse?
Hana corou intensamente.
— Eu… eu não sabia. Só… achei que…
— Que podia humilhar. Diminuir. Insinuar? Mas não com ela. Nunca mais com ela.
SN soluçava baixinho. Jungkook a apertou mais contra si, protegendo, blindando.
— Vamos embora amor. — disse ele, baixo, ao ouvido dela. — Você não precisa mais passar por isso sozinha.
Ela assentiu, sem conseguir falar. As pessoas abriram caminho conforme ele a conduzia para fora do supermercado, uma mão segurando firme a dela, a outra sobre sua barriga. Ninguém ousava comentar nada. Estavam espantados de mais, por ter ouvido um idol dizer aquilo abertamente no meio de um mercado.
Quando saíram, Jungkook a colocou cuidadosamente dentro do carro. Ela ainda tremia, os olhos vermelhos. Ele se abaixou para ficar na altura dela, passando o polegar delicadamente pelo rosto molhado.
— Me desculpa. Por tudo. Por ter duvidado. Por ter te deixado passar por isso.
Ela balbuciou:
— Por que você tá aqui?
— Porque eu devia estar desde o começo. Porque eu amo você. E porque eu não vou mais deixar você enfrentar nada disso sozinha. Nunca mais.
Os olhos dela se encheram de novo.
E quando ele se sentou ao lado dela, e entrelaçou os dedos nos dela, SN percebeu que talvez ainda houvesse esperança. Que mesmo em meio à vergonha, humilhação, dor e medo… ainda havia um lugar onde ela podia respirar em paz: o peito dele.
O lugar de onde nunca deveria ter saído.
Agora o desespero tomou conta, ainda mais sabendo que acabou com ela
Ela ama ele.. mas a razão fala mais alto
Aiii que biscate, odeio esse tipo de pessoa.. além de querer humilhar ainda faz questão de plateia
Não era palco que tu queria biscate? Kkķkk agora tomou.. na frente de todos. Aqui ele mostrou pra s/n que ele ta com ela sim
Meu casal ta de volta, graças a biscate da hana.. ele conseguiu a chance que precisava