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Na manhã seguinte

A luz suave atravessava a cortina clara do quarto de Jungkook, iluminando o cenário com um brilho cálido e tranquilo. O silêncio era confortável, interrompido apenas pela respiração mansa de SN, ainda adormecida, o rosto escondido entre o travesseiro e o peito dele.

Jungkook estava acordado. E sorria.

Mesmo depois de uma noite intensa — daquelas que entrariam fácil no Top 3 da vida dele —, ele estava completamente desperto, com o corpo aquecido e o olhar grudado nela. A expressão serena de SN, os fios desalinhados colados na bochecha, o braço jogado sobre a cintura dele. Tudo nela parecia provocar algo que ele ainda não sabia nomear, mas sentia no fundo da barriga.

Ele podia simplesmente ficar ali, abraçado e em silêncio. Podia. Mas não queria.

“Agora é minha vez de brincar um pouco”, pensou, mordendo o lábio inferior.

Lentamente, Jungkook se desvencilhou dos braços dela, sentando-se à beira da cama. Abriu a gaveta do criado-mudo com o maior cuidado, como se estivesse espiando um segredo — e, de certo modo, estava mesmo.

Ali, entre algumas embalagens discretas, estava o pequeno brinquedo que ele havia comprado semanas atrás, já com ela em mente. Um vibrador discreto, controlado por aplicativo.

Perfeito.

Ele voltou para a cama em silêncio e se posicionou entre as pernas dela, afastando-as devagar, com um carinho que contrastava com o desejo nos olhos dele. Depositou beijos delicados na parte interna das coxas, subindo aos poucos, provocando arrepios que acordaram SN antes mesmo dela entender o que estava acontecendo.

— Jungkook… — ela murmurou, ainda sonolenta, com a voz arrastada de cansaço e surpresa. — Que horas são?

— Hora da diversão — ele sussurrou contra a pele dela, com aquele sorriso torto que sempre denunciava suas intenções.

Ela estremeceu levemente, o corpo reagindo antes mesmo da mente processar.

— Mas… a feira… — tentou protestar, mesmo já enredada pela sensação dos lábios dele explorando onde ela mais sentia.

— A gente vai, baby. Mas antes disso… — Ele ergueu o pequeno vibrador para que ela visse, com aquele brilho travesso nos olhos. — Você vai passar a manhã inteirinha com isso aqui.

Ela arregalou os olhos, mas antes que pudesse responder, Jungkook foi mais rápido. Colocou o brinquedo com delicadeza, atento a cada reação dela. Depois, sentou-se ao lado com o celular em mãos.

— Tem três níveis — ele explicou, rolando o dedo na tela. — E eu sou o DJ da sua manhã.

Ele ativou o primeiro nível.

Ela arqueou as costas com um leve gemido, surpresa pela intensidade mesmo no modo mais suave. Jungkook sorriu, satisfeito.

— Isso é só o começo, meu bem.

Ele aumentaria depois. Na feira. Na cozinha. Onde e quando ele quisesse.

E o melhor: ela sabia que ele cumpria o que prometia.

Jungkook observava cada reação dela com atenção quase clínica — como se estudasse as reações de um experimento do qual ele já sabia o desfecho.

O brinquedo pulsava dentro dela, e o corpo de SN se remexia na cama, tentando conter os sons que escapavam baixos, quase implorando para serem calados.

— Você tá linda assim, sabia? — ele murmurou, passando os dedos pela cintura dela, traçando círculos preguiçosos. — Toda manhosa… e sensível.

Ela o encarou com os olhos semicerrados, misto de desejo e desafio.

— Você é cruel, Jeon Jungkook.

Ele riu baixinho, ativando a segunda voltagem com um deslizar no aplicativo. Ela mordeu os lábios, jogando a cabeça para trás com um suspiro que era puro fogo.

— Cruel seria te deixar sem nada — ele rebateu, beijando o ombro dela. — Mas eu sou bonzinho… às vezes.

Depois de mais alguns minutos de provocações — com beijos roubados, carícias lentas e um controle de voltagem que fazia o corpo dela tremer em ondas — ele desligou o brinquedo com um toque.

— Vem, a gente tem café da manhã pra fazer.

— Você é insuportável — ela resmungou, tentando se levantar com as pernas ainda trêmulas. — Vou me vingar.

— Promete? — Ele piscou, mordendo de leve a bochecha dela antes de sair do quarto de mãos dadas com SN.

Ambos desceram para a cozinha com sorrisos que tentavam esconder, mas a cumplicidade entre eles era tão evidente que parecia flutuar no ar. Jungkook pegou dois copos, ofereceu suco a ela, e foi até o armário buscar o pão — completamente alheios ao olhar surpreso da mãe dele sentada à mesa.

— Bom dia, e… espero que a noite de vocês tenha sido… tranquila — disse a mãe dele, com uma pausa significativa e uma sobrancelha arqueada.

SN congelou com o copo nos lábios. Jungkook travou com o pacote de pão na mão, lentamente virando o rosto para a mãe, desconfiado.

— Mãe…?

Ela apenas sorriu. Um daqueles sorrisos maternos que escondem meio mundo de julgamentos silenciosos.

E então o pai dele surgiu do corredor, com um bocejo preguiçoso e uma camiseta amassada.

— Olha só quem apareceu! Depois de gemidos, batidas na parede e um ritmo digno de trilha sonora de ação, pensei que vocês iam dormir até meio-dia.

SN engasgou com o suco. Jungkook soltou o pacote de pão na bancada com um ploc seco, os olhos arregalados.

— Pai?!

— O quê? — O homem deu de ombros. — A casa tem paredes finas, filho. Vocês acham mesmo que a gente não ia ouvir?

— A gente…? — SN sussurrou, completamente em choque, sentindo o rosto queimar de vergonha.

A mãe assentiu, pegando a xícara de café como se aquilo fosse a coisa mais normal do mundo.

— Nós dois. E, sinceramente? Você tem pulmões potentes, SN. Mas o Jungkook… bem… ele é bem… entusiasmado.

— Mãe! — Jungkook praticamente gritou, cobrindo o rosto com as mãos, vermelho até a raiz do cabelo.

SN queria sumir. Sumir mesmo. Virar vapor. Desaparecer por uma fenda interdimensional. Mas tudo o que conseguiu fazer foi esconder o rosto nas mãos enquanto sentia o vibrador ainda dentro dela pulsar fraco, em modo silencioso.

E, para piorar, o celular de Jungkook vibrou com uma notificação do app.

Ele o puxou do bolso, olhou a tela e resmungou baixinho:

— Ele reconectou…

— O quê? — SN sussurrou em pânico.

— Nada — ele respondeu rápido, tomando um gole do próprio suco, tentando parecer inocente enquanto o pai ria escandalosamente ao fundo.

Era oficial: eles nunca mais iam conseguir tomar café da manhã normalmente naquela casa.

SN mal conseguiu terminar o café. A sensação do brinquedo silencioso dentro dela a deixava em constante alerta. Jungkook, por outro lado, parecia imune — ou talvez estivesse se divertindo demais com a tortura psicológica que tinha instalado nela.

Quando se despediram dos pais dele, SN teve certeza de que a mãe o puxou discretamente pelo braço e disse algo como: “Você podia ao menos colocar uma música da próxima vez, só pra abafar, sabe?” — o que fez ele tossir e sair quase empurrando SN pela porta.

Já no carro, a tensão no ar era diferente. SN se ajeitou no banco com cuidado, tentando não dar indícios do que levava com ela. Mas Jungkook notou — claro que notou. Ele lançou um olhar de canto, aquele sorrisinho de canto de boca que ela já começava a odiar e amar ao mesmo tempo.

— Tá confortável, jagi? (  “Jagi” = querida, amor ou bebê)

— Nem um pouco. — Ela cruzou os braços, fingindo indignação. — Isso é tortura.

— Você disse que ia se vingar, não disse? Tô só garantindo que você tenha motivação.

SN revirou os olhos, mas teve que conter um gemido quando sentiu o brinquedo vibrar brevemente — um pulso rápido, no modo mínimo. Ele riu, satisfeito com a reação dela, sem tirar os olhos da estrada.

— Isso não vai prestar. — Ela murmurou, apertando as pernas.

— Vai prestar sim — ele respondeu. — Vai prestar direitinho.

A feira estava lotada. O céu limpo, o som de vozes e vendedores criando aquela típica bagunça de domingo de manhã.

SN tentava parecer o mais normal possível, mas os passos dela estavam mais lentos do que o habitual. Jungkook, com uma sacola de pano no ombro, de touca, parecia o próprio namorado do Pinterest — até o momento em que ativou discretamente a segunda voltagem no app, bem no meio da barraca de frutas.

SN soltou um pequeno soluço, fingindo que era por causa de uma manga especialmente bonita.

— Essa aqui tá madura, não tá? — ela apontou para a fruta, as bochechas coradas, suando frio.

— Bem madura. — Jungkook respondeu, encarando-a com um brilho maroto nos olhos. — Quase explodindo.

Ela quase derrubou a fruta da mão.

Andaram mais um pouco, e ele brincava com a intensidade em momentos aleatórios. Uma vibração rápida quando ela abaixava pra pegar um legume. Um pulso mais intenso quando alguém esbarrava nela e ela tentava sorrir. SN chegou a pensar em gritar. Ou jogar a sacola nele. Ou os dois.

Mas nada a preparou para o momento em que encontraram uma senhora simpática vendendo doces artesanais.

— Moça, esse casal é tão bonito! São casados?

— Não… — SN começou a responder, tentando manter o controle.

— Mas já estamos ensaiando — Jungkook completou, ativando a voltagem máxima por dois segundos.

Ela segurou firme no braço dele, apertando tanto que ele riu.

— Você é doido! — sussurrou entre dentes.

— Mas você gosta — ele respondeu sem disfarçar a satisfação.

SN só conseguia pensar em duas coisas: que estava completamente à mercê dele… e que, de algum jeito que ela ainda não entendia, isso era absolutamente viciante.

Poucos minutos depois…

Enquanto SN tentava não desmontar no meio das mangas e Jungkook ria baixinho, um casal se aproximava por trás da barraca ao lado. O pai e a mãe de Jungkook caminhavam juntos, carregando uma sacola cada um, comentando sobre os preços das verduras e a falta de pimenta fresca naquela feira em particular.

A mãe dele, sempre alerta, foi a primeira a reconhecer o filho e a postura um tanto… orgulhosa. O olhar dela foi direto para SN, que estava meio curvada, o rosto corado, as mãos apertando a barra da camiseta.

Ela franziu o cenho, desconfiada.

— Olha eles ali… — murmurou para o marido. — Olha a cara dela. Tá parecendo que tá prestes a desmaiar ou sei lá.

O pai olhou na mesma direção, apertando os olhos, e então percebeu algo que o fez arquear uma sobrancelha discretamente.

Jungkook estava com o celular na mão, os olhos cheios de malícia, sorrindo sozinho enquanto digitava algo. Um gesto rápido, como se tivesse acabado de tocar num botão específico. E foi nesse exato momento que SN mordeu o lábio inferior, lutando visivelmente contra alguma coisa.

O pai entendeu.

Ah…

Ele pigarreou levemente e desviou o olhar como se nada tivesse acontecido, mas caminhou até o filho com aquele ar calmo de quem já viu mais do que gostaria.

— Jungkook. — A voz dele soou atrás dos dois, baixa, mas firme o suficiente pra cortar o clima.

O filho travou.

SN se virou rápido, tentando recompor o rosto, o corpo, a alma.

— Appa! — Jungkook disfarçou, guardando o celular no bolso num movimento quase natural. Quase.

O pai olhou de um para o outro e então sorriu, gentil como sempre.

— Compraram o que tinham que comprar? — perguntou, como se nada estivesse fora do lugar. Mas o olhar que ele lançou para Jungkook depois dizia tudo.

Um olhar de “Se eu não fosse mais velho e  não tivesse filhos, eu também faria essa arte. Mas pelo amor de Deus, tenha cuidado, garoto.”

Jungkook sorriu sem jeito e coçou a nuca, entendendo exatamente o que o pai quis dizer.

— Tamo quase acabando. — respondeu, tentando manter a compostura. — Só faltam os legumes e o frango.

O pai assentiu, depois lançou um olhar breve para SN, como se dissesse “força, minha filha”, e virou-se calmamente para voltar à barraca com a esposa, que ainda estava distraída escolhendo pimentas.

Quando eles se afastaram, SN sussurrou entre dentes:

— Ele viu.

— Eu sei. — Jungkook mordeu o lábio, ainda um pouco vermelho. — Ele não disse nada.

— Porque ele é discreto. Mas agora ele sabe, Jungkook! Meu Deus…

— Relaxa, jagi… pelo menos ele viu que você tá bem cuidada.

Ela quis bater nele com uma berinjela.

— Eu nunca mais vou conseguir olhar pra ele.

— Pelo menos ele não confiscou o brinquedo.

Ela olhou pra ele com puro ódio.

— Jeon Jungkook…

Ele sorriu de lado.

— Já desliguei. Prometo.

Pelo menos por enquanto.

Aula breve de coreano:

Em coreano, “jagi” (자기) é um termo carinhoso muito comum entre casais, equivalente a expressões como “amor”, “querido(a)” ou “bebê” em português. É uma forma informal de se referir ao parceiro e pode ser usada tanto por homens quanto por mulheres.

Detalhes: A forma mais usada é “jagiya” (자기야), com a adição do sufixo “ya” (야), o que torna a expressão ainda mais afetuosa.

Contexto: “Jagi” costuma ser mais frequente entre casais jovens ou em relacionamentos com maior intimidade emocional.

4 Comentários

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  1. Iasmine
    Feb 21, '26 at 9:03 am

    Ele voltou para a cama em silêncio e se posicionou entre as pernas dela, afastando-as devagar, com um carinho que contrastava com o desejo nos olhos dele. Depositou beijos delicados na parte interna das coxas, subindo aos poucos, provocando arrepios que acordaram SN antes mesmo dela entender o que estava acontecendo.

    Ele não fez isso não né? Kkkkkkk ai é golpe baixo pqp

  2. Iasmine
    Feb 21, '26 at 9:08 am

    — Olha só quem apareceu! Depois de gemidos, batidas na parede e um ritmo digno de trilha sonora de ação, pensei que vocês iam dormir até meio-dia.

    Eu ia querer sumir kkkkk depois dessa meu deus do céu, abria o chão

  3. Iasmine
    Feb 21, '26 at 9:09 am

    Andaram mais um pouco, e ele brincava com a intensidade em momentos aleatórios. Uma vibração rápida quando ela abaixava pra pegar um legume. Um pulso mais intenso quando alguém esbarrava nela e ela tentava sorrir. SN chegou a pensar em gritar. Ou jogar a sacola nele. Ou os dois.

    Não pera kkkk isso é sacanagem na feira gente, quem tem limite é município

  4. Iasmine
    Feb 21, '26 at 9:11 am

    O pai assentiu, depois lançou um olhar breve para SN, como se dissesse “força, minha filha”, e virou-se calmamente para voltar à barraca com a esposa, que ainda estava distraída escolhendo pimentas.

    Incrível kkk o pai dele sempre descobrindo as putaria deles, como que olha pra esse homem depois de tudo isso? Kkkkkkk

Nota

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